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Filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (26) e tem o astro francês Louis Garrel na pele do genioso e genial cineasta francês; confira a crítica do iG

O francês Michel Hazanavicius não é exatamente um diretor brilhante. Apesar do Oscar de direção por “ O Artista ” (2011), apenas seu quarto longa-metragem, é natural a suspeita e hesitação com que “O Formidável” (2017), seu sétimo filme, foi recebido no último festival de Cannes , onde ele virou figura contumaz justamente desde “O Artista”.

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Cena de O Formidável, que estreia nesta quinta-feira (26), nos cinemas brasileiros
Divulgação
Cena de O Formidável, que estreia nesta quinta-feira (26), nos cinemas brasileiros

O Formidável ”, Le Redoutable no original, afinal, trata de Jean-Luc Godard , para todos os efeitos, uma instituição francesa. O precursor da Nouvelle Vague e um dos pensadores do cinema mais problematizados de nosso tempo. O filme cobre do período em que o cineasta filmava “A Chinesa”, aos protestos de maio do ano seguinte, cujos ideais maoistas o diretor se aproximou justamente durante as filmagens de “A Chinesa”, quando também se apaixonou e se casou com Anne Wiazemsky, que morreu aos 70 anos no último dia 5 de outubro e que aqui é vivida pela atriz Stacy Martin (“Ninfomaníaca”).

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Reprodução
"O Formidável" estreia em 26 de outubro

O ponto de vista adotado é o de Anne que no começo da relação só conhece o cineasta festejado, provocador, inteligente e cheio de ideias e aos poucos vai tomando conhecimento do artista inseguro, do homem ciumento e carente. O Godard de Hazanavicius não é o gênio que biografias solenes costumam ofertar, mas o filme não tem nada de solene e talvez não seja exatamente biográfico.

O viés é extremamente satírico como entregam algumas cenas. Em uma delas, o diretor brinca com o fetiche de certos realizadores em desnudar seus atores. Em outra, sobre como atores são reféns dos diretores. “Você manda um ator ficar de quatro e ele fica”. “O Formidável” é um grande exercício de metalinguagem sobre o cinema a partir de um momento capital da carreira de um de seus grandes estetas.

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Há mimos para os cinéfilos hardcore. Umas piadinhas com Truffaut ali, uma participação de Bertollucci acolá e aos poucos vamos vendo que o refém em questão é justamente Godard, seduzido pelo movimento proletariado, mas essencialmente um burguês, o cineasta definha emocional e intelectualmente ao olhar sempre agudo de Hazanavicius que, com seu formidável epílogo, não só humaniza um protagonista frequentemente repulsivo, como justifica sua ousadia de abordar Godard em nome da livre manifestação artística.

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