Política , despertar sexual, dramas sobre amadurecimento e biografias . Alguns temas são tão recorrentes no cinema que acabam tendo lugar garantido no Oscar. Na última década , apesar da variedade de temas que se destacaram na premiação, alguns tiveram mais representação ao longo dos anos.

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Biografias são sempre fortes concorrentes no Oscar, tanto como Melhor Filme como nas categorias de atuação

O primeiro Oscar da década, em 2011, premiou o “ Discurso do Rei ” como o Melhor Filme de 2010. O filme é um exemplo do que seria uma tendência na década: biografias. O filme conta a história do Rei George VI, que assumiu o trono depois da desistência do irmão e teve que lutar contra uma gagueira crônica. O filme mistura uma história de superação com o clima europeu durante a 2ª Guerra Mundial. A premissa se repetiria outras vezes, como em “O Jogo da Imitação”, “Cavalo de Guerra” e “Até o Último Homem”. Excluindo-se o fator de conflito, outras biografias também se destacaram. Em 2011, além da história do Rei da Inglaterra, também foi retratada a superação de Robbers Rosst, que ficou preso em uma pedra no Grand Cânion, em “127 Horas”, além da criação do Facebook por Mark Zuckerberg em “A Rede Social”.

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Ao longo da última década, porém, muitos outros nomes que marcaram a história ganharam um retrato que acabou lembrado pela academia: Stephen Hawking em “A Teoria de Tudo”, Abraham Lincoln em “Lincoln”, Jackie Kennedy em “ Jackie ”, Martin Luther King em “ Selma ”, e esse ano Winston Churchill em “O Destino de Uma nação” e Kay Graham em “The Post”. Outras histórias inspiradoras também tiveram sua chance, como em “Joy” e “O Clube de Compra de Dallas”.

Hollywood por Hollywood

Embora não tenha sido o destaque da década, dois filmes que tratam sobre Hollywood se destacaram: “O Artista” foi muito celebrado em 2012 e acabou eleito o Melhor Filme no ano, enquanto “ La La Land ” arrebatou a academia em 2017 e quase, quase mesmo, ficou com a principal estatueta, mas perdeu de última hora para “Moonlight”. Os dois filmes, além de serem musicais, tem em comum a exaltação de Hollywood e a batalha para ressaltar nesse meio que pode ser cruel com quem vive o sonho de se tornar um artista.

EUA posto à prova

Guerra, seja ela recente ou antiga, acabada ou em andamento, costuma gerar boas histórias. “ Argo ”, que relata o resgate de um grupo de reféns no Irã pela CIA ganhou o prêmio em 2013, anunciado pela então primeira-dama americana Michelle Obama, que entrou em um link ao vivo. No mesmo ano, outro indicado era “ A Hora Mais Escura ”, sobre a descoberta e captura de Osama Bin Laden. Já “Sniper Americano” foca na história de um só militar, o atirador de elite mais letal dos EUA.

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Mas, além de relatar as instituições militares e de defesa americana, alguns filmes optam por analisar o país como sociedade. “O Vencedor” é um belo retrato do interior americano, e como o esporte pode ser a única saída de um ambiente de pobreza, drogas e criminalidade. “Indomável Sonhadora” também retrata a pobreza e miséria na Louisiana, focando na história da pequena Hushpuppy. “ O Lobo de Wall Street ” também retrata um lado da cultura americana, porém bem mais glamuroso: a da bolsa de valores e os muito corretores que enriqueceram ilicitamente em Wall Street nos anos 1990. “ A Grande Aposta ” também analisa um momento importante da história contemporânea dos EUA: a crise financeira de 2006 e 2007, que resultou na falência de diversos bancos.

A situação do negro nos EUA

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A situação do negro americano também é destaque nas premiações

Em 2015 a cerimônia do Oscar que premiou “Birdman” sofreu duras críticas pela falta de representantes negros em todas as categorias. Com exceção de “Selma”, nenhum filme tinha negros entre o elenco principal ou na equipe. O alerta foi ouvido e as coisas melhoraram nos últimos anos, mas a disparidade entre brancos e negros no prêmio continua grande. Talvez por isso filmes com a temática negra acabam se sobressaindo. O principal deles foi “ 12 Anos de Escravidão ” em 2014, que saiu com o troféu. O filme de Steve McQueen contava a história de Solomon Northup, um escravo liberto que é vendido ilegalmente e passa a trabalhar em plantações. Antes disso, “Histórias Cruzadas” emocionou com as histórias de diversas empregadas negras nos EUA dos anos 1960. “ Django Livre ” seguiu a temática da escravidão em 2013 e o já citado “Selma”, dirigido por Ava DuVernay foca em MLK. Em 2017 o cenário foi mais positivo em termos de história: a luta negra por igualdade continuou a ser retratada, mas dessa vez em uma luz mais positiva, contando a história de três cientistas negras americanas que lutam por seu espaço na Nasa em “ Estrelas Além do Tempo ”.

Homossexualidade em pauta

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Se antes os filmes que se destacavam na temática homossexual eram como “Filadélfia”, a última década mostrou mais amadurecimento em relação ao tema. “ Minhas Mães e Meu Pai ” focou no conflito familiar e, além da indicação a Melhor Filme, ficou também com ator e atriz coadjuvantes. Nos últimos anos, o tema foi tratado como tabu ou apenas como pano de fundo para diversos filmes. “Carol”, “Clube de Compras de Dallas” e “Toda Forma de Amor” são exemplos, embora o último não tenha sido indicado a Melhor Filme. Ainda assim, Christopher Plummer ganhou o Oscar de Melhor Ator coadjuvante pelo papel do homem que decidiu “sair do armário” na terceira idade, ao descobrir um câncer. Esse ano, “ Me Chame Pelo Seu Nome ” segue essa premissa, mostrando uma década onde filmes com histórias sobre pessoas gay são representadas “quebrando as barreiras” do estigma e focando no que elas realmente são: histórias de amor, de trabalho, de superação, etc.

Mais recentemente, “ Moonlight ” explorou a temática, de maneira brilhante, misturando o tema com outros citados acima, como a situação do negro na periferia e mais um tema bastante abordado nos filmes da última década: o despertar da infância para a adolescência. Dividido em três fases, o filme mostra a história de um jovem da periferia de Miami, que enfrenta seu despertar sexual ao mesmo tempo em que cresce em um ambiente hostil, em meio a drogas e violência. “Brooklyn” também faz um belo trabalho ao mostrar esse período de transição de uma menina que, depois de completar a escola na Irlanda, vai aos EUA para tentar uma vida melhor e fica dividida entre sua casa e o novo País. Um filme que levou esse conceito até as últimas consequências, no entanto foi “Boyhood”. Filmado ao longo de 12 anos por Richard Linklater. Sendo assim, acompanhamos a vida de Mason de criança até sua chegada na faculdade, passando por conflitos da juventude, a relação com o pai, os namorados da mãe, os amores e tudo o mais.  

Esse ano, a temática volta ao Oscar com “ Lady Bird ”, de Greta Gerwig. O filme protagonizado por Saoirse Ronan também mostra a transição da adolescência para o início da fase adulta, e os dilemas e dificuldades que vem com esse período efervescente. Mas, mesmo tratando de temas comuns, esses filmes os exploraram de maneiras distintas, sob olhares e perspectivas novas, o que faz com que essas temáticas, mesmo repetidas, não estejam gastas ou cansadas.

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