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Em entrevista ao iG, Emily Kokal e Stella Mozgawa falam sobre o governo Trump, a música eletrônica e seu mais recente álbum, "Heads Up"

Pouco mais de quatro meses de lançar seu mais recente álbum,  Heads Up , o Warpaint vem ao Brasil para dois shows intimistas nessa sexta (3) e sábado (4) na exposição The Art of Heineken, que acontece em São Paulo.

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O Warpaint lançou o álbum
Divulgação/Mia Kirby
O Warpaint lançou o álbum "Heads Up" em 2016 e faz dois shows no Brasil

Pela segunda vez no País, a banda lamenta não poder fazer shows maiores. "É muito ruim que a gente só tenha vindo para esses shows. Queremos voltar para fazer mais shows", disse ao iG Emily Kokal , vocalista e guitarrista do Warpaint .

Lançado em setembro,  Heads Up é o terceiro álbum da banda americana. O novo disco surpreendeu muita gente. "A produção do álbum não era um segredo, mas foi uma surpresa porque a gente realmente terminou na hora que dissemos que iria estar pronto", brincou a baterista  Stella Mozgawa .

"Nós costumamos anunciar o disco quando entramos no estúdio. Dessa vez, esperamos mais um pouco. Esse processo foi diferente e nos surpreendemos com a rapidez", explicou Emily. "Gosto muito de algumas músicas desse álbum e da sensação de liberdade que ele nos deu."

Governo Trump

A turnê e divulgação de  Heads Up  acontecem em um momento em que os artistas dos Estados Unidos se unem contra o governo de Donald Trump. Para Emily e Stella, esse movimento pode ser benéfico e devolver a alma às músicas.

"Eu acho que as pessoas vão falar mais sobre as coisas que sentem, não só politicamente", disse Emily. "Muitas músicas hoje em dia não dizem nada e esse é um chamado para que as músicas sejam mais conscientes e digam algo", ponderou a guitarrista.

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Já a baterista Stella acha que o momento político pode fazer com que a música volte a ter uma veia de protesto. "Parece que as músicas de hoje falam das coisas mais básicas para não ofender ninguém, não provocar ninguém", disse. "Acho que elas vão ser mais honestas e causar mais desconfortos", continuou a americana.

O momento também pode ser propício para mostrar outros estilos musicais e até mudar o pop. "A música pop sempre foi mais superficial. Agora, há mais espaço para que a música popular não seja só esse tipo de música", explicou Emily. "Talvez vejamos um crescimento de diferentes estilos musicais, com músicos de verdade, não só computadores fazendo sons. As pessoas se juntando e dizendo algo."

Hora de falar

Consideradas modelo para garotas no rock, as integrantes do grupo americano esperam que pessoas influentes aproveitem todas as mudanças para inspirar os jovens. "Se algum desses grandes artistas do mundo falasse algo sobre a situação das coisas, seria muito útil para os jovens", analisou Stella. "Eles têm muito a dizer", continuou.

Divulgação
"Eu espero que seja um chamado para para que as pessoas façam mais músicas", diz guitarrista do Warpaint sobre Trump

Por outro lado, elas acreditam que o oportunismo também está presente no protesto. "As pessoas estão sempre motivadas para ganhar dinheiro, principalmente as grandes empresas. Se os protestos estão dando dinheiro, eles vão entrar na onda", afirmou Emily.  "Até a guerra faz muito dinheiro", comparou.

De volta ao jogo

Depois dos shows no Brasil, o Warpaint embarca numa turnê pelos principais festivais de verão da Europa e dos Estados Unidos. Na ativa desde 2004, as artistas já viram muitas mudanças nesses festivais, mas a novidade da vez é o boom da música eletrônica, que coloca DJs e produtores como headliners de mega eventos.

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"Eu amo música eletrônica, mas tem muita coisa ruim por aí", confessou Emily. "Música eletrônica não é para o meu gosto", logo avisou Stella.

Para a baterista, o recente crescimento da EDM é uma questão econômica. "É um tipo de música que é feita rapidamente. As pessoas querem cada vez mais conteúdo em menos tempo, então tem mais coisas feitas com menor cuidado, com menos instrumentos", explicou. "Entre as 17h e as 20h, quando vamos nos arrumar para o show desta noite, nós conseguimos fazer cinco músicas que poderiam ser hits."

Já Emily acredita que isso tudo é um reflexo da sociedade. "As pessoas estão fazendo música no computador, não há uma interação com outras pessoas. É igual ao que a tecnologia faz com a gente, as pessoas vão se isolando e as relações ficando cada vez mais digitais", explicou a guitarrista do Warpaint.

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