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Na esteira do sucesso de Patty Jenkins atrás das câmeras em “Mulher-Maravilha”, selecionamos algumas diretoras para ficar do olho

O sucesso de “ Mulher-Maravilha ” no cinema representa muita coisa. Para a Warner é o alívio de ter um filme da DC que faz sucesso de crítica (ao contrário de “Esquadrão Suicida” e “Batman vs. Superman”), para as super-heroínas, é a possibilidade de vermos mais personagens interessantes ganhando seus filmes solos, e para Patty Jenkins , a chance de mostrar que diretoras  são sucesso dos indies aos “blockbusters”.  

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"Mulher-Maravilha" chega aos cinemas brasileiros no dia 1º de junho de 2017.

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No Brasil, temos filmes representativos feitos por mulheres, como “ Que Horas Ela Volta ”, de Anna Muylaert. Mas, mesmo que as mulheres tenham chamado a atenção nos últimos anos com seu trabalho atrás das câmeras, elas continuam sendo a esmagadora minoria no cinema . No Brasil, apenas 17% das produções foram dirigidas por mulheres . Nos EUA, esse número é ainda pior no mesmo período: mulheres representaram 7% dos diretores que atuaram nos 250 filmes com maior bilheteria do País. Por isso, o sucesso de “Mulher-Maravilha” e de Patty Jenkins é essencial para oferecer mais visibilidade à talentosas cineastas. Por isso, separamos alguns nomes de diretoras que precisamos ficar de olho nos próximos anos:

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Reed Morano

Reed tem uma carreira mais extensa como cinematógrafa – incluindo, mais recentemente, “Lemonade” o álbum visual de Beyoncé , mas sua estreia na direção aconteceu em 2015 com “Meadowland”, estrelado por Olivia Wilde . Ela também dirigiu três episódios da elogiada “The Handmaid’s Tale”, uma das séries mais comentadas do ano até agora.

Reed Morano já foi diretora de fotografia de diversos filmes antes de ocupar também a direção
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Reed Morano já foi diretora de fotografia de diversos filmes antes de ocupar também a direção

Reed tem dois projetos a seguir. O primeiro deles, com estreia prevista para 2018, chama-se “I Think We’re Alone Now”, e conta com Elle Fanning e Peter Dinklage no elenco. Ainda sem data, ela trabalha na pré-produção de um longa sem nome, mas que já tem confirmados no elenco Jeff Bridges e Diane Lane.

Marti Noxon

Noxon tem uma extensão carreira na televisão. Além de ser produtora, ela assinou o roteiro de séries como “Private Practice”, “Buffy: A Caça-Vampiros”, “ Mad Men ”, “Glee”, “UnREAL” e “Brothers and Sisters”. Esse ano, ela assume a direção de seu primeiro longa, “To The Bone”.

Lançado no Festival de Sundance, o filme traz Lily Collins como uma jovem com anorexia que começa a testar um método alternativo para se livrar da doença, com a ajuda de um médico nada convencional, interpretado por Keanu Reeves.

Stella Meghie

Stella Meghie dirigiu
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Stella Meghie dirigiu "Tudo e Todas as Coisas"

Stella está prestes a estrear seu terceiro longa: “Tudo e Todas as Coisas”. O filme aposta no romance adolescente entre Maddy (Amandla Stenberg – “ Jogos Vorazes ”) e Olly (Nick Robinson – “Jurassic Word”).

O longa, que tem potencial para ser um dos blockbusters da temporada, é a primeira produção de estúdio de Stella, e uma das 16 produções apoiadas por estúdio a ter mulheres diretoras nos EUA em 2017.

Niki Caro

Prova da importância de mulheres dirigindo grandes blockbusters, Niki Caro foi escolhida para o live-action de “Mulan”. A Disney tem investido pesado no formato, fazendo adaptações de clássicos como “ A Bela e a Fera ”, “Mogli” e “Cinderela”, todos dirigidos por homens. Agora, a princesa chinesa terá sua vez no cinema, sob o olhar de Caro.

Niki não é uma cineasta novata, e tem no currículo filmes como “Encantadora de Baleias”, “Terra Fria”, e este ano estreia “O zoológico de Varsóvia”, com Jessica Chastain . Mas, mesmo com um Bafta e uma participação em Cannes, agora Niki Caro pode dar continuidade ao trabalho de Patty Jenkins, contando histórias de heroínas.

Lucia Aniello

Comédia
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Comédia "A Noite é Delas"

Outro título que abriu caminho para filmes normalmente liderados por homens foi “ Missão Madrinha de Casamento ”. Apesar de ser dirigido por um homem, o filme foi escrito por mulheres e protagonizado por várias delas. Apostando em uma comédia “pastelão”, o filme foi muito bem sucedido rendendo, inclusive, indicações ao Oscar.

Quem tem experiência em comédias lideradas por mulheres é justamente Lucia Aniello que, entre outras coisas, dirigiu diversos episódio da divertida “Broad City”. Agora, ela encara a direção de seu primeiro longa, que promete seguir essa linha. “ A Noite é Delas ” conta a história de um grupo de amigas que reúne para uma noitada de bebidas e diversão, mas acabam envolvidas em um assassinato. Scarlett Johansson, Zoe Kravitz e Kate McKinnon completam o elenco.

Amma Asante

Amma ganhou popularidade com “Belle”, de 2013, estrelado por Gugu Mbatha-Raw. O filme poderia ser mais uma produção inglesa sobre a aristocracia do século XVIII, não fosse sua protagonista negra. Elogiado, o filme abriu caminho para a próxima produção de Amma, que estreou no último ano, “Um Reino Unido”. Com David Oyelowo e Rosamund Pike, o filem conta a história do rei de Botsuana, que se casa com uma inglesa branca.

Este ano, ela volta a abordar a questão racial em um filme de época em “Where Hands Touch”, estrelado por Amandla Stenberg, que conta a história de um casal formado por uma jovem alemã e um soldado nazista.

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Dee Rees

Dee Rees saiu de Sundance com chance ao Oscar por
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Dee Rees saiu de Sundance com chance ao Oscar por "Mudbound"

O Festival de Sundance ocorre pouco antes do Oscar, no começo do ano. Com filmes que não podem ser indicados no ano vigente, Sundance se preocupa menos em exibir possíveis filmes premiados. Ainda assim, do festival sempre acabam saindo filmes que sobrevivem ao ano e chegam ao final como possíveis indicados. Foi assim com “Manchester By the Sea” ano passado e “Wiplash” alguns anos antes.

Na edição de 2017, um dos filmes mais comentados foi “Mudbound”, de Dee Rees. O filme, que retrata a questão da segregação racial americana no Missisipi tem colocado a diretora como possível primeira diretora negra a ser indicada no próximo Oscar .

Anita Rocha da Silveira

O cinema nacional não poderia ficar de fora. Além da já mencionada Muylaert, Laís Bodanzky, Carla Kamura, Marina Person, Kátia Lund e Lúcia Murat se destacam nas produções nacionais. Mas, um novo nome surgiu em 2016 com a estreia de “ Mate-me Por favor ”: Anita Rocha da Silveira.

A diretora Anita Rocha da Silveira é a nova promessa nacional depois do elogiado
Divulgação/Imovision
A diretora Anita Rocha da Silveira é a nova promessa nacional depois do elogiado "Mate-me Por Favor"

Considerado um dos melhores filmes do ano, vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o longa de estreia da carioca a colocou sob os holofotes. Por sorte, esse ainda é o primeiro do que esperamos que seja uma longa carreira para Anita no cinema .

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