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A maior festa do ano começa nesta sexta e termina na quarta de cinzas. Fizemos um mini manual para não ter erro na hora de se fantasiar para a folia

Carnaval com certeza é a maior festa do ano. O evento que começa nesta sexta (09) e termina apenas na quarta-feira de cinzas (14) envolve todas as classes sociais, mistura culturas, estimula o turismo e garante uma gama de festas, com música, dança e fantasias .

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Confira as fantasias que são pura ofensa no Carnaval e se previna do close errado. Na foto: o casal indígena de
Montagem / Divulgação Globo
Confira as fantasias que são pura ofensa no Carnaval e se previna do close errado. Na foto: o casal indígena de "Novo Mundo", depois Angelica e Paula Fernandes vestidas de japonesas em "Estrelas do Brasil" e por fim Juliano Machado, responsável por dar vida ao cangaceiro Carcará em "Entre Irmãs"

Considerada uma das maiores festas do mundo, o Carnaval sempre teve muito destaque no calendário nacional. No entanto, de uns anos para cá, a folia de rua ganhou muita notoriedade e fãs. Exemplo disto, é o grande surgimento de blocos de carnaval em São Paulo, entre outras cidades.

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Até aí tudo certo. Fantasiar-se na folia é um costume antigo e ainda praticado na atualidade, porém, com a ascensão do politicamente correto é preciso ter atenção na hora de se enfeitar para evitar o  close errado . Afinal, respeito é bom e todos gostam.

Pensando nisso, fizemos uma análise com base em racismo, apropriação cultural, xenofobia, entre outros preconceitos, para você correr das fantasias que são pura ofensa neste Carnaval  de 2018 e curtir as festas com a consciência limpa. Confira:

Nega Maluca

A personagem folclórica Nega Maluca surgiu nos anos 50 e é pura ofença . Se fantasiar de Nega Maluca é caracterizado como black face e apropriação cultural
Reprodução Instagram
A personagem folclórica Nega Maluca surgiu nos anos 50 e é pura ofença . Se fantasiar de Nega Maluca é caracterizado como black face e apropriação cultural

Fantasiar-se de Nega Maluca é ato estampado de black face e apropriação cultural. A fantasia ridiculariza a raça negra e sexualiza as mulheres. Para quem não sabe, o ato de black face consiste numa pessoa branca pintar-se de preto para fazer uma sátira. Quanto a apropriação cultural, trata-se de como a mídia sempre retratou como "lindo" o fato de brancos pintados estarem usando black power, mas quando se trata de negros com o penteado a história é bem diferente.

Japoneses

Angélica e Paula Fernandes se
Divulgação Globo
Angélica e Paula Fernandes se "fantasiam"de japonesas em edição do programa "Estrelas do Brasil" e repercutem negativamente na internet

Também é comum encontrarmos nas ruas pessoas vestidas com kimonos, tamancos de madeira, maquiagem de gueixa, espadas, entre outros acessórios da cultura oriental. O ato de fantasiar-se de japonês é totalmente preconceituoso e ridiculariza um povo e sua cultura.

Entidades

Mesmo que seja como forma de 'homenagem' é bom evitar fantasias que tenha a ver com religião
Reprodução Instagram
Mesmo que seja como forma de 'homenagem' é bom evitar fantasias que tenha a ver com religião

Não precisamos prestar muita atenção para encontrar um ou outro fantasiado de Iemanjá, Exú, Jesus, entre outras entidades religiosas. A grande questão sobre estas fantasias é que as religiões as quais pertencem sofrem grande preconceito durante todo o ano. Chegar no carnaval e vesti-las para brincadeira é uma verdadeira ofensa às entidades e aos fiéis que seguem o credo. Quanto às religiões que não sofrem preconceito, continua errado. Afinal, brincar com algo respeitado por muitos não é legal.

Muçulmanos

Fantasias que remetem à culturas, nunca são uma boa pedida
Reprodução Instagram
Fantasias que remetem à culturas, nunca são uma boa pedida

Vestir-se de muçulmano ou homem-bomba, além de ser ofensa a uma nação, como os japoneses, é um sinal claro de desrespeito a cultura e a religião islâmica.

Mendigo

O humorista Carlinhos interpretou o Mendigo no programa
Divulgação Band
O humorista Carlinhos interpretou o Mendigo no programa "Pânico na Band"

Encarnar os moradores de rua para curtir a folia é criticamente insensato. A questão é um problema real. Quem vive na rua passa fome, necessidade e tem precariedade de recursos, sendo eles financeiros e higiênicos. Não há graça nenhuma neste problema social e satirizar isso para festejar é de extremo mau gosto.  

Gay

Marcos Caruso é responsável por interpretar o estereotipado Seu Peru
Pedro Curi/Globo
Marcos Caruso é responsável por interpretar o estereotipado Seu Peru

Vestir-se de gay caracteriza preconceito. Afinal, como diria a música dos Mamonas Assassinas:"Gay também é gente". A partir desse pressuposto, fica óbvio que não dá para se vestir de homossexual e tentar fazer isso é um grande desrespeito à minoria LGBT, que vem tentando conquistar igualdade de direitos e respeito há anos.

Feminista

O Movimento Feminista luta há anos por igualdade de gênero e tentar copiar as vestes das integrantes para o Carnaval é uma ofença às pessoas e a ideologia
Divulgação
O Movimento Feminista luta há anos por igualdade de gênero e tentar copiar as vestes das integrantes para o Carnaval é uma ofença às pessoas e a ideologia

Fingir ser feminista, utilizar símbolos em cartazes com intuito de satirizar ou tentar copiar as vestes de quem participa do movimento caracteriza desrespeito direto com quem luta pela igualdade de direitos. Das radicais as mais discretas, é de extremo mau gosto "vestir-se" de feminista e uma total falta de respeito com a causa.

Índio

Rodrigo Simas viveu um romance indígena na novela
Divulgação Globo
Rodrigo Simas viveu um romance indígena na novela "Novo Mundo"

A cultura indígena é bem diversa, politeísta e repleta de acessórios, penduricalhos, instrumentos e costumes. "vestir-se"de índio e ridicularizar toda uma cultura e seus fiéis. Cada pintura tem um significado e não levar isso a sério é desrespeito. Principalmente levando em conta que vivemos num país onde os indígenas têm cada vez menos espaço e sofrem cada vez mais com as invasões do homem branco e do governo em seu território.

Cangaceiro

Juliano Machado deu vida ao cangaceiro Carcará na minissérie
Divulgação Globo
Juliano Machado deu vida ao cangaceiro Carcará na minissérie "Entre Irmãs"

Os cangaceiros faziam parte de um grupo que vagava pelas cidades do nordeste brasileiro em busca de justiça e vingança pela falta de emprego, alimento e cidadania. Apesar de terem uma percepção paradoxa, por serem considerados criminosos e heróis ao mesmo tempo, tentar encarnar os cangaceiros é um desrespeito à cultura brasileira e aos nordestinos.

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Sabendo disso, evite o close errado no Carnaval. Vá de unicórnio, heróis, personagens fictícios, animais, invente! Se há uma coisa que não falta para nós brasileiros é a criatividade para contornar as situações e se divertir.

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