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Filme independente americano extrapola senso comum e correção política e entrega uma história cheia de verdade, energia e coração sobre a música como sonho e instrumento de ascendência social. Leia a crítica

Cena de
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Cena de "Patti Cake$", que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros

De vez em quando um filme nos pega pelo cangote e nos domina por inteiro. A figura de linguagem pode parecer extrema e deslocada, mas é condizente com a energia que “Patti Cake$”, primeiro filme de Geremy Jasper , ostenta e não é por acaso que o filme sobre uma aspirante a rapper refém de preconceitos e do determinismo social fisga o expectador com força e coração.

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Jasper vem da música. Ele já dirigiu clipes para Selena Gomez e Florence + The Machine  e compôs grande parte das músicas que surgem em “Patti Cake$” , um filme que por vezes lembra o excepcional “8 Mile – Rua das Ilusões” (2002), mas que respira sozinho e apresenta personagens maiores do que a vida, como Barb (Bridget Everett), uma quarentona frustrada com a carreira de cantora que não decolou que explora financeiramente a filha Patti (Danielle MacDonald), enquanto estabelece com ela uma desgastante relação de rivalidade.

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O filme é produzido pela RF Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira
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O filme é produzido pela RF Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira

“Patti Cake$”, tal como sua protagonista, precisa evitar certas armadilhas. Afinal, trata-se de um filme sobre uma garota branca perseguindo a glória no hip hop. As queixas de apropriação cultural estavam ali na esquina, mas Jasper injeta muita verdade no registro e conta com um elenco naturalista para alça-lo ao patamar de arte bruta, irrestrita e urgente.

Patti é gorda, desprezada pela mãe, pobre e única figura feminina em um ambiente extremamente machista. A verdade da personagem extrapola qualquer limite que queiram transferir para o filme e o trabalho da atriz é de uma grandeza absurda. MacDonald encanta nos momentos mais minimalistas e é pura fúria quando precisa colocar seu coração nos raps improvisados.  Trata-se de uma personagem resiliente e cativante e a relação dela com um mundo hostil é uma das grandes forças da produção.

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O longa foi exibido nos festivais SXSW, Sundance e Rio e na última semana recebeu nomeação ao Spirit Awards, premiação do cinema independente americano, como melhor primeiro filme. Trata-se de uma obra pulsante, contagiante e frequentemente emocionante. O grande trunfo de “Patti Cake$” é exibir com crueza a crueldade social, mas fazê-lo com um olhar tenro e gentil. É um filme sobre sonhadores feito por quem ainda acredita que sonhar vale a pena e que atinge em cheio aqueles que comungam dessa percepção.

Confira cena exclusiva de "PattiCake$"


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