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Antes de Paula Fernandes com Juntos e Shallow Now , muitos já se arriscaram em traduções de hits estrangeiros e erraram o alvo

 Versões em português de hits internacionais são um terreno perigoso. Muitos se aventuraram com sucesso por este caminho: Ronaldo Bastos, com Nada mais ( Lately ); Gilberto Gil, com Não chore mais ( No woman no cry ); Marcelo Yuka, com Hey Joe ; Caetano Veloso, com Negro amor ( It's all over now, baby blue )…A lista de versões bem-sucedidas é extensa — mas a de canções que se perderam na tradução é ainda maior. 

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Paula Fernandes e Luan Santana
Reprodução/Instagram
Paula Fernandes e Luan Santana

E a cantora Paula Fernandes, junto com Luan Santana,  precisou de apenas um refrão para entrar para este nada seleto grupo , com Juntos , sua interpretação de Shallow , a música do filme “Nasce uma Estrela” que deu o Oscar de Melhor Canção Original para Lady Gaga em fevereiro.

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A falta de sentido do verso We’re far from the shallow now (nós estamos longe da superfície agora, em português), que virou Juntos e shallow now (oi?), é um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nesta sexta-feira (17), e ajudou a elevar a curiosidade sobre a música, que fará parte do novo DVD da artista e chega às plataformas de streaming no domingo. Nem sempre o sucesso vem pelas vias mais elogiosas, mas  Paula Fernandes  não está sozinha nessa. Confira abaixo uma lista com versões desastrosas de sucessos internacionais:

Surf é o que eu sei (Juba e Lula, 1988)

Original : Surfin’ USA (The Beach Boys, 1963)

André de Biase e Kadu Moliterno eram atores, não músicos, e faziam muito sucesso nos anos 1980 com o programa “Armação Ilimitada”. Mas nada justifica a versão flat e a letra nada irada deste clássico dos Beach Boys: “Até que entendo de história / E saco português, / Mas quando chego na praia / Surf é o que eu sei”.

Em cada sonho (Sandy & Junior, 1998)

Original: My heart will go on (Céline Dion, 1997)

Graças ao blockbuster “Titanic”, o mundo inteiro conhece a música de Céline Dion. Mas a dupla Sandy & Junior conseguiu a proeza de cantar uma versão ainda mais melosa que a da canadense. Diabéticos devem evitar essa overdose de glicose musical, que traz versos como “Por mais que eu tente aceitar / Não consigo, a saudade é demais / Quem vai não volta jamais”.

Batendo na porta do céu (Zé Ramalho, 1998)

Original: Knocking on Heaven’s Door (Bob Dylan, 1965)

Em 2008, Zé Ramalho fez um disco apenas com versões para músicas de Bob Dylan . Zé Ramalho escolheu uma tradução literal para o refrão do clássico de Bob Dylan. Mas “Bate, bate, bate na porta do céu” não bateu assim tão bem. Em 2008, o músico fez um disco inteiro para homenagear o bardo americano.

Furacão (Cida Moreira, 1986)

Original : Hurricane (Bob Dylan, 1975)

Mas a versão mais bizarra de uma música de Bob Dylan não é de Zé Ramalho. A cantora Cida Moreira conquistou o título ao cantar a letra vertida por Miguel Paiva para “Hurricane”, um protesto contra a prisão indevida de um boxeador negro. A canção tenta acompanhar a verve de Dylan, mas falha miseravelmente. E o ouvinte é brindado com versos como “Não tinha ideia da grande merda que estava pra pintar”.

Vamos pra Baleia (Nissim Ourfali, 2012)

Original: What makes you beautiful (One Direction, 2011)

Era para ser um video privado, apenas para familiares e amigos. Mas… a versão do hit "What makes you beautiful", do One Direction, feita para homenagear o jovem Nissim Ourfali em seu bar mitzvah caiu na rede e se tornou um hit involuntário. “Quando a gente viaja é irado, é dez / Mas o melhor é quando vamos pra Baleia”.

