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Série da Netflix estreia 3ª temporada no dia 1º de setembro e mostra as transformações na guerra às drogas após a queda de Escobar

Após a morte de Pablo Escobar ( Wagner Moura ) e com mais duas temporadas confirmadas, ficou claro que “Narcos” precisaria se reinventar no terceiro ano. O foco já fora ensejado no fim do segundo. Com a derrocada do barão de Medellín, as atenções se voltariam para Cali. Diferentemente de Escobar, os irmãos Rodrigues não são afeitos ao estardalhaço e preferem operar nas sombras.

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Narcos se reinventa após morte de Escobar e chega a 3ª temporada com novo fôlego
Divulgação/Netflix
Narcos se reinventa após morte de Escobar e chega a 3ª temporada com novo fôlego

O terceiro ano de “ Narcos ”, cujos seis primeiros episódios já foram conferidos pelo iG, começa com Javier Peña ( Pedro Pascal ) promovido e responsável pela investigação do DEA (agência americana de combate ao tráfico de entorpecentes) sobre o cartel de Cali. Javi, para todos os efeitos um sujeito passional demais para sua linha de trabalho, logo percebe que “caiu para cima”, como tão bem definiu o Capitão Nascimento em “ Tropa de Elite 2” e que pouco pode contribuir para o desmantelamento do cartel de Cali.

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Remoendo sua culpa pelo vínculo com o grupo de assassinos Los Pepes para derrotar Escobar, Javi parece conformado em assumir o papel de “herói” que a CIA, um player cada vez mais visível na série, lhe outorgou. “Você é emocional demais para este trabalho. Nós já perdemos a guerra contra as drogas . Quem está levando isso para o lado pessoal, está encarando do jeito errado”, exorta a Javi o agente da CIA Stechner (Eric Lange).

Os dois, mais a figura do embaixador americano, são os principais remanescentes do elenco da segunda temporada. Adicionados, é claro, dos quatro principais vértices do cartel de Cali. Pacho (Alberto Ammann), que orgulha-se de ser um homossexual que se afirmou em um mundo extremamente machista, Chepe (Arthuro Castro), que comanda a operação em Nova York, Miguel Rodrigues (Francisco Denis), paranoico e impulsivo, e Gilberto Rodrigues (Damian Alcazar), a influência estabilizadora no controle do cartel. Gilberto não poderia ser mais distinto de Pablo na administração dos negócios. Apesar de evitar as chacinas e a promoção do caos, os homens de Cali, quando necessário, se mostram tão cruéis e implacáveis como Escobar. Com o acréscimo de serem mais organizados.

Ritmo acelerado

Embora Javi assuma o papel de narrador, herdado do agente Murphy ( Boyd Holbrook ), que também saiu de cena, ele não necessariamente assume o protagonismo da temporada. A figura que tem o conflito mais adensado é Jorge Salcedo (Matias Varela), chefe de segurança dos irmãos Rodrigues que sofre pressão da mulher para abandonar seu trabalho, mas não consegue se desvencilhar dos patrões. O que é, a princípio, reflexo de sua eficiência ganha contornos dramáticos à medida que Cali passa a protagonizar as atenções do DEA na Colômbia. Jorge se vê cada vez mais afundado em uma teia de conspirações e violência.

Peña (Pedro Pascal) permanece na terceira temporada
Divulgação
Peña (Pedro Pascal) permanece na terceira temporada

Instigado por seu profundo senso de justiça, algo um tanto torto no xadrez político de uma Colômbia cansada da violência alarmante e com um novo presidente, Javi resolve peitar as articulações políticas – e os interesses da CIA – e lidera uma ofensiva contra o Cartel de Cali obtendo uma brecha para futuros resultados promissores; ou uma catástrofe potencialmente incontornável.

O ritmo do 3º ano é acelerado. O espectador já está acostumado à estrutura de “Narcos” e os produtores Eric Newman e Chris Brancato não perdem tempo com apresentações. A ferocidade dos homens de Cali surge no compasso que a série já projeta seu quaro ano, esticando a ação para o México, mais precisamente Juarez, onde o tráfico se proliferou com a mesma virulência verificada na Colômbia dos anos 80.

Saldo positivo

A estrutura segue a mesma, mas a narrativa é mais fragmentada; o que favorece a mobilidade da trama. Há mais personagens em cena e focos de interesse. Os dois novos agentes da DEA, que se reportam diretamente a Javi, não têm o tempo de cena, ou o charme, da dupla Javi e Murphy nos dois primeiros anos e essa é uma escolha consciente da série.

A missão da produção da Netflix não era fácil. Afinal, Pablo Escobar era o grande polo de atração de “ Narcos ”. A série, no entanto, conseguiu criar quatro figuras díspares que juntas ostentam magnetismo similar ao do personagem de Moura, introduzir novos personagens capazes de carregar o interesse humano e abarcar conflitos suficientemente complexos para vascularizar o drama. 

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