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DJ, preso há cinco meses acusado de associação ao tráfico, participou da produção do polêmico clipe onde Nego do Borel beija outro homem

Rennan da Silva Santos, conhecido como DJ Rennan da Penha, preso há cinco meses, está concorrendo ao Grammy Latino com o videoclipe Me Solta , de Nego do Borel, do qual participou da produção. O anúncio dos concorrentes ao prêmio foi feito nesta terça-feira.

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Divulgação
DJ Rennan da Penha

O hit concorre na categoria Melhor clipe curto. Rennan da Penha está na penitenciária Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. Ele é o idealizador do "Baile da Gaiola", baile funk promovido na Vila Cruzeiro, Zona Norte do Rio.

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Os vencedores do prêmio serão anunciados no dia 14 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. A namorada de Rennan, Lorenna Vieira, 20 anos, fez uma postagem em seu Instagram comemorando a indicação. “Aí eu te falo: quem nasceu pra brilhar, nasceu pra brilhar. Não tem jeito. O cara é brabo. E quando ele sair, é só vitória”, afirmou a jovem.

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Reprodução/Instagram/@badgallore
Namorada de Rennan da Penha, Lorenna Vieira celebrou indicação do DJ ao Grammy Latino

Rennan, de 25 anos, foi preso no fim de abril deste ano, após ter sido condenado a seis anos e oito meses de prisão por associação para o tráfico pelo Tribunal de Justiça do Rio. Ele havia sido absolvido, no mesmo processo, em primeira instância, mas o Ministério Público estadual recorreu da decisão e o DJ acabou condenado.

Na decisão que condenou o DJ, o desembargador Antônio Carlos Nascimento Amado, da Terceira Câmara Criminal, afirma que o DJ atuava como "olheiro" do tráfico, além de organizar bailes e produzir músicas que enalteciam traficantes. 

Ainda segundo a decisão, a polícia chegou até o nome de Rennan a partir de declarações de uma testemunha. "O adolescente disse que Rennan 'é conhecido como DJ dos bandidos, sendo responsável pela organização de bailes funks proibidos nas comunidades do Comando Vermelho, para atrair maior quantidade de pessoas e aumentar as vendas'", diz o documento. 

Outra testemunha afirmou que o DJ atuava "na área de vigilância" e destacou que sua atuação dentro da organização criminosa consistia em "informar a movimentação dos policiais através de redes sociais e contatos no aplicativo 'Whatsapp'". De acordo com esse relato, o teor das informações eram frases como "o Caveirão está subindo pela Rua X" ou "a equipe está perto do ponto tal". Já um delegado da Polícia Civil testemunhou que constavam nos autos fotos do DJ ostentando armas "de grosso calibre".

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Dois policiais militares que atuavam na UPP da comunidade à época não citaram Rennan da Penha em seus depoimentos. Um deles disse que a UPP sempre recebia reclamações sobre drogas e armas nos bailes, mas não conseguia verificá-las porque era recebida a tiros e não era possível chegar ao local. O agente declarou não conhecer Rennan, nem ter informações de sua atuação na organização dos eventos.