
A atriz Regiane Alves, de 47 anos, vive um momento de forte conexão com o público ao equilibrar projetos no teatro e na televisão. Em entrevista ao iG, ela destacou a importância de ampliar narrativas sobre diversidade e acolhimento, especialmente na relação com a comunidade LGBT, tema que atravessa seus trabalhos recentes.
No ar em 'Três Graças', Regiane interpreta, ao lado de Cláudio Gabriel, os pais da personagem Juquinha (Gabriela Medvedovsky). A atriz enfatiza o impacto de abordar relações familiares com naturalidade, sobretudo quando envolvem personagens LGBTQIA+.
“Eu acho de extrema importância toda vez que a gente naturaliza uma situação”, afirmou. Segundo ela, a repercussão das cenas foi marcada por mensagens de identificação e afeto. “Muitos casais gays sonham em viver relações com aceitação. Quando a televisão mostra isso, as pessoas começam a se enxergar ali”, disse.
Regiane também destacou o papel histórico da TV na formação de pensamento . “Por muito tempo, a televisão educou. Hoje temos a internet, mas esse poder de atingir muitas pessoas continua sendo muito forte”, completou.
Teatro e conflitos familiares
Em cartaz com a peça 'Querida Mamãe', no Teatro dos 4, a atriz mergulha em um texto clássico de Maria Adelaide Amaral, com direção de Pedro Neschling. No palco, ela divide cena pela primeira vez com Nívea Maria.
A montagem apresenta o encontro entre mãe e filha marcado por diferenças profundas, afetos e ressentimentos. “É uma peça que toca muito a gente. Sempre que falamos de relações familiares, isso é contemporâneo”, afirmou.
Regiane descreve o processo como intenso e emocional. “A estreia é um momento cheio de emoções. A gente passa por uma gestação e, de repente, encontra o público. É quando começamos a entender o que funciona”, disse.
Parcerias e trocas
Sobre a parceria com Nívea Maria, a atriz ressalta admiração e aprendizado. “Ela é uma referência da nossa dramaturgia, uma grande atriz e com uma vitalidade maravilhosa. Está sendo um processo muito feliz”, comentou.
Na televisão, Regiane também valoriza o intercâmbio com novos talentos, como Alanis Guillen e Gabriela Medvedovsky. “É muito bom dividir com uma geração mais nova. Assim como aprendo, também compartilho experiências”, afirmou.
Olhar para o passado
Ao revisitar a própria trajetória, a atriz revelou carinho por produções marcantes da dramaturgia brasileira. Fã de 'Anos Rebeldes', ela citou a personagem vivida por Cláudia Abreu como um papel que gostaria de ter interpretado. “Eu amava aquela personagem. Se tivesse um remake, mas acho que a minha idade já está passando um pouco, porque ela era bem jovem, né?”, disse.
A peça 'Querida Mamãe', de Maria Adelaide Amaral, segue em cartaz no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, com direção de Pedro Neschling e atuações de Regiane Alves e Nívea Maria.
Na história, o público acompanha o reencontro entre Ruth e Helô, mãe e filha que carregam