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Guillermo del Toro é diretor há mais de 20 anos e concorre ao Oscar de Melhor Diretor pela primeira vez. A premiação acontecerá em 4 de março

Com Guillermo del Toro concorrendo pelo seu primeiro Oscar de melhor diretor pelo filme "A Forma da Água", há quem lembre o Oscar de 2007, quando Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg presentearam a estatueta ao seu amigo, Martin Scorsese, pelo filme "Os Infiltrados". Porém, neste cenário, seriam os diretores mexicanos Alfonso Cuarón e Alejandro Iñárritu, já ganhadores pela Academia, quem apresentariam o prêmio para o conterrâneo. Produções bem-sucedidas que conquistaram a crítica, não somente por Cuarón e Iñárritu, mas também por del Toro, fazem com que este quadro seja possível.

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Guillermo Del Toro no set de
Divulgação
Guillermo Del Toro no set de "A Forma da Água"

Os três diretores, muitas vezes chamados de Los Três Amigos, não somente pelo fato de se conhecerem, mas pela sua nacionalidade comum, estão na vanguarda das produções de Hollywood e da tecnologia do cinema. Porém, talvez o aspecto mais comum nas obras dos três diretores é que seus filmes, muito longe de se limitarem a um cinema particular, são universais, agradando desde o público em geral até circuitos mais independentes.

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Este aspecto vai no sentido contrário de muitos diretores da América Latina, que tentaram definir suas vozes em oposição à indústria cinematográfica de Hollywood, como por exemplo o famoso Glauber Rocha ou Ruy Guerra no Brasil. Guillermo del Toro não está interessado em criar histórias que sejam limitadas por uma cultura e sociedade específicas, mas sim na criação de enredos que exploram o ser humano em geral, mesmo que para isto ele utilize elementos das mais diversas culturas humanas. Nas palavras de Iñárritu, o “cinema é universal”, e o conjunto da obra de del Toro mostra sua afinidade com este pensamento.

Guillermo del Toro no set de
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Guillermo del Toro no set de "A Colina Escarlate"

Claro, os tipos de longas que são produzidos pelos três diretores mostram sua cultura natal. No caso de del Toro, é o sucesso do realismo mágico (chamado por alguns de realismo fantástico) na América Latina que se faz presente em seus filmes. O realismo mágico é aquele gênero artístico que mistura a realidade com a fantasia. Na literatura, este estilo é fortemente veiculado com escritores latino-americanos como Miguel Angel Asturias, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez ou Isabel Allende, para citar alguns. O estilo viaja rapidamente e gera interesse em autores no mundo inteiro, como por exemplo as obras da americana Alice Hoffman.

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O gênero do realismo mágico também é espalhado para os mais diversos meios artísticos, como o cinema. É fácil notar sua presença em Hollywood e nas obras de del Toro, mesmo em seus primeiros filmes, como por exemplo em "A Espinha do Diabo". A sinopse deste deixa claro que se trata do estilo, onde Carlos, um menino de doze anos que vive durante a Guerra Civil Espanhola, é abandonado em um orfanato malcuidado. O garoto sofre violência pelos funcionários e pelas outras crianças até que o espírito de Santi, um menino que havia sido assassinado anteriormente, deixa a vida de Carlos ainda mais difícil.

As produções de del Toro sempre tem um viés realista e histórico que se vê inundado por magia e fantasia. No caso de "A Forma da Água", Elisa, uma funcionária muda, trabalha em um laboratório secreto em meio à guerra fria. Ela, então, conhece uma criatura aquática que é mantida prisioneira neste lugar, afim de ser potencialmente usada como arma. Porém, Elisa começa a se afeiçoar pela criatura, o que dá ao filme o seu conflito principal.

Iñarritu, Cuarón e del Toto: los tres amigos
Reprodução/Internet
Iñarritu, Cuarón e del Toto: los tres amigos

A história de "A Forma Da Água" faz do filme uma obra característica de del Toro e do gênero do realismo mágico. A conquista de Los Três Amigos, e também del Toro, não é o aperfeiçoamento do cinema mexicano que chega ao nível tecnológico de Hollywood, mas sim o aperfeiçoamento do cinema universal que tem dentro de si características de certos gêneros muito desenvolvidos na américa latina.

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Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro e artista de realidade virtual com Masters of Fine Arts pela University of Southern California e doutorando na University of California, em Santa Barbara, nos Estados Unidos. É membro do Directors Guild of America. Trabalhou ao lado de grandes nomes da indústria cinematográfica como Mark Jonathan Harris e Marsha Kinder em projetos com temas sociais importantes. Seu filme NanoEden, primeiro longa em realidade virtual em 3D, estreia em breve.

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