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Superficialmente, casos parecem guardar poucas similaridades, mas são justamente elas que ensejam uma reflexão difícil, mas necessária

O vazamento de imagens da atriz Paolla Oliveira sem roupa ganharam o noticiário no final da tarde desta quinta-feira (1) com a resposta dura e contundente da Globo e o desabafo desconcertante da atriz contra a atitude "covarde e criminosa" que registrou imagens no set de gravações da série "Assédio" de maneira fortuita e divulgou as mesmas na internet. 

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Paolla Oliveira é a mais nova vítima de vazamentos na internet
Raquel Cunha/Globo
Paolla Oliveira é a mais nova vítima de vazamentos na internet

O caso repercutiu rapidamente na internet na esteira de uma nota à imprensa enviada pela Globo. "Estamos ao lado de nossa atriz Paolla Oliveira e não pouparemos esforços para que sejam identificados os culpados e aplicadas as punições previstas na lei". Não faz muito tempo outro caso de vazamento envolvendo a Globo e um de seus funcionários provocou cataclismas nas redes sociais e no noiciário online. O vazamento de um vídeo do jornalista e então âncora do "Jornal da Globo" William Waack proferindo palavras de conotação racista surgiu no fim de 2017. O jornalista posteriormente classificaria o que disse como "brincadeira infeliz". Waack, foi afastado imediatamente de suas funções e, algumas semanas depois, desligado da empresa após um acordo que ainda hoje suscita hipóteses e boatos.

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Superficialmente ambos os casos não guardam qualquer semelhança. Mas apenas superficialmente. Em ambos os casos trata-se de um vazamento criminoso de propriedade subtraída, a despeito de suas particularidades e circunstâncias, da emissora. Waack insistentemente bateu nessa tecla como se fosse possível se desviar do julgamento popular tão sumário quanto descompromissado com questões de natureza jurídica ou contexual. 

William Waack durante entrevista concedida a Augusto Nunes
Reprodução/Veja
William Waack durante entrevista concedida a Augusto Nunes

A grande diferença reside na capacidade de empatia que os vazamentos acarretam. Se a "brincadeira" de Waack enseja repugnância e ranço, as circunstâncias que acometem Paolla provocam simpatia e solidariedade. Em um Brasil que se habitua a polarizações e meias-verdades, a inflexão se faz necessária. Há vazamentos bons e ruins? É mesmo possível tolerar este raciocínio em um escopo em que não há institucionalidade pública envolvida? Há quem demonstre impaciência quando se argumenta que a maneira como o episódio de Waack foi administrado pela Globo e pela opinião pública o prejudicou nos âmbitos pessoal e profissional. Afinal, de fato o comentário jocoso foi na esfera privada. Assim como ocorreu com a gravação de Paolla Oliveira. Qual o limite do interesse público em casos dessa natureza? 

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Há maior ou menor interesse público em fotos sensuais da atriz global do que na ciência de que um jornalista é preconceituoso? Qual a régua deve prevalecer aqui se, em ambos os casos, um crime detonou a questão e a privacidade foi invadida de maneira violenta? Há de se ponderar à luz dos novos fatos que justiciamento não é justiça e isso não se circunscreve essencialmente aos vazadores, mas a todos nós que temos aquela velha opinião formada sobre tudo. 

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