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Em artigo para jornal, autora de “O Conto da Aia” se chama de má feminista e questiona o ato de fazer justiça com as próprias mãos

Margaret Atwood publicou um artigo no jornal canadense “The Globe and Mail” onde comenta sobre seu papel como feminista e questiona o movimento “ Me Too ”, e seus desdobramentos futuros. “Parece que agora estou conduzindo uma Guerra às Mulheres, como a misógina, facilitadora de estupros e má feminista que sou”, ironizou a escritora no texto.

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Margaret Atwood gerou debate ao criticar movimento
Divulgação
Margaret Atwood gerou debate ao criticar movimento "Me Too" e acusá-lo de fazer "caça às bruxas"

Ela comentou que já foi chamada de muitas coisas ao longo de sua carreira e, no momento, ela entra na lista das “ más feministas ”. Margaret Atwood aproveitou para criticar o movimento “Me Too”, onde diversas atrizes têm apoiado umas as outras ao confessar casos de assédio que já sofreram em Hollywood . Para ela a iniciativa é válida, porém sintoma de uma justiça falida. Para ela, o movimento é importante pois, por muito tempo, mulheres não eram ouvidas, até que descobriram, por meio da internet, uma nova maneira de se fazer notadas e levadas a sério. “Isso tem sido muito eficiente, além de ser visto como um alerta. Mas o que vem a seguir?”. Para ela, esse “despertar” na internet se transformou em uma espécie de caça as bruxas no sentido mais literal possível: no período, quem era acusado era automaticamente culpado.  

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E é justamente esse aspecto de “vigilante” que Atwood critica. “A justiça vigilante – condenar sem julgamento – começa como uma resposta para a falta de justiça, então as pessoas a fazem com suas próprias mãos”, comenta. Para ela, se esse tipo de “justiça com as próprias mãos” está se tornando um linchamento, onde “poderes extralegais são colocadas em vigor e mantidas”.

Recepção

As palavras de Atwood dividiram opiniões. Uma das críticas feitas foi relacionada ao termo “má feminista”, popularizado pela também escritora Roxane Gay , que inclusive escreveu um livro com o termo. Apesar de não ser “dona” do termo, ele é largamente relacionado à Gay, o que fez algumas pessoas criticaram a afalta de menção a ela no texto de Atwood.

Além disso, algumas mulheres a criticaram por justamente dividir as mulheres, coisa que o texto dela diz que não deveria acontecer. Ao se declarar uma “má feminista”, ela questiona as ações das “boas feministas”, e cria uma divisão que muito acreditaram não ser eficiente.

Na verdade, Margaret, com todo o respeito, não foi isso que eu quis dizer com “má feminista”.

No Twitter, Atwood respondeu muitos comentários de pessoas descontentes com seu texto. Ela disse que é importante ler/ouvir outras opiniões, mesmo que contrárias as suas. Por fim, ela desabafou: “desculpe por falhar tanto com o mundo em relação a igualdade de gênero. Talvez eu deva parar de tentar? Vou voltar depois (Próxima encarnação, quem sabe?)”.

Margaret Atwood é autora, entre outras coisas, de “ O Conto da Aia ”, ficação que desdobra as consequências de um mundo distópico onde homens controlam o corpo das mulheres. O é livro de 1985, mas virou série em 2017 e se tornou um dos programas mais comentados e celebrados do ano.

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