Sandra Garcia, a protagonista do livro "O Lado Escuro da Madrugada", escrito por Roberto Giacundino (Editora Pandorga, 2017), é uma jornalista investigativa que ficou famosa por séries de reportagens investigativas que fez ao redor do mundo. Determinada e destemida, ela não se deixa assombrar com as cenas de barbárie que já presenciou - no entanto, é perturbada há mais de uma década pelos fantasmas de seu passado.

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"O Lado Escuro da Madrugada" tem boa premissa, mas a narrativa deixa a desejar e se torna enfadonha

Como Sandra já passou por muitas experiências quando era correspondente internacional, ela já tem mais experiência que colegas de profissão que já trabalham há muito tempo no ramo. Na noite de uma importante premiação da área de comunicação, Evandro, um dos melhores amigos da jornalista é brutalmente assassinado dentro do Theatro Municipal. O mote da história tem de tudo para tornar "O Lado Escuro da Madrugada" um bom livro, exceto por uma coisa...

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Apesar de ter uma boa premissa, o que não torna esse livro um dos melhores de suspense do ano é a forma como a narrativa é construída. O autor trabalha com uma lingua ora rebuscada, ora tatibitabi, explicando tudo de forma mais detalhada que o necessário e deixando pouco para que o leitor desvende. Isso faz com que a narrativa fique mais lenta e mais enfadonha do que, de fato, precisa ser.

Além disso, há um excesso de explicações sobre o passado de Sandra - que, embora explique os fantasmas de seu passado, que continuam a assombrando há mais de uma década, não são exatamente necessárias para seu desfecho. Outro ponto bastante irritante é a incompetência da polícia no livro, que não enxerga o óbvio e deixa muita coisa passar despercebido.

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"O Lado Escuro da Madrugada" até tem alguns pontos bons, como o final (e não só porque o livro finalmente acaba), mas pela surpresa de descobrir quem é o assassino e todos os motivos pelos quais Evandro poderia ter sido morto, já que ele esconde um passado cheio de segredos e bastante controverso. A obra tinha tudo para ser o livro de suspense policial mais incrível do ano, mas a construção da narrativa não colabora e, apesar de empolgar com alguns pontos-chave, não impressiona.

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