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"Sex and the City" acabou há quase 15 anos, mas mudou para sempre a forma como os seriados retratam aspectos da vida e a sexualidade feminina

"Sex and the City" trouxe a história de quatro amigas para a TV : Carrie , Miranda , Samantha e Charlotte . Posteriormente, a saga das amigas transformou-se em dois filmes de sucesso e um spin-off, a série " The Carrie Diaries ", que contava a história da adolescência de uma das protagonistas logo que ela arruma seu primeiro emprego em Nova York.

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"Sex and The City" revolucionou o modo como as produtoras veem as séries

" Sex and the City " revolucionou diversos aspectos dos seriados que haviam sido produzidos até então. Desde cuidados maiores com a estética e com o roteiro até a compra de linhas telefônicas exclusivas para evitar o clichê "555", os detalhes da produção do seriado garantiram seu sucesso até os dias atuais.

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Além disso, também apresentou mulheres fortes, independentes e bem sucedidas - que chegaram a ser capa da revista Time nos anos 2000, com o título "Quem precisa de marido?". Carrie Bradshaw, vivida por Sarah Jessica Parker e uma das protagonistas, é o maior expoente desse modo de pensar as mulheres nos produtos de entretenimento que surgiu com a série.

Observando todas as temporadas da série com um olhar mais atento, é possível notar que não há sequer um episódio que não tenha abordado um assunto polêmico para a época. Apenas para citar alguns: sexo oral, sexo anal, vibradores, anticoncepcionais, relações homoafetivas, masturbação e sexo casual.

Com essa postura mais libertária, a série também quebrou alguns estigmas sociais em relação às mulheres, como o sexo casual, por exemplo. Ao longo da história, Samantha se mostra uma verdadeira adepta às relações sexuais casuais, e explica para as amigas a diferença entre "fazer amor" e "fazer sexo" - quase como se estivesse assumindo o "papel do homem" nas séries de TV. 

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"Sex and the City" discutiu temas polêmicos ligados à sexualidade para quebrar tabus

Hoje, obviamente, falar sobre o sexo em programas de televisão não é mais um tabu tão grande. Contudo, deve-se enxergar o contexto em que a série foi exibida originalmente. Há quase duas décadas atrás, falar abertamente sobre orgasmos ou sobre o tamanho do pênis em um seriado era visto como uma ousadia. Afinal, qual fã da série não se lembra da cena em que Carrie, Miranda e Charlotte invadem o apartamento da amiga para libertá-la do rabbit, apetrecho sexual em que ela estava viciada? A homossexualidade também foi abordada de maneira polêmica para a época, como a cena em que Samantha examina sua vagina através de um espelho para aprender a fazer sexo oral com maestria na única namorada de sua vida.

Já Carrie Bradshaw tirou o papel de "donzela que precisa ser resgatada" das telas da TV. Independente, ela paga seu aluguel em dia - apesar de estar sempre com o cartão de crédito estourado -, não costuma aceitar a ajuda de homens para pagar suas contas. A protagonista, inclusive, se surpreendeu e se envergonhou quando acordou após dormir com um homem e perceber que, na manhã seguinte, ele deixou cem doláres ao lado de sua cama.

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A Sexy and the City ajudou a tornar a HBO uma grife e virou símbolo de um movimento de empoderamento feminino
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A Sexy and the City ajudou a tornar a HBO uma grife e virou símbolo de um movimento de empoderamento feminino

Lançada em 1998, "Sex and the City" foi o grande alento para a geração de mulheres pós-queima de sutiãs, que buscavam libertar-se das obrigações do lar, mas sem lançarem-se irremediavelmente no mercado de trabalho. Isso porque a série trouxe mulheres fortes, que pagam suas próprias contas, buscam o amor de suas vidas e não se envergonham em gastarem pequenas (e grandes) fortunas em um par de sapatos ou no vestido ideal para um encontro. E, indiscutivelmente, todas as séries pensadas para o público feminino que vieram depois incorporaram essa dialética, passando a afirmar a mulher como um ser que tem desejo sexual - e não apenas que vive para buscar o amor perfeito.

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