Ingrid Vasconcelos fala sobre ser mãe em dois momentos
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Ingrid Vasconcelos fala sobre ser mãe em dois momentos

No Dia das Mães, Ingrid Vasconcelos abre o coração ao falar sobre como a experiência da maternidade mudou ao longo dos anos. Jogadora de basquete, pernambucana e mãe de Ian, de 13 anos, e Eloi, de 1 ano, ela se tornou mãe ainda jovem, aos 18 anos, e enfrentou os desafios do início sem preparo. Anos depois, com mais maturidade, viveu uma segunda gestação de forma mais consciente, o que, segundo ela, transformou completamente sua forma de maternar.

Ao relembrar a chegada de Ian, Ingrid diz que o que mais marcou não foi só a falta de preparo, mas a cobrança constante que ela mesma se colocava. Sem referências e com pouco acesso à informação na época, ela enfrentou dificuldades físicas e emocionais enquanto tentava entender o que estava vivendo. “Eu me colocava num lugar em que tinha que aguentar tudo. Lembro que quando fui amamentar ele, doeu muito. Eu não conseguia nem olhar para meu filho. Olhava para o teto, chorava e dizia: ‘Tenho que dar de mamar e acabou’. Eu pesquisava na internet e via as pessoas dizendo que não doía, que era tranquilo, e eu pensava: ‘Gente, não pode ser’. Ficava sem entender, achando que por ser muito nova, tinha que passar por tudo aquilo. Isso mexia muito comigo”, relata.

Essa autocobrança constante acabou se refletindo em toda a rotina. Segundo ela, havia uma pressão interna para não falhar em nenhum aspecto da maternidade. “Eu me culpava por tudo. Se eu atrasasse pra buscar ele, já vinha aquele pensamento de que a culpa era minha por ter sido mãe nova. Eu carregava isso o tempo inteiro, essa pressão de dar conta de tudo sem reclamar”, relembra. 

Com o passar dos anos, a experiência ganhou um novo significado. A chegada de Eloi marcou uma virada na forma como Ingrid enxerga e vive a maternidade. Mais segura e com mais conhecimento, ela diz que conseguiu se permitir viver esse momento de outra maneira. “A minha segunda maternidade foi mais consciente, mais planejada. Com o Ian eu virei mãe, mas com o Eloi eu me tornei a mulher que eu sempre quis ser como mãe. Eu consegui viver tudo com mais calma, sem aquela pressão de antes, porque Ian me ensinou muito. Hoje eu entendo que tem muita coisa que foge do nosso controle e que faz parte do processo, então eu parei de me culpar tanto”, afirma.

O suporte do marido Enderson, e ajuda externa de profissionais, também fez diferença nessa nova mo fase. Segundo Ingrid, entender melhor o próprio corpo e os processos da maternidade trouxe mais segurança para lidar com os desafios. “Com o Eloi eu tive uma consultora. Eu achava que sabia dar de mamar, que era só dar o peito, que era extinto, mas não é assim. Ela me ensinou muita coisa, desde a pega até o armazenamento de leite. Foi aí que eu entendi que  antes estava sendo feita de forma errada e que realmente não precisava doer”, diz.

Hoje, Ingrid afirma que vive a maternidade sem culpa, valorizando cada fase ao lado dos filhos. Ao olhar para trás, ela reconhece o quanto amadureceu ao longo desse processo. “Eu olho pro Ian hoje e penso como passou rápido. Eu tenho um rapaz dentro de casa. Aquela fase difícil passa mesmo, e depois vem a saudade. Com o Eloi, eu consigo viver tudo com mais calma, aproveitar mais, estar mais presente. É outra cabeça, outra forma de ver as coisas. Hoje eu me sinto mais leve, mais segura e consigo viver a maternidade de um jeito muito mais tranquilo”, finaliza.

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