Hey Jude (Kiko Zambianchi, 1989)

Original : Hey Jude (The Beatles, 1968)

Os Beatles são um dos alvos favoritos de versões constrangedoras em português. Kiko Zambianchi maltratou a letra original de Paul McCartney nesta versão. “Hey Jude / Não fique assim / Sabe a vida? / Ainda é bela”. Só o “na na na na” do final da canção escapou. A música entrou na trilha da novela “Top Model”.

Ciúme de Rapaz (Markinhos de Moura, 1990)

Original: Jealous Guy (John Lennon, 1971)

Sucesso do álbum “Imagine”, “Jealous Guy” é praticamente uma sessão de análise pública de John Lennon. A versão teclado-de-churrascaria de Markinhos Moura também é confessional, mas sem o talento do beatle, saiu assim: “Eu só falei bobagens, até que eu fiz você chorar / Jamais pensei que eu fosse capaz”. Nem nós, Markinhos, nem nós. 

O Astronauta de Mármore (Nenhum de Nós, 1989)

Original: Starman (David Bowie, 1972)

O “Astronauta de Mármore” ganhou fama pela versão, digamos, enigmática que a banda gaúcha Nenhum de Nós fez para o sucesso do álbum “Ziggy Stardust”. Até hoje, procura-se o significado exato de versos como “Sempre estar lá e ver ele voltar / O tolo teme a noite como a noite vai temer o fogo”.

Então se joga (Henrique Costa, 2013)

Original: Psycho Killer (Talking Heads, 1977)

Em 1977: David Byrne cantava “Não consigo encarar os fatos / Estou tenso, nervoso, não consigo relaxar” em sua canção sobre um assassino psicótico. Corta para o sertanejo pop Henrique Costa em 2013: “À noite tudo pode acontecer / Traz a tequila pra ela enlouquecer”. Irritou os fãs do Talking Heads e foi acusado de sexista. Terminou dizendo que não era sua intenção “estragar” a música .

Como o vento (Yahoo, 2011)

Original:  Wind of change (Scorpions, 1990)

A queda do Muro de Berlim, o fim da Guerra Fria, o declínio da União Soviética inspiraram a balada composta por Karl Meine em 1990. Nada a ver com a baba que o Yahoo cometeu no disco “Flashnight”. “Vento, diz pra ela: eu te amo / Só agora eu sei / Eu te amo como nunca eu te amei / Eu também mudei”. Do original, sobrou só o assovio. 

Se a gente se entender (Angélica, 2001)

Original: Linger (Cranberries, 1993)

Dolores O’Riordan escreveu sobre traição e relacionamento abusivo em Linger , um dos primeiros hits do Cranberries. Já Angélica cantou uma versão vazia e sem emoção naquele que seria seu derradeiro álbum, com versos genéricos como “Quem sabe se a gente se falasse / Fosse mais fácil entender / Bem mais fácil, é mais fácil / Se a gente se entender”. O videoclipe também não ajuda.

Triste mas eu não me queixo (O Surto, 2001)

Original: Californication (Red Hot Chili Peppers, 1999)

No Rock in Rio 2001, a banda cearense O Surto tinha um único hit, A Cera (a do “me pirou o cabeção”), e quis jogar para a plateia com uma versão “white people problems” de Californication . “Entraram na minha casa e levaram meu Playstation / E é tanta coisa ruim comigo mas eu não me queixo”.

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Se você não valorizar (Aviões do Forró, 2011)

Original: Umbrella (Rihanna, 2008)

É até difícil reconhecer, logo no ínício da versão dos Aviões do Forró, os traços do megahit de Rihanna. Enquanto a cantora de Barbados passa uma mensagem “estou aqui para o que der e vier” em sua música, a versão brasileira vai por um caminho mais individualista: “Se liga no que eu vou dizer / Me amo mais do que a você”.

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