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“Liberdade”, quinto disco do rabequeiro e mestre do Maracatu de Pernambuco, fala sobre violência, religiosidade, preconceito e democracia entre tantas outras coisas. Leia a crítica e ouça o álbum completo

“Lutando para viver/Guerra que nunca se acaba/Muitos sem sobreviver/Pagando com a própria vida/Morre e não sabe o porquê”. Os versos fortes da canção Labirinto, que abre o quinto disco de Maciel Salú entregam a autoralidade forte e intransigente do novo trabalho do cantor , compositor e rabequeiro pernambucano.

Maciel Salú
Divulgação
Maciel Salú

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Versado no manguebeat, Maciel Salú integrou a banda Chão e Chinelo na década de 90 antes de seguir carreira solo a partir de 2003 quando lançou “A Pisada é Assim”. Carreira esta que encontra em “Liberdade” um grau de maturação inequívoco. É um disco à altura do nome tanto por sua potência discursiva, pelo fluxo de gêneros e influências e pela maneira livre e desimpedida que o artista vai da crítica social à homenagem mais tenra e malemolente à nesta Luiza, na canção homônima.  

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Não me esconda a verdade

Maciel Salú
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Maciel Salú

“A minha pátria é o meu Brasil/Aqui é Terra de Zumbi”. A poesia se funde à música em Realidade, um dos pontos altos do disco que conta com a colaboração de José Paes Lira. “Quem não conhece o passado, não sabe andar no presente”, prega Salú que clama para a mãe África não chorar. Na sequência, Maracatu sem Lei rememora a proibição das sambadas de Maracatu em 2014. A sinergia de melodia e reflexão surge empolgante e mesmerizante na canção.

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Nordestino e radiante, “Liberdade” encontra em sua faixa-título uma oração em prol da democracia plena que muitas vezes cerceamos sem nem nos darmos conta. “Respeite as diferenças/E sem preconceito/Lutar pela igualdade/É o que eu aceito/Quero um país justo/Sem corrupção/Não quero a ditadura/Sou revolução”. O refinamento conceitual desse quinto álbum de Maciel Salú encontra em sua brasilidade incontida uma combinação de rara felicidade.


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