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O projeto de seu fundador, Roberto Medina, foi recusado diversas vezes por ser considerado totalmente impossível, mas o Rock in Rio já nasceu reescrevendo a história dos festivais de música no Brasil e no mundo

Há mais de 30 anos o Rock in Rio é um dos principais festivais de música do todo o mundo. Grandioso e imponente desde que nasceu em 1985, sua primeira edição é quase um acontecimento histórico no aspecto cultural brasileiro e até hoje é lembrada com saudosismo pelos amantes de música. Com números na casa dos milhões, a história do Rock in Rio começou com uma ideia ousada e ambiciosa do publicitário Roberto Medina e hoje caminha com vida própria com o desafio de manter sua identidade a cada edição.

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Com uma ideia ambiciosa, Rock in Rio se tornou um fenômeno cultural que hoje já se espalha por vários países
Reprodução
Com uma ideia ambiciosa, Rock in Rio se tornou um fenômeno cultural que hoje já se espalha por vários países


Nascimento

Assim como quase todos os eventos de música, o Rock in Rio nasceu no lendário festival de Woodstock, que revolucionou as bases estruturais desse setor. Durante dois anos Roberto Medina , idealizador do festival, cultivou e amadureceu seu projeto de reproduzir aquele espetáculo cultural no Brasil em um momento em que o país estava totalmente fora da rota internacional de show. Tentando a sorte nos Estados Unidos para conseguir concretizar enfim a primeira edição do Rock in Rio, Medina colecionou negativas de empresários e investidores que desacreditavam sua visão, dizendo que algo com essa proporção já seria impensável por lá, e que, portanto, no Brasil aquilo seria totalmente impossível.

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Quando recebeu sinal verde para prosseguir, o publicitário conseguiu fechar contratos com alguns dos nomes mais importantes do rock mundial – e desde o princípio ele sabia que isso era fundamental para o sucesso do festival. Assim, mirando em uma realização impossível com assistência de outros profissionais de mercado, Medina conseguiu o que ninguém jamais havia conseguido: importar gigantes da música, como Queen e AC/DC, para se apresentarem em terras tupiniquins.

Público na edição de 1985 de Rock in Rio na Cidade do Rock
Reprodução
Público na edição de 1985 de Rock in Rio na Cidade do Rock

É fato que o momento conspirava a seu favor para que tivesse êxito. Há 30 anos quase nenhuma banda fazia turnê pela América do Sul, muito menos no Brasil – e muito menos todas reunidas em dez dias de um megaevento que se tornou uma Meeca do rock instantaneamente. Se por um lado os fãs brasileiros puderam viver uma experiência única e histórica, por outro lado é preciso entender que o Rock in Rio foi um produto criado pelas oportunidades que aquela fase do país abria para ele.

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A redemocratização do país ainda era recente, o período da ditadura militar havia caído há pouco, o movimento "Diretas Já" levou mais de um milhão e meio de pessoas nas ruas que reinvindicavam eleições diretas para presidente  – que acabou parcialmente frustrado, quando Tancredo Neves fora eleito indiretamente pelo colégio eleitoral, mas a excitação com o futuro da sociedade permaneceu viva. Ainda em um paralelo com Woodstock, a juventude estava em polvorosa e um festival de rock seria a festa ideal para coroar a vitória da democracia. Assim, com a fórmula perfeita em mãos, um grupo de artistas de elite somado a milhares de pessoas ávidas pela revolução , o Rock in Rio explodiu: em dez dias foram mais de 1,4 milhões de pessoas reunidas na Cidade do Rock, espaço construído especialmente para abrigar um evento dessa proporção.

Um império e seus riscos

Há muito tempo que o Rock in Rio deixou de representar um evento de música no Rio de Janeiro. Virou marca, foi exportado para três países e acumula um saldo positivo invejável em qualquer mercado. Em 17 edições já foram registradas mais 8,5 milhões de pessoas – e com mais duas edições já agendadas em 2017 e 2019, o número ainda aumentará muito – com um total de 1588 artistas no cast. Tudo sobre o Rock in Rio é grandioso: a estrutura monumental que é montada a cada nova versão do festival, os ingressos que se esgotam em horas e os nomes de peso mundial são algumas das coisas que caracterizam o espetáculo, mas que também pode custar sua ruína. Apesar da solidez, erguer um festival com essas proporções e que mantenha-se relevante – e rentável – é um desafio enorme para a sua organização.