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Ainda considerado um tabu na sociedade, o debate acerca do sexo muitas vezes é tímido, mas vem avançando na televisão e na mídia como um todo

Conhecida por sua participação no programa “ Altas Horas ”, a sexóloga Laura Muller é uma referência quando surge alguma questão que envolve o sexo . Com mais de uma década comandando um quadro sobre o tema na atração, a profissional transcende os tabus que ainda cercam a sexualidade na mídia e desvenda mitos e fatos sobre essas relações entre quatro paredes – em frente às câmeras.

Laura Muller em sua participação no programa da Rede Globo
Reprodução
Laura Muller em sua participação no programa da Rede Globo "Altas Horas"


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“O sexo ainda é um assunto tabu na nossa cultura e o que eu observo é que com o passar do tempo as pessoas vão ficando mais confortáveis na frente das câmeras e não só na frente das câmeras, nas palestras que eu dou pelo Brasil afora, os jovens, adultos e terceira idade a turma também vai ficando cada vez mais confortável para fazer a sua pergunta”, analisa Laura Muller em entrevista exclusiva ao iG. “E entra aí um ingrediente de bom humor: brincam um pouquinho com a história ‘ai eu tenho um amigo’ e aí trazem a dúvida de um ‘amigo’”, comenta.

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Sem vetar qualquer tipo de assunto em público, Laura Muller revela que não tem problemas em trazer o tema à tona, mas que se preocupa com a forma que isso será abordado. “O maior desafio do educador para falar em público na TV ou em qual espaço é conseguir transmitir esse conteúdo de uma forma clara, franca e bastante objetiva. Justamente por sexo ser um assunto bastante delicado, ter uma série de mitos e tabus em torno deste tema. Então a gente precisa ter aí um jogo de cintura para conseguir responder as dúvidas, conseguir passar o conteúdo da forma mais esclarecedora possível”, explica a profissional.

Muller observa, ainda, que “além de você estar esclarecendo a dúvida de quem fez sua pergunta, o educador precisa considerar que vão ter mais milhares de pessoas ouvindo e fazer uma resposta que atenda a quem perguntou, mas que também seja um pouco mais abrangente sem perder de vista o restante da plateia”.

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Entretanto, apesar do seu profissionalismo, isso não impede que a psicóloga acabe enfrentando situações para lá de bizarras em cena. “Teve uma pergunta no 'Altas Horas' que ficou clássica. Foi uma pergunta de uma menina que queria saber quando a tia bebia o esperma do tio no sexo oral que gosto que tinha”, relembrou. “Essa pergunta viralizou na internet, deu não sei quantos milhões de acessos, enfim, foi muito engraçada então o jeito de lidar com essa e com qualquer outra é ter bom humor e no final esclarecer a dúvida. No caso, o que eu fiz ali foi voltar para as questões de educação sexual e finalizei a história dizendo que em tempos de doenças sexualmente transmissíveis e AIDS não é para ninguém ficar saboreando esperma nenhum. Que o esperma pode ser um grande transmissor de vírus, bactérias e o vírus da AIDS então o sexo oral precisa ser feito de camisinha”, completou.

A mídia e o sexo

As mesmas câmeras que voltam suas lentes para um debate sobre sexo de maneira às vezes mais tímida são as mesmas que não hesitam em reproduzir cenas de relações sexuais ou corpos desnudos nas telinhas. Não só na televisão, mas em outros espaços midiáticos, a hipersexualização dos corpos acaba tornando-se realidade. “Temos um cenário hoje em que existe sim uma grande banalização do sexo e da sexualidade, mas por outro lado também tem um cenário bastante positivo que é essa abertura para falar do tema de uma forma mais franca, mais esclarecedora que favoreça a qualidade de vida, e a qualidade sexual dos indivíduos”, comenta Laura Muller. “Eu já trabalho com esse tema há mais de 20 anos na mídia e eu observo que nos últimos tempos esse espaço para se falar de uma forma com qualidade, para se trazer conteúdos de qualidade vem crescendo então eu olho positivamente“, completa a sexóloga.

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