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Mostra começou nesta quinta-feira (9) com exibição de "Django". Diretor já tinha falado anteriormente sobre caráter político do Festival de Berlim

O filme "Django", do diretor francês Etienne Comar, abriu nesta quinta-feira (9) a 67ª edição do Festival de Berlim, que vai até o dia 19 de fevereiro e conta com uma recheada programação brasileira.

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Quentin Tarantino é o diretor de
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Quentin Tarantino é o diretor de "Django"


O longa escolhido para abrir o Festival de Berlim relata um período pouco conhecido da vida do grande violonista de jazz francês Django Reinhardt (Reda Kateb), que teve de fugir para a Suíça durante a ocupação de Paris na Segunda Guerra Mundial por causa da perseguição nazista contra os ciganos.

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A trama mostra a capital sitiada em que Reinhardt vive como rei do jazz francês, já que seu grande rival, Stéphane Grappelli, havia se refugiado em Londres. Se sentindo protegido pela sua grande popularidade, o violonista inicialmente resiste à ideia de fugir, como recomendara a amiga Louise Van de Klerk (Cécile de France), até que recebe a incumbência de tocar na Alemanha, o que o enviaria diretamente à cova dos leões. O músico decide então escapar para a Suíça com a esposa grávida e a mãe idosa.

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Donald Trump é assunto no festival
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Donald Trump é assunto no festival

Embora diga que não escolheu o tema do filme em função da crise de refugiados, Comar admitiu que a trama de "Django" é bastante atual, já que países da Ásia e da Europa vêm recebendo centenas de milhares de deslocados externos devido a guerras e à pobreza no Oriente Médio e na África.

"Posicionamentos políticos por parte de artistas, o tema perigoso das identidades nacionais, deslocados sem pátria e que não podem ir a lugar nenhum, imigrantes ilegais que são presos: pode-se enxergar 'Django' como um filme atual", disse o cineasta nesta quinta-feira.

A interpretação de Kateb no papel de Reinhardt confere intensidade e um rosto desconhecido, embora experiente, a um filme que, em muitos aspectos, parecia já batido. "Em certo ponto, quase me convenci de que era realmente Django", afirmou o ator francês, que agradeceu à comunidade cigana por ter lhe transmitido essa sensação.

"Não era um herói, era alguém que fazia o que podia, com o que tinha", explicou Comar, falando sobre o homem que se dispõe a tocar para os nazistas para permitir a fuga de um soldado britânico ferido que o ajudaria também a escapar.

O caráter político da 67ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim já havia sido antecipado pelo diretor artístico Dieter Kosslick, que prometeu tomar posição contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Jurado da mostra em 2017, o ator mexicano Diego Luna disse que foi à Alemanha justamente para "aprender a conviver com um muro".

Uma das promessas do mandatário norte-americano é construir uma barreira na fronteira com o México para bloquear a entrada de imigrantes sem documentos. "Atravesso essa fronteira de quatro a seis vezes por mês, e vocês não têm ideia de todas as histórias que vivi e conheci nessas viagens", acrescentou.

No ano passado, o vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim já foi um filme sobre imigração, o documentário italiano "Fogo no Mar", de Gianfranco Rosi, que retrata a vida na ilha de Lampedusa, porta de entrada para deslocados externos na Europa.

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