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O mineiro Thales Silva lançou o segundo álbum do projeto Minimalista: "É resultado de uma experiência mais introspectiva", diz em entrevista ao iG

Depois de fazer um bom disco de estreia, o mineiro Thales Silva lançou neste mês o álbum "Banzo", o segundo do projeto Minimalista . O disco teve um show de lançamento nessa quinta-feira (30), em Belo Horizonte.

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Thales Souza lançou o álbum
Divulgação/Athos Souza
Thales Souza lançou o álbum "Banzo", o segundo do projeto Minimalista

"Esse disco é uma mirada pra dentro. É resultado de uma experiência mais introspectiva", explicou Minimalista em entrevista ao iG . Para ele, "Banzo" é um trabalho no qual ele se reconhece. "Entendo que é importante somar, tentar fazer algo relevante enquanto obra. Pra isso, só é possível se nos reconhecermos nas nossas obras. Se reconhecermos o nosso momento, o nosso sentimento ali naquela expressão. O 'Banzo' é isso", disse Thales.

Além de ter boas músicas, "Banzo" chama atenção pelo projeto gráfico. A versão física do álbum tem um belo projeto gráfico assinado por Rafael Quick. Thales acredita que a arte visual ainda é um atrativo em discos. "Bons projetos gráficos geram interesse e justificam um interesse do público em ter aquele material em mãos", explicou o músico.

Na entrevista abaixo, Thales Silva fala sobre a produção de "Banzo".

Leia:

iG: Como foi a produção de "Banzo"? Quanto tempo você dedicou a esse projeto?
Thales Silva: Desde que terminei meu primeiro disco, se for considerar o embrião da coisa. Comecei a compor e pensar o que queria num próximo trabalho quando estava em Caraíva, na Bahia. Isso foi em 2015, se não me engano. Depois dali o trabalho ficou mais claro e ganhou um norte. De produção foi necessário um ano. Convidei o Tiago Eiras e o Vicente França, ambos da banda Dibigode, e também o Rodrigo Magalhães, que já vem trabalhando comigo há alguns anos. Na sequência entraram o Victor Magalhâes Silva e o Leonardo Marques como produtores do disco. A gravação e finalização durou de quatro a cinco meses, e teve o Henrique Matheus como técnico e na mixagem. Fechei a masterização com o premiado Felipe Tichauer.

iG: Qual é a sensação de lançar o segundo álbum? De que maneira isso é um desafio diferente?
Thales Silva: É uma sensação especial, mas natural. Penso que surgem novos desafios, a vontade de se inovar e também evoluir, mas, o mais importante, eu entendo que seja a sinceridade e a entrega. Não penso arte como uma busca desesperada pelo auto-superação ou pelo sucesso. Entendo que é importante somar, tentar fazer algo relevante enquanto obra. Pra isso, só é possível se nos reconhecermos nas nossas obras. Se reconhecermos o nosso momento, o nosso sentimento ali naquela expressão. O "Banzo" é isso. Mais um recorte da minha vida onde me reconheço. Penso que isso sempre será relevante demais pra alguém no mundo. Quando você se entrega, encontra ecos e espelhos mundo afora. De um modo geral eu tento prestar bastante atenção no mundo, na geografia onde me insiro. Creio muito que a consequência disso seja positiva na minha expressão como artista.

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iG: O que mudou no seu som do primeiro álbum para o segundo? E na produção?
Thales Silva: O som ganhou mais cores e uma produção mais melindrosa. São muitos elementos em diálogo e isso faz parte do excelente trabalho de produção do Leonardo e do Victor. Gastamos mais tempo nesse trabalho, houve mais esmero e até mesmo recurso. Isso muda muita coisa. Do ponto de vista poético, nas letras e na concepção esse disco é uma mirada pra dentro. É resultado de uma experiência mais introspectiva. A relação com o mundo, a observação das geografias, das paisagens urbanas, naturais e sociais, se dão num recorte mais pessoal. O foco é o reflexo do mundo dentro de mim, ao invés de ser o mundo sob meu olhar de observador, como já fiz bastante.

iG: Você acha que o projeto gráfico e outros detalhes de álbuns físicos perderam importância com a popularização do streaming?
Thales Silva: Sim e não. Na realidade, eu entendo que o consumidor de música e arte quer o que é importante. Como "tiraram" as músicas dos discos e disponibilizaram online, de fato, não é necessário que o ouvinte tenha um disco pra escutar música, logo, ele não vai comprar um disco. Por outro lado, eu entendo que nós artistas temos a obrigação de perceber a nossa expressão através de outras formas de comunicação. Os discos entram nesse caminho. Bons projetos gráficos geram interesse e justificam um interesse do público em ter aquele material em mãos. Seja no formato, na beleza da capa. Simplesmente embalar um disco não faz mais sentido.

iG: O que você está planejando para o resto do ano?
Thales Silva: Quero tocar bastante por todo o país e levar minha música em lugares que ainda não fui. Já marcamos mais um show em São Paulo e penso que no Rio devemos marcar ainda esse semestre. Mas quero ir mais longe, trabalhar as propostas que tenho do nordeste e no sul. Enfim, agora é hora de construir esse "Banzo" mais visceral, olho no olho, junto das pessoas.

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Depois do show de lançamento em Belo Horizonte, o músico mineiro também mostrará seu novo álbum em uma apresentação em São Paulo no dia 20 de abril.

Minimalista em São Paulo
Quando: 20 de abril, a partir das 18h (show às 23h)
Onde: Z Carniceria (Av. Brigadeiro Faria Lima, 724, Pinheiros)
Quanto: R$ 20

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