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"Alien, O Oitavo Passageiro" mudou os rumos da ficção científica na sétima arte e, até hoje, é um dos filmes mais celebrados do diretor Ridley Scott; conheça mais sobre os bastidores da saga espacial que volta aos cinemas

A franquia de “Alien”, iniciada em 1979 com “Alien, O Oitavo Passageiro”, marcou a história da sétima arte no segmento de ficção científica. De lá para cá se passaram quase quarenta anos de sua estreia, cinco filmes dirigidos por diferentes cineastas consagrados, em uma linhagem iniciada por Ridley Scott, o mestre da ficção, dois crossovers com a franquia de “Predador”, diversos jogos e até uma “continuação não-oficial” do filme, a criatura mais temida do cinema, o Xenomorfo, volta para aterrorizar plateias em “Alien: Covenant” . “Alien” tem história – e não é pouca – e, por isso, listamos 16 curiosidades sobre uma das franquias mais queridas da cultura pop.

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Franquia de ''Alien'' revolucionou a história da ficção científica no cinema; conheça algumas curiosidade sobre
Divulgação
Franquia de ''Alien'' revolucionou a história da ficção científica no cinema; conheça algumas curiosidade sobre


Fatos e curiosidades

Alien ” é franquia que teve a maior quantidade de diretores de cinema importes à frente de seus filmes: Ridley Scott foi o primeiro a colocar suas mãos na história, passando o bastão para James Cameron – sim, ele mesmo, o que fez “Titanic” e “Avatar”, uma personalidade bastante versátil. Em seguida, David Fincher teve o desafio de encarar a franquia, mas o resultado deixou a desejar, de acordo com a crítica da época. Jean-Pierre Jeunet foi o último a dirigir a produção, até Ridley Scott reassumir as rédeas em “Prometheus” e, posteriormente, em “Alien: Covenant”.

A computação e os efeitos especiais em 1979 não eram aquelas coisas. Ridley Scott precisou contratar um artista para que ele desenvolvesse toda a fantasia do alien. H. R. Giger foi escolhido pela produção para criar o mostro – sim, criar na vida real – da forma mais assustadora possível. O artista plástico criou o design do Xenomorfo à partir da sua ilustração “Necromon”, realizada anos antes, com pequenas adaptações, como a retirada dos olhos do alienígena invasor para deixa-lo mais aterrorizante.

Além desse fato, a criação do Xenomorfo nas telas ainda passou mais dificuldades. Era preciso que alguém vestisse o traje feito pelo artista plástico para dar vida ao personagem – só a cabeça pesava quase dois quilos e não era se movimentar com ela. Foram feitos testes com atores, jogadores de basquete e até mímicos, mas o interprete perfeito apareceu por acaso na vida do diretor de elenco, Peter Archer. Em um bar ele encontrou Bolaji Badejo, um nigeriano que não tinha nenhuma experiência no cinema, mas era exatamente o que planejavam para o papel: uma pessoa alta com as pernas longas que lembrassem um louva-deus, para dar mais vivacidade ao aspecto “não humano” do alien.

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Mesmo com muita preparação para entrar em cena, a fantasia do alien era muito proibitiva com relação à atuação. Sequências mais longas ou mais elaboradas eram praticamente impossíveis com tantos quilos de roupa e, por isso, Ridley Scott decidiu apelar para uma técnica diferente, em que a trilha sonora dá o clima de tensão e suspense do filme e, assim, a presença Xenomorfo foi bastante reduzida, sendo utilizada apenas nas cenas de maior impacto.

Por falar em “impacto”, a famosa cena em que o alien sai de dentro de Kane, personagem de John Hunter, foi uma verdadeira surpresa para os atores. Ou seja, no roteiro do filme que receberam havia apenas uma breve descrição do que ocorreria no set, mas sem grandes detalhes, isso porque o diretor queria que as reações de surpresa fossem reais. Inclusive, a atriz Veronica Cartwright, que interpretou Lambert, realmente ficou histérica no momento em que o sangue voou em seu rosto durante a filmagem - e o tão temido alien dessa cena era apenas um fantoche controlado por uma pessoa.

Muita coisa na franquia de “Alien” saia fora do roteiro original: o ator Bill Paxton, de “Aliens, o Resgate”, segundo filme dirigido por James Cameron, afirmou que muitas de suas falas durante o filme foram improvisadas – incluindo “Game over, man! Game over!”, célebre frase da produção. O ator também confessou que sempre se desculpava com a atriz mirim Carrie Henn quando precisava falar palavrões perto dela.

Os efeitos do primeiro filme não eram tão especiais assim – na verdade, a verdade por trás das câmeras não é nada agradável. Para dar um aspecto mais orgânico para o alien e seus ovos foram utilizados métodos bem inusitados: os ovos da criatura eram feitos com tecidos do coração e do estômago de bovinos e o “tubo” pelo qual os ovos saíam era um intestino de ovelha. A cena da autópsia, por sua vez, foi feita com mariscos, ostras e rins de ovelha para criar os órgãos internos do alien.

Lambert em ''Alien: O Oitavo Passageiro'', quando dá de cara com o Xenomorfo dentro da nave espacial da tripulação
Reprodução
Lambert em ''Alien: O Oitavo Passageiro'', quando dá de cara com o Xenomorfo dentro da nave espacial da tripulação

O que muitas pessoas não sabem é que, por trás da história do Alien, uma trama de ficção científica, muitos pesquisadores enxergam uma conotação sexual nos fatos mostrados do  filme. O próprio roteirista, Dan O’Bannon, confirmou a tese que “Alien: O Oitavo Passageiro” é um filme que faz alusão ao estupro masculino e, propositalmente, foi pensado para que os homens fossem as “maiores vítimas” do xenomorfo, em contraposição a grande parte dos filmes de terror em que as mulheres são sempre as escolhidas. A cena em que o alien sai do peito de Kane, também segundo ele, é uma analogia com um parto violento, situação vivenciada por muitas mulheres.

Por falar em questões de gênero, Siagourney Weaver , no papel da tenente Ellen Ripley, foi a primeira mulher da história do cinema a protagonizar uma franquia de ação – e o papel da atriz surgiu quase que por acidente. O roteiro original não determinava se o personagem principal deveria ser um homem ou uma mulher, porém foi decidido no final que a franquia de “alien” teria uma heroína mulher à frente de sua trama – e a atriz Meryl Streep quase foi escalada para a tarefa, mas Sigourney Weaver foi a que mais agradou a produção.

Siagourney Weaver como Ellen Ripley em ''Alien: O Oitavo Passageiro''
Divulgação
Siagourney Weaver como Ellen Ripley em ''Alien: O Oitavo Passageiro''

Não foi somente Meryl Streep que esteve a um passo de participar da franquia de “Alien”: Harrison Ford foi convidado para viver o personagem do Capitão Dallas, mas recusou o papel na saga. Coincidência ou não, anos depois ele e Ridley Scott trabalhariam juntos em outro clássico da ficção científica, “Blade Runner – O Caçador de Androides”.

“Alien: O Oitavo Passageiro” poderia ter sido muito diferente do que conhecemos, isso porque o orçamento inicial do filme era de somente US$ 4,2 milhões, porém a 20th Century Fox decidiu dobrar o valor que Ridley Scott teria para produzi-lo, passando, assim para US$ 8,4 milhões. Isso só aconteceu porque a produtora ficou empolgada com os storyboards que o diretor entregou – inspirados no trabalho do artista francês Moebius.

Storyboards de Riddley Scott para ''Alien: O Oitavo Passageiro''
Reprodução
Storyboards de Riddley Scott para ''Alien: O Oitavo Passageiro''

Se US$ 8,4 milhões já parecem muito, o orçamento de “Alien: Covenant” faz com que o clássico de 1979 pareça um filme B. O filme lançado em 2017 teve uma verba estimada em impressionantes U$ 180 milhões, isso são mais de 20 vezes o valor disponível para tirarem o primeiro longa do papel – e, claro, sem contar com os gastos massivos em publicidade que a produtora teve durante o período.

Em “ Alien: O Oitavo Passageiro ”, Ridley Scott manuseou pessoalmente as câmeras que rodaram o filme durante toda a filmagem. Na época, o diretor tinha 40 anos e, atualmente, com 78, em “ Alien: Covenant ” ele não colocou a “mão na massa” para uma sequência sequer, deixando a tarefa completamente para a equipe responsável.

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O roteiro de “Alien” de 1979 continha uma cena de sexo entre o Capitão Dallas e Ripley, entretanto, a sequência nem chegou a ser gravada. Anos depois, em “Prometheus”, quando Ridley Scott retornou à franquia, a cena foi incluída novamente na história. “Alien: Covenant” foi o primeiro longa da série a conter tomadas de nudez, entretanto, no primeiro filme as atrizes precisaram utilizar uma bandagem para esconder os mamilos na cena em que acordam do transe em que se encontravam.

Xenomorfo de ''Alien: Covenant''
Reprodução
Xenomorfo de ''Alien: Covenant''

“Alien³” é, possivelmente, o título mais controverso de toda a franquia: dirigido por David Fincher, o filme ficou longe do que o diretor esperava e, por esse motivo, ele foi o único a se recusar a fazer uma “versão do diretor”, para um box especial de “Alien”. Ele se retirou da produção do filme antes do final alegando que as interferências da produtora estavam tirando sua liberdade criativa no filme e que, portanto, o resultado final não seria aquilo que ele esperava para o longa. “Alien³” também não agradou nem a crítica, nem o público – o site Rotten Tomates, por exemplo, dá uma avaliação média entre os dois de 45%.

Alien : Covenant”, mais recente filme da franquia, prestou uma homenagem para os produtores do filme, David Giler e Walter Hill: os dois androides que participam da história foram batizados com seus nomes.

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