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As principais soluções para atender à medida inclusiva serão mostradas na Expocine, a maior exposição sobre o mercado do cinema na América Latina

Em novembro deste ano, os cinemas brasileiros darão início, oficialmente, a uma corrida para oferecer conteúdo acessível em formato de audiodescrição, legenda closed caption e LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) a deficientes auditivos e visuais em todos os seus complexos até o final de 2018. A obrigatoriedade é fruto da Instrução Normativa 128/2016, da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

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Expocine mostrará novas tecnologias que tornarão os cinemas do Brasil mais inclusivos
Daniel Iglesias - 1.8.2011
Expocine mostrará novas tecnologias que tornarão os cinemas do Brasil mais inclusivos

As principais soluções criadas com este objetivo estarão expostas na Expocine – maior exposição voltada ao mercado do cinema na América Latina e segunda maior do mundo -, entre os próximos dias 27 e 29 de setembro no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

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De acordo com Marcelo Lima, diretor da Expocine, colocar a medida inclusiva em prática foi um enorme desafio. “O mercado precisou se movimentar para criar tecnologias capazes de incluir os cegos e surdos nestes espaços, mas sem interferir na experiência dos demais espectadores. Foi um desafio muito grande e cujas soluções encontradas tornaram o Brasil referência mundial em acessibilidade de conteúdo nos cinemas”, declara.

Durante a Expocine, algumas das novas tecnologias que oferecem audiodescrição em tempo real serão mostradas ao público. Entre elas, dispositivos de poltronas para o espectador ler as legendas closed caption, óculos eletrônicos que exibem nas lentes a imagem do intérprete ou o texto das legendas, aplicativos de celular que amplificam o áudio do filme e mais.

Uma via de mão dupla

Para o diretor da Expocine, os cinemas também tendem a se beneficiar dessa mudança na legislação a médio e longo prazos à medida que se abrem para um público de cerca de 7,2 milhões de deficientes visuais e 2,2 milhões auditivos, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Porém, o curto prazo para se adaptar à obrigatoriedade e a falta de apoio financeiro do governo federal têm causado preocupação às redes de cinema do País. “Trata-se de uma mudança que gerará um alto custo e nem todas as redes estão preparadas financeiramente para isso, sobretudo as pequenas e médias. Ainda mais após o alto gasto com a digitalização de seus cinemas cinemas”, explica Marcelo Lima.

A nova lei

A Ancine divulgou, em setembro do ano passado, a Instrução Normativa 128/2016, que dispõe sobre as normas gerais e critérios básicos de acessibilidade visual e auditiva a serem observados nos segmentos de distribuição e exibição cinematográfica.

Trata-se de um complemento à IN 116, de 2014, publicada com este mesmo objetivo. De acordo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, as salas de cinema deveriam se adaptar até 2020 para atender ao público com deficiências auditiva e visual.