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Filme coloca Michael Caine, Alan Arkin e Morgan Freeman como Robin hoods vovôs e garante torcida do público em mais um exemplar que opõe o homem ao sistema. Leia a crítica da produção que estreia nesta quinta (6)

Só pela reunião de cinco gigantes do cinema - sir  Michael Caine , Morgan Freeman , Alan Arkin, Ann-Margret e, em papel secundário, Christopher Lloyd - “Despedida em grande estilo” já valeria o ingresso. Calculadora na mão, eles têm, juntos, exatos 399 anos de experiência. Pois o que chama atenção de imediato no filme dirigido por Zach Braff (“Hora de Voltar”), 42 anos, é a impressionante energia de um elenco formado por profissionais já avançados na melhor idade. E lidando com tema atualíssimo: a incapacidade das sociedades ocidentais, países nórdicos excluídos, de encontrar uma maneira para proteger seus trabalhadores idosos. Reforma da Previdência, anyone?

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Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "Despedida em Grande Estilo", que estreia nesta quinta-feira (6) nos cinemas brasileiros

Inspirado livremente em filme homônimo de 1979 sobre três amigos que decidem roubar um banco afim de garantir um final de vida, por mais parodaxal que pareça, digno, para eles e suas famílias, “Despedida em grande estilo” é um retrato divertido e com alguns clichês hollywoodianos sobre a vida da classe media-baixa americana depois da globalização. Os empregos foram parar na China e no Vietnã e as aposentadorias privadas ficam indisponíveis no banco da noite para o dia. Sem dinheiro para pagar as contas do hospital – não há sistema de saúde público universal nos EUA – e a hipoteca da casa própria, Willie (Freeman), Joel (Caine) e Albert (Arkin) decidem “pegar o que é nosso de volta, à força”.

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A arquitetura do plano de assalto ao banco e o despertar tardio mas nem por isso menos fogoso da relação amorosa de Albert com Annie (Ann-Margret) resultam em gargalhadas que justificam a classificação de comedia para esta paródia bem construída de um convencional heist movie.

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O roteiro de Theodore Melfi, diretor do elogiado “Estrelas além do tempo”, deixou de lado o tom mais soturno do filme original, dando foco à crítica social. Da cadeira do cinema, é, de fato, difícil não se juntar ao desejo de vingança dos idosos contra as grandes corporações, notadamente os bancos. E, sob a sombra do assalto à Previdência Social brasileira, não torcer descaradamente pelo trio de Robin Hoods vovôs disposto a provar que idade, no fim das contas, está mesmo na cabeça, e no bolso, de cada um. 

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