
Enquanto um cidadão comum conta os centavos para conseguir fechar o mês, a vida de Deolane Bezerra parecia um roteiro de cinema. Com direito a pose, grifes e claro, a boa e velha ostentação para o deleite dos seus seguidores roubava a cena nas redes sociais. Mas, um novo caminho se desenhou na manhã da última quinta-feira (21). A "Doutora", como é popularmente chamada pelos fãs, trocou o café da manhã em sua residência em Alphaville, em Barueri, São Paulo, por uma visita nada agradável dos policiais da Operação Vérnix.
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Coordenada pelo Gaeco e pela Polícia Civil de Sâo Paulo, a ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria conexões com a cúpula do Primeiro Comando da Capital, o PCC. E a pergunta de um milhão de dólares, que ecoa na internet durante a investigação é: afinal, qual é o tamanho da fortuna de Deolane? Se antes a dúvida se limitava apenas às redes sociais, hoje virou um quebra-cabeça que está sendo montado pela Polícia Civil.
Conta não fecha
A engenharia financeira da influenciadora tem mais furos do que uma peneira. Os investigadores apontam para uma matemática básica, que simplesmente não fecha. Em 2021, por exemplo, uma das empresas de Deolane, a Bezerra Publicidade, comprou uma casa no Loteamento Fazenda Tamboré por R$ 1,6 milhão. No ano seguinte, a Deolane Holding colocou na garagem uma Porsche Carrera 911, avaliada em mais de R$ 1 milhão.
Ainda em 2021, Deolane declarou à Receita Federal ter recebido cerca de R$ 357 mil da Bezerra Publicidade como lucros e dividendos. No entanto, os investigadores da Operação Vérnix foram taxativos: as contas simplesmente não apresentavam qualquer valor de transação, nem a crédito e nem a débito. Em termos populares, o dinheiro aparecia no papel, mas não havia passado pelo banco. Um verdadeiro milagre da multiplicação.
Anos mais tarde, em 2024, quando prestou depoimento à Polícia Civil de Pernambuco em sua primeira estadia atrás das grades, Deolane declarou que sua renda líquida mensal era de R$ 1,5 milhão, vinda de publicidade e de seus múltiplos negócios. No entanto, para a polícia, nem mesmo essa dinheirama justifica o alto padrão de vida e as movimentações identificadas nas contas da influenciadora. A suspeita é de que o volume real de dinheiro que orbitava em volta da loira seja infinitamente maior, e de origem nebulosa.
Desta vez, durante a investigação, a polícia identificou cerca de R$ 27 milhões nas contas de Deolane, e bloqueou o valor. Outros R$ 327 milhões, encontrados em contas de outros investigados da Operação Vérnix, também foram bloqueados. Além do bloqueio dessas altas quantias, a investigação também apreendeu 17 veículos de luxos e 4 imóveis de luxo em São Paulo.
Filhos envolvidos no esquema
Além de Deolane Bezerra, as altas quantias movimentadas por Giliard Vidal dos Santos, filho da influenciadora, também despertaram a atenção das autoridades. Nos últimos anos, o rapaz movimentou cerca de R$ 11 milhões em suas contas, valor considerado 'discrepante para um jovem sem histórico de atividade empresarial consolidada'.
"A movimentação financeira atribuída à Giliard revela um padrão fortemente sugestivo de mecanismos típicos de ocultação, dissumulação e pulverização de capitais, frequentemente associados a operações de lavagem de dinheiro. Embora figure como recebedor de valores expressivos, mais de 7,1 milhões, o dado mais relevante é que ele envia mais recursos do que recebe, totalizando 11,17 milhões em débitos", diz um trecho da denúncia.
Como Giliard não possui lastros financeiros, recai sobre ele a suspeita de que ele teria sido usado como uma espécie de "canal de dispersão", de dinheiro oriundo de práticas crimonosas. Além disso, outras duas empresas, a DSDD Cobranças e Informações Cadastrais Ltda, em nome da mãe de Deolane, Solange Alves Bezerra, e a DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda, também são, segundo as denúncias, firmas de fachada.





