Exposição no Rio transforma cinco toneladas de resíduos em arte
Acervo Pessoal / Divulgação
Exposição no Rio transforma cinco toneladas de resíduos em arte

O que para muitas pessoas é apenas lixo pode ganhar uma nova vida nas mãos de artistas. No Rio de Janeiro, embalagens e objetos plásticos descartados estão sendo transformados em esculturas de luz e instalações interativas que convidam o público a refletir sobre o consumo e os impactos das escolhas cotidianas.

A proposta faz parte de Reflexos, exposição inédita do projeto Pirilampos do Planeta, que estreia em 22 de outubro no Centro Cultural Light, no Centro do Rio. Com entrada gratuita, a mostra reúne arte contemporânea,  sustentabilidade e experiências sensoriais que permitem ao visitante ver, ouvir, tocar e interagir com as obras.

Criado pelos artistas Lula Duffrayer e Flávio Carvalho, o projeto já incorporou cerca de cinco toneladas de resíduos às suas produções em 2026. O trabalho envolve três cooperativas de reciclagem e beneficia aproximadamente 60 famílias.

Quando o lixo se transforma em arte
O nome da exposição parte de uma reflexão sobre aquilo que enxergamos e sobre os efeitos que nossas atitudes provocam no mundo.

Organizada a partir de três elementos, ar, água e solo, a mostra apresenta instalações que exploram a relação entre a sociedade e o meio ambiente.

Os materiais utilizados passam por etapas de coleta, seleção e higienização antes de serem transformados em obras artísticas.

“A gente toca em questões muito delicadas com o nosso trabalho. Falamos em cuidados com o meio ambiente, geramos visibilidade para os profissionais que trabalham na coleta seletiva, falamos de resíduos e, principalmente, mostramos, na prática, que juntos podemos ser mais fortes. O trabalho coletivo e cooperativo proporciona resultados impactantes na sociedade. Nosso objetivo é encantar o olhar com o nosso trabalho e promover conexões com pessoas e empresas dispostas a cuidarem do meio ambiente”, conta Lula Duffrayer.

A proposta é mostrar que materiais considerados sem utilidade podem adquirir novos significados por meio da criatividade.

Exposição permite tocar, ouvir e interagir com as obras
Diferentemente de mostras em que o visitante apenas observa as peças, Reflexos foi concebida para estimular a participação do público.

A experiência reúne recursos visuais, sonoros e táteis, permitindo diferentes formas de contato com as instalações.

A acessibilidade também faz parte do projeto. Elementos interativos foram planejados em diferentes alturas para facilitar a participação de pessoas com deficiência.

No espaço dedicado ao Manto, por exemplo, totens fotográficos estarão disponíveis em duas alturas, incluindo uma adaptada para cadeirantes.

“A arte tem o poder de estimular sentimentos e reflexões. Nesta mostra, as obras e as interações convidam o visitante a compreender e internalizar a mensagem sobre a urgência do consumo consciente e da regeneração do planeta. Esperamos que as pessoas saiam daqui mais atentas às suas escolhas, conscientes dos reflexos que elas geram na coletividade e no meio ambiente”, destaca Estela Alves, coordenadora de Responsabilidade Social da Light

A expografia é assinada pela Guá Arquitetura, enquanto a YDreams desenvolveu as interações que integram o percurso.

Projeto também beneficia famílias que trabalham com reciclagem
Além da proposta artística, a exposição chama atenção para a participação de profissionais que atuam na coleta seletiva.

Os artistas chamam esses trabalhadores de “enfermeiros do planeta”, em referência à contribuição que oferecem para o reaproveitamento de materiais e a redução do descarte.

Atualmente, o projeto mantém parceria com três cooperativas e beneficia cerca de 60 famílias.

A colaboração não se limita à aquisição dos resíduos. Os profissionais também participam do beneficiamento dos materiais utilizados nas obras, o que amplia as possibilidades de remuneração.

“A forma que encontramos de valorizar economicamente os profissionais da coleta seletiva foi trazê-los para dentro do processo. Logo percebemos que só o valor de tabela pago pela aquisição dos resíduos não traria para essas pessoas o impacto positivo que imaginávamos. Através da inclusão dos serviços de beneficiamento do material que usamos na criação das obras, conseguimos pagar a esses profissionais mais que o valor praticado pelo mercado”, ressalta Flávio Carvalho.

Arte e sustentabilidade também chegam às crianças
A exposição contará com atividades educativas e oficinas agendadas, especialmente voltadas ao público estudantil.

A iniciativa dá continuidade a experiências anteriores dos Pirilampos do Planeta. Em 2023, durante a instalação Ninho dos Pirilampos do Planeta, realizada em São Paulo, 1.876 crianças participaram de oficinas de produção de brinquedos com materiais reciclados.

A proposta é aproximar a educação ambiental de experiências criativas, mostrando como objetos descartados podem ser reaproveitados.

“A Light quer trazer para o centro do debate a importância da sustentabilidade, do uso consciente dos recursos e da construção de hábitos mais responsáveis. A iniciativa busca, especialmente entre o público estudantil, estimular a reflexão sobre como nossas escolhas no dia a dia impactam o meio ambiente e o futuro do planeta”, explica Rodrigo Brulher, coordenador de Eficiência Energética da Light.

Projeto já levou instalações para Nova York e Londres
Os Pirilampos do Planeta nasceram em uma reserva florestal em Três Córregos, na área rural de Teresópolis, no Rio de Janeiro.

Desde então, o trabalho de Lula Duffrayer e Flávio Carvalho passou por eventos e espaços culturais no Brasil e no exterior.

Entre as participações estão a COP30, em Belém, a SP-Arte, o CCBB de Belo Horizonte e a Festa da Luz. O projeto também integrou uma campanha internacional da FARM Rio, com instalações em Nova York e Londres.

No Rio de Janeiro, os artistas já realizaram intervenções no VillageMall e na Marquês de Sapucaí.

Agora, com Reflexos, o público carioca poderá conhecer uma nova etapa do projeto, que transforma materiais descartados em experiências artísticas e propõe uma reflexão sobre o futuro do planeta.

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