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"O erotismo faz parte da nossa vida", observa a fotógrafa Fernanda Preto ao analisar a complexidade e sutileza do trabalho com nu artístico. Ela é a personagem desta reportagem que abre a série "Sexografia", composta por 20 matérias, que o iG Gente publica ao longo do mês de abril

Mesmo estampado na capa das revistas, no horário nobre da televisão e em todos os cantos da internet, falar no corpo ainda é um tabu na sociedade. Fernanda Preto é fotógrafa experiente no assunto – desde 2009 ela se dedica ao nu artístico e já fez diversos trabalhos no segmento. “Sem dúvida, a nudez ainda choca”, afirmou durante uma conversa com o iG . Mesmo que o público ainda tenha desconfianças sobre o assunto, Fernanda se esforça para desmistificar o que existe por trás desse conceito de fotografia.

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Fernanda Preto fotografando: fazer um book sensual é mais aceitável hoje
Divulgação
Fernanda Preto fotografando: fazer um book sensual é mais aceitável hoje

Erotismo

Fernanda Preto faz ensaios sensuais e empoderados com mulheres trabalhando a nudez
Divulgação/Fernanda Preto
Fernanda Preto faz ensaios sensuais e empoderados com mulheres trabalhando a nudez

Como fotógrafa de nu, Fernanda quer explorar a relação das modelos com seus corpos com vistas ao empoderamento . Segundo ela uma questão chave é transparecer o erotismo das fotografias, mas nunca ultrapassando os limites da modelo e nem indo “longe demais”. “Não é pornográfico , é uma coisa muito sutil”, comenta Fernanda. A nudez é utilizada como ferramenta estética, não apenas para chocar ou para ser vista como um objeto, segundo a fotógrafa. “O erotismo faz parte da nossa vida [...] já o trabalho pornográfico é muito mais explicito, é sexo ”.

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Fotógrafa faz fotos que trabalham a nudez e relação com o corpo
Divulgação/Fernanda Preto
Fotógrafa faz fotos que trabalham a nudez e relação com o corpo

Questão delicada é como traçar essa separação entre erotismo e pornografia – que, realmente, não é clara, mas é, em geral, confundida e as expressões acabam sendo utilizadas como sinônimos. Fernanda ressalta que um fator que influência nessa questão é a maneira como a cultura interpreta o corpo. “Nudez é sempre vista junto com a sexualização . O corpo nu é o corpo do sexo”, diz. Desse modo, logo de antemão, as pessoas estabelecem um pré-julgamento negativo que as condiciona a enxergar o sexo em qualquer forma de nudez, sem antes fazer uma reflexão a respeito.

Como é feito

Entre as modelos, há aquelas que se sentem completamente confortáveis e aquelas que são tímidas. Há um grande espectro de personalidades que estão por trás das fotografias de nu. Acostumada a lidar com os tipos mais variados de modelos, Fernanda conta que o segredo é tratar o tema com naturalidade e sempre manter uma comunicação completamente sincera com a pessoa que irá aparecer nas fotos.

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''Estudos de Nu'' questiona nudez e objetificação dos corpos
Divulgação/Fernanda Preto
''Estudos de Nu'' questiona nudez e objetificação dos corpos

Ela comenta que existe, por parte das modelos, uma preocupação recorrente com a estética do corpo, mas em sua visão a fotografia extrapola a dimensão física dos indivíduos: “[a fotografia] retrata o interior. Ela tem um poder transformador”, disse Fernanda. Para ela uma mulher nunca sai de uma sessão da mesma maneira que começou, pois sua relação e sua percepção de si mesma se alteram durante o processo. Não é somente pela sensualidade do produto final: o nu artístico se converte em uma poderosa ferramenta de empoderamento.

O corpo e dois lados

Depois de trabalhar com o corpo durante tantos anos, Fernanda Preto decidiu que ele poderia ser utilizado de outra maneira: invertendo suas convicções de que o interior é fundamental para as fotos, a fotógrafa decidiu esvaziar a modelo e transformá-la em um corpo sem conteúdo, com o intuito de questionar os estereótipos ligados a ele. Assim, em “ Estudos de Nu ”, ela procura levantar questões externas a modelo, utilizando a nudez de seus corpos para somente transmitir uma mensagem. “Não quero chocar, mas pretendo me expressar”, finaliza a fotógrafa.

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