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Coprodução entre Argentina e Brasil chega aos cinemas do País nesta quinta-feira (23) e com sutileza e sensibilidade relativiza percepção de fracasso

A aproximação entre o cinema da Argentina e do Brasil atingiu um patamar de excelência entusiasmante em 2017 do qual fazem parte filmes como “Invisível”, “Vergel” e este “Ninguém Está Olhando”, indiscutivelmente o mais denso, complexo e satisfatório dessa bem-vinda relação cinematográfica.

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Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "Ninguém Está Olhando", que estreia nesta quinta-feira (23)nos cinemas brasileiros

Dirigido pela argentina Julia Solomonoff , “Ninguém Está Olhando” acompanha a vida do ator Nico, interpretado com incrível energia e revigorada sutileza por Guillermo Pfening , que após o término de uma relação amorosa muda-se para Nova York em busca de novas oportunidades. Nico era relativamente um astro da TV argentina, mas a relação conflituosa com seu primo, produtor e amante o fez desistir da série que estrelava e partir para os EUA com o sonho de estrelar um filme sobre imigrantes que desenvolve junto a um amigo.

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Mas essa terra dos sonhos por vezes é amarga e o projeto demora a sair do papel. Nico precisa se virar. Bicos em restaurantes aqui, uma ajuda a uma amiga argentina que precisa de alguém que cuide de seu filho ali, e o trintão vai se virando até o filme acontecer, ou seu visto expirar.

Solomonoff oferta tanto um conto sobre solidão como uma crônica sobre a percepção do fracasso em uma esfera profundamente íntima e individual. Quando Nico decide tentar a sorte em testes de elenco, foge do estereótipo latino que lhe valeria alguns papeis, mas também não tem o inglês sem sotaque que papeis “americanos ou europeus” pediriam.

Julia Solomonoff orienta seus atores nos sets de
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Julia Solomonoff orienta seus atores nos sets de "Ninguém Está Olhando"

As ideias de sonhos desajustados, de resistência, mas também de desorientação emocional estão muito bem fundamentadas em um texto muito sensível e reverberante. Solomonoff com os préstimos da roteirista Christina Lazaridi faz da fragilidade emocional do protagonista um catalisador de muitas ações e reações que vemos nu curso do longa.

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O filme chega ao circuito comercial tarimbado pelos festivais de Tribeca, onde ganhou o prêmio de melhor ator, Rio de Janeiro e com prêmio máximo conquistado no Cine Ceará. De verve introspectiva e tangenciando Nova York como uma Babel moderna, “Ninguém Está Olhando” se notabiliza por certa melancolia que acompanha a jornada de amadurecimento do protagonista. Um filme de muitas e reminiscentes belezas.

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