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"Crer ou Não Crer" apresenta um diálogo respeitoso entre o padre Fábio de Melo e o historiador ateu Leandro Karnal sobre história, religião e sociedade

Fazendo um trocadilho com a célebre frase da peça " Hamlet ", de Shakespeare , o livro "Crer ou Não Crer" (Editora Planeta, 2017, 192 páginas) traz a tona um dos debates mais conflitantes de todos os tempos: afinal, Deus existe? O historiador ateu Leandro Karnal e o católico Padre Fábio de Melo discorrem sobre o tema sem meias palavras.

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Reprodução/Youtube
"Crer ou Não Crer" traz à tona um dos debates mais importantes da história da humanidade: afinal, Deus existe?

Contudo, o que surpreende em " Crer ou Não Crer " é a forma como esse debate entre dois universos distintos é feita. Ao invés de ser uma discussão entre dois fanáticos que defendem seu ponto de vista a qualquer preço, o que se encontra nas sete partes da obra é uma conversa amigável entre dois estudiosos, com referências científicas e literárias. Há ainda o prefácio de Mário Sérgio Cortella, que capta a essência da obra em poucas palavras.

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O leitor também é convidado a conhecer um pouco mais da vida de cada um dos autores: a infância pobre de Padre Fábio na cidade de Formiga, interior de Minas Gerais, e a vida de seminarista de Karnal quando ele ainda acreditava na existência divina. Enquanto Padre Fábio é a atualização da Igreja Católica, que não desobriga o homem de fazer o que lhe cabe, Karnal traz a simbologia católica reinterpretada, em uma crítica sutil (porém, ácida) à espera cega que algumas pessoas têm na "divina providência".

Religião e história

O historiador também ressalta, o tempo inteiro, a importância do papel da fé na construção do homem moderno, ao longo da história da humanidade. A obra também abre espaço para diversos questionamentos como a diferença entre ser católico e ser cristão e a eterna pergunta sobre o que há "do outro lado".  Como padre, o católico explica que não tem todas as respostas e também faz críticas àqueles fiéis que não cumprem seu papel social, acreditando que basta frequentar a missa e todos os pecados serão perdoados.

Há ainda a questão sobre como o inferno sempre foi introduzido nas religiões como forma de controlar os seguidores, empregando a imagem de um Deus punitivo e mercador, que negocia favores e milagres tal qual o dono de uma loja de penhores, às custas de sacrifícios dos fiéis. Com uma visão mais realística, Padre Fábio e Karnal debatem sobre a importância do Paraíso na vida das pessoas, que as consola para o fato de que irão morrer, mas continuarão vivas em outro lugar - sem lidar com o fato de que deixarão de existir de forma permanente.

Quem é quem?

Em certo ponto do livro, o leitor pode até se confundir nas crenças de cada um. Padre Fábio demonstra-se desacreditado da fé que se pratica largamente nos cultos religiosos, enquanto Karnal demonstra um profundo respeito e encantamento pela vida religiosa e pelo seu caráter transformador na vida do ser humano desde os tempos mais remotos. Contudo, esse é um momento passageiro no livro e não incomoda quem o lê.

Não se trata de um livro para converter ateus ou acabar com a fé de cristãos. Mas sim, um debate argumentativo e muito rico entre dois estudiosos - que não é, de forma alguma, massante -, que os transforma de maneira profunda. Tanto é que Padre Fábio termina sua participação na discussão com "quem não tem a Deus, que tenha Platão", ao que Karnal replica com "Amém".

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"Crer ou Não Crer" é um debate respeitoso entre dois universos diferentes, em que o leitor só tem a ganhar apropriando-se dessa discussão, que ocorre ao longo das 192 páginas do livro. Não somente aqueles que se encontram em um momento de confusão religiosa, entre o ateísmo e a fé, como aqueles que se apoiam na religião para resolver os problemas do dia-a-dia.

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