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Primeiro brasileiro a dirigir um curta da Disney, Leo Matsuda é um dos favoritos ao Oscar de melhor curta de animação; leia a entrevista

Quem assistiu " Moana: Um Mar de Aventuras " no cinema também deve ter visto o divertido curta-metragem " Trabalho Interno ", que está sendo exibido antes do novo filme da Disney. Dirigido pelo brasileiro Leo Matsuda , a animação já é uma das favoritas ao Oscar.

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O curta
Divulgação
O curta "Trabalho Interno", dirigido pelo brasileiro Leo Matsuda, é um dos favoritos ao Oscar de melhor curta de animação

O curta de 6 minutos é o primeiro trabalho de Leo Matsuda como diretor na Disney e conta a história de um rapaz que tenta equilibrar suas emoções: ele quer trabalhar e manter sua disciplina, mas também curtir a vida.

"Eu tenho essa dualidade, esse duelo interno", explicou o diretor em entrevista ao iG . Para contar esse história, ele foca nos órgãos do corpo humano e brinca como se os sistemas tivessem vida própria. Essa ideia veio de sua infância, quando ele brincava com uma enciclopédia de biologia. "Eu combinava o sistema circulatório com o sistema nervoso, com o sistema respiratório, e aquilo para mim era maravilhoso", lembrou.

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Na entrevista abaixo, o diretor fala sobre a produção de "Trabalho Interno" e o mercado de animação no Brasil e nos Estados Unidos. "Se você quiser trabalhar no mercado americano e tiver essa disciplina e paixão, você vai encontrar o caminho correto", garantiu.

Leia a entrevista

iG: Como foi a produção de "Trabalho Interno"? Quanto tempo demorou?
Leo Matsuda:  O filme demorou cerca de dois anos. Geralmente demora um ano, mas a gente estava bem no meio da produção de "Zootopia" e o estúdio precisava usar todos os recursos. Por isso, a gente demorou cerca de dois anos para a conclusão do curta.

iG: Como você teve a ideia do curta?
LM:  Essa ideia surgiu do fato de eu ser descendente de japoneses. Tenho um lado japonês que é bem disciplinado e lógico, mas tenho um lado brasileiro que gosta de carnaval e festa. Eu tenho essa dualidade, esse duelo interno. Também tem o fato de eu ter nascido nos anos 1980, uma época em que não tinha internet, então meu entretenimento eram os livros. Meus livros favoritos eram as enciclopédias britânicas, que vinham em uma coleção de 24 volumes. O oitavo volume era de biologia e eu adorava as páginas transparentes que tinham os sistemas do corpo humano. Eu combinava o sistema circulatório com o sistema nervoso e com o sistema respiratório, e aquilo para mim era maravilhoso, quando eu via aquelas camadas e como cada sistema influenciava o outro. É uma ideia que sempre ficou embutida em mim, desde a infância, e eu sempre quis contar essa história.

Leo Matsuda é o primeiro brasileiro a dirigir um curta da Disney com
Divulgação
Leo Matsuda é o primeiro brasileiro a dirigir um curta da Disney com "Trabalho Interno"

iG: Como você encaixou a moral do filme com esse conceito do corpo humano?
LM:  O corpo humano foi só uma maneira de contar aquela história, mas o tema foi equilíbrio. Se você só seguir seu coração, não é uma coisa que  de fato seria melhor para você. Tem que ser realista, encarar sua realidade, mas também ter esperança de que as coisas vão melhorar. É um tema pertinente na minha vida e eu acho que várias pessoas poderiam se identificar por conta da vida em si.

iG: A cultura japonesa também influencia seu trabalho?
LM:  Eu gosto muito dos trabalhos do Hayao Miyazaki [diretor de "A Viagem de Chihiro"] e de vários diretores japoneses, mas eles têm um estilo totalmente diferente do meu. Acho que meu lado japonês vem da minha genética, do fato de eu ser por natureza uma pessoa mais lógica e disciplinada.

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iG: Qual é a importância de ser o primeiro brasileiro a dirigir um curta da Disney?
LM:  Foi uma experiência maravilhosa para mim. Foi uma honra eu dirigir um curta na Disney e poder ter um suporte de tantos diretores que me apoiaram do começo ao fim. Não fiz esse curta sozinho, fiz com uma equipe de vários animadores e outros cineastas top de linha. Se não fosse por eles, eu não conseguiria atingir o resultado que atingi.

iG: Como você vê o mercado de animação nos Estados Unidos e no Brasil?
Leo Matsuda:  O mercado é excelente. Você pode ter o sonho de trabalhar nos Estados Unidos, mas tem de estar a par da realidade. Se você tiver esse equilíbrio, você vai encontrar uma direção. Se você quiser trabalhar no mercado americano e tiver essa disciplina e paixão, você vai encontrar o caminho correto. O mercado tem várias pessoas brasileiras trabalhando lá. Mercado não falta, vem crescendo muito no Brasil, e tudo isso está repercutindo muito lá, o mercado americano está acompanhando o sucesso do Brasil. Espero que mais pessoas venham fazer os filmes deles, tem muita gente talentosa no Brasil.