Tamanho do texto

Em entrevista ao iG, Raffa Bandeira fala sobre a relação com o pai, Luiz Carlos, e critica o cenário atual do samba: "está muito ruim"

Raffa Bandeira carrega o samba no sangue. Filho de Luiz Carlos, o vocalista do Raça Negra , o cantor engata um novo projeto, desta vez em carreira solo.

Leia mais: Prettos lamenta momento do samba: "É menosprezo à identidade cultural do Brasil"

Raffa Bandeira, filho de Luiz Carlos do Raça Negra, engatou carreira solo e lança novo álbum
Divulgação
Raffa Bandeira, filho de Luiz Carlos do Raça Negra, engatou carreira solo e lança novo álbum

"Esse álbum tem muita coisa diferente dos outros", contou Raffa em entrevista ao iG . Bastante conhecido no Nordeste por seus trabalhos anteriores, o cantor pretende dominar o Brasil inteiro. Para isso, ele fez de um cover de  Pra Ficar , do Raça Negra , seu primeiro single.

"Eu sou fã dessa música, ela marcou a geração dos anos 1990", explicou. "Sempre tive vontade de gravar essa música num estilo mais romântico, num estilo mais latino, com um solo de violão", continuou. Ele perdiu permissão ao compositor da canção para fazer o novo arranjo.

Na entrevista abaixo, Raffa Bandeira fala sobre seu novo trabalho e cenário atual do samba. "Eu acho que o samba está muito ruim. Não é a questão musical, é a questão de gerenciamento."

Leia a entrevista:

iG: Por que você escolheu  Pra Ficar  para ser seu primeiro single?
Raffa Bandeira:  Eu sou fã dessa música, ela marcou uma geração dos anos 1990, gosto muito dela. Sempre tive vontade de gravar essa música num estilo mais romântico, num estilo mais latino, com um solo de violão. Tive a chance de conhecer o compositor dela, Chiquinho dos Santos, e ele me autorizou a gravar a música.

iG: Quais são as novidades desse novo projeto da sua carreira?
RB:  Esse álbum tem muita coisa diferente dos outros. Esse repertório é muito diferente. A empresa que cuida da minha carreira me deu os melhores músicos pra gravar e me possibilitou gravar em um dos melhores estúdios de São Paulo.

Leia mais: Com 15 anos de carreira, Turma do Pagode não acredita em preconceito musical

iG: Você sente algum tipo de pressão por ser filho do Luiz Carlos?
RB:  Não vou mentir, rola muita pressão. A palavra certa é comparação, mas nunca vai ser igual. Alguns fãs acham que é melhor, outros dizem que nunca vou chegar perto dele. Porém eu não me sinto cobrado. Meu pai é um ícone da música, então fico feliz.

iG: Como foi o apoio que ele te deu?
RB:  Meu pai nunca quis que eu fosse da música. Todos somos da música na família, mas não foi por influência do meu pai, foi uma influência indireta. Ele apoia, mas de longe, ele não quer que as pessoas pensem que só está dando certo por causa dele. Ele queria que a gente estudasse. Participei de duas músicas no DVD do Raça Negra e elas me deram respeito no meio musical. Dali pra frente, meu pai começou a me apoiar mais.

iG: Como você vê essa volta da banda ao hype?
RB:  O grupo marca gerações. O pessoal brinca de sofrência, mas o primeiro grupo a emplacar músicas românticas foi o Raça Negra. Fico orgulhoso de ver meu pai de novo nas mídias, de novo liderando o movimento do samba, ele sabe muito bem o que está fazendo.

iG: Como você vê o cenário atual do samba?
RB:  Eu acho que o samba está muito ruim. Não é a questão musical, é questão de gerenciamento. O sertanejo domina o mercado porque é mais organizado que o samba. Todas as bandas que vieram dos anos 2000 pra cá já não estão mais no auge. Quem está lá é o Péricles, o Arlindo Cruz, o Zeca Pagodinho, o Alexandre Pires. A única banda que a gente tem que respeitar é o Sorriso Maroto. Eles são muito organizados, fazem um trabalho bem feito.

iG: Por que isso acontece?
RB: Existe um monopólio nas mídias, então a música virou produção em massa. P grupo ou estoura uma música na internet porque ela é muito boa e viraliza ou ele tem um empresário que tem pelo menos R$ 1 milhão para investir. Quem está começando, principalmente o sambista, não tem essa oportunidade e acaba ficando numa projeção menor do que o sertanejo. O samba é nosso, é do brasileiro, difícil alguém que não goste de fazer um churrasco e ouvir um samba. Mas no meio do samba, é cada pra um lado.

iG: Como você está se preparando para evitar que isso aconteça com sua carreira?
RB:  Essa parte de ter um pai famoso me ajuda muito nessa questão. Mas estou construindo uma carreira de verdade. Aprendi a mexer em som, aprendi a tocar violão e bateria sozinho, sempre estou estudando canto, tento escolher muito bem as músicas que vou fazer. Quero fazer as coisas pensando em trabalhar, não só em fama e dinheiro, se for nesse pensamento, acaba rápido.

iG: O que você pode antecipar sobre o álbum?
RB: Esse disco vai ser o divisor de águas na minha carreira. O lançamento oficial é em março e vamos sair em turnê o ano todo.

Além do Raça Negra, Luiz Carlos também participou do projeto Gigantes do Samba, ao lado de Alexandre Pires e Belo .

    Leia tudo sobre: músicas