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Programa de humor da TV Quase, "Choque de Cultura" virou fenômeno e é um dos assuntos mais comentados da internet nas últimas semanas

O conceito a gente já conhece: um vídeo postado na internet que viraliza e cai na boca do povo. Assim surgem grandes sucessos da web. Alguns perduram, outros acabam caindo no esquecimento (quem aí se lembra do “Tapa na Pantera”?), mas as estrelas da internet têm seu lugar ao sol e algumas acabam fazendo até muito dinheiro com isso. Foi assim com o “Porta dos Fundos”, projeto idealizado, entre outros, por Antonio Tabet que já vinha de um sucesso on-line com o “Kibe Loco”, além de Fábio Porchat e Gregório Duvivier.

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Divulgação
"Choque de Cultura" é o novo fenômeno da internet, com os maiores nomes do transporte alternativo debatendo cinema

Agora, outro quadro de comédia parece estar tomando conta das redes, traçando um caminho semelhante ao “ Porta dos Fundos ”. Trata-se do “ Choque de Cultura ” atração da TV Quase e assunto do momento no Brasil (eles chegaram a entrar nos TT’s mundiais com o tema de um de seus vídeos).

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Daniel Furlan e Caito Mainier , ao lado de Juliano Enrico, desenvolvem diversos programas voltados ao humor, incluindo o Choque, que já está na sua “terceira temporada”. O primeiro episódio do “Choque de Cultura” é de novembro de 2016, mas de lá até agora o programa nem sempre foi consistente. Depois de novembro foi ao ar entre abril e maio de 2017 e retornou a partir de dezembro, com episódios semanais, além do “Choque lixo”, com as sobras que não são selecionadas para o episódio.

Os maiores nomes do transporte alternativo

Liderados por Rogerinho do Ingá (Caito Mainier), os motoristas de van fazem profundos comentários a respeito dos maiores temas da cultura, sempre voltados para o público jovem, claro. O grupo é completado por Renan (Daniel Furlan), Julinho (Leandro Ramos) e Maurílio (Raul Chequer). Fãs de “Velozes e Furiosos”, eles fazem diversos comentários pertinentes sobre a sétima arte (“só magia top”). Ao se referir ao longa “A Forma da Água”, por exemplo, Julinho explica que “quem tem aquário em casa vai gostar”. Apesar da estreia em 2016, foi só agora que eles caíram no gosto popular e só se fala nisso. As grosserias de Rogerinho e as confusões de Renan caíram no gosto das redes, que só fazem reproduzir memes do grupo.


Igual, mas diferente

Como parte da TV Quase, o “Choque de Cultura” é apenas um dos programas da casa, que ainda tem “O Último Programa da Mundo” e “Falha de Cobertura”, além da animação “Irmão do Jorel”. Mas foi o “Choque” que explodiu na internet, assim como o “Porta dos Fundos” fez. Na época, o grupo de Tabet, Porchat e Duvivier soube gerenciar sua marca e segue, até hoje, fazendo contratos publicitários e ganhando bem com isso. Apesar de serem comédias, as semelhanças entre os dois são poucas, mas será que o “Choque de Cultura” um dia pode tomar as proporções do “Porta”?

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Alcance

Com 13 milhões de inscritos, o “Porta dos Fundos” é um dos dez maiores canais do Youtube , e soma mais de 3 bilhões de visualizações em seus vídeos. Já o mais assistido do “Choque”, ( Marvel vs. DC ) que fica alocado em um portal de entretenimento, bateu a marca de 1 milhão recentemente. Para comparar, os vídeos anteriores tem cerca de metade de visualizações, o que mostra um crescimento rápido.


Piadas

Enquanto o Porta “atira para todos os lados”, o foco do Choque é só cinema. Isso não significa que ambos não se disponham a falar de temas capciosos, como religião e até política. Nesse quesito, os comentários do Choque são bem escassos, enquanto o Porta dos Fundos critica e é criticado.


O grupo, que sempre fez piada com casos de corrupção, seja entre políticos ou na polícia, também sofreu retaliações. Depois de fazer um vídeo fazendo piada com a prisão de Lula, eles foram duramente criticados na internet por “apoiarem o PT ”. A resposta? Um vídeo onde fingem assumir um esquema, receber milhões da Lei Rouanet e serem aliados de Dilma e Lula.

via GIPHY


No começo, porém, sem as amarras comerciais, o “Porta dos Fundos” tinha piadas mais anárquicas, enquanto hoje, apesar de seguir divertindo, apostam em temas menos “cabeludos”. O icônico “ Sobre a Mesa ”, que destila comentários pornográficos, já não teria espaço hoje, assim como os vídeos mais ácidos citando políticos. Ainda assim, com mais de 800 vídeos, cerca de dois por semana, o Porta é uma marca difícil de alcançar. Por se tratar só de cinema, mesmo fazendo piadas, o “Choque de Cultura” não tem a mesma abrangência.

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Claro que, nos próximos meses, podemos ver os personagens do Choque em publicidade , dada a popularidade atual e, com o ótimo roteiro e sacadas rápidas dos atores, o programa tem tudo para se manter vivo por muito tempo. Porém, o “ Porta dos Fundos " é um fenômeno singular, ainda mais considerando que se trata de um grupo e não um artista solo (como acontece com a maioria dos que prosperam no Youtube), e dificilmente será batido. Ainda assim, a sorte é nossa, que pode rir com os dois.

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