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Valmir Moratelli lança livro que relaciona contexto cultural expresso pelas novelas às mudanças políticas e sociais do País. Debate será no sábado (13)

Sentado de frente para a TV, acompanhando as novelas brasileiras, você pode não se dar conta, mas as tramas contam — além de muitos romances — histórias que são o retrato da sociedade, a tradução do tempo em que o folhetim está se passando.

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Cena da novela Cheias de Charme
Divulgação/TV Globo
Cena da novela "Cheias de Charme"

Essa análise está no livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma”, que será debatido neste sábado (13), na Festa Literária Internacional de Paraty. Na ocasião, o autor, o jornalista Valmir Moratelli, participa de um debate, com participações do pesquisador Mauro Alencar, da atriz Dandara Mariana e da também jornalista Ana Paula Gonçalves.

"O objetivo desse livro é mostrar que a telenovela brasileira se diferencia das de outros países porque é totalmente relacionada com o que acontece de impacto em nossa sociedade. A novela é um retrato muito fiel do nosso tempo. Talvez, seja o produto que melhor fale o que nós somos", afirma Moratelli.

"Foram dois anos de pesquisa para o meu mestrado que acabaram produzindo este material, que analisa assuntos considerados tabus da teledramaturgia, como empoderamento da mulher, inclusão do negro na sociedade como protagonista e diversidade sexual, nos últimos 20 anos. O que percebemos é que os temas das novelas da Rede Globo variam dentro da mudança de cada governo", observa o autor.

Em 208 páginas, o autor percorre os governos Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Temer.

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"Na era FHC, com o início da estabilização financeira, as histórias tinham parte da trama fora do Brasil, e isso seguiu até 'I love Paraisópolis'” (2015)", salienta. "Com a gestão Lula, temos as transformações sociais. 'Cheias de charme' (2012) é um marco, porque colocou como protagonistas três empregadas domésticas. Depois, vêm Dilma e Temer, e a gente tem o aprofundamento da divisão social e as questões éticas acaloradas. Um bom exemplo é 'Pega pega'". (2017), relata.

"Se a gente tira do contexto o que está vivendo, deixa de entender aquilo que está indo ao ar", finaliza Valmir Moratelli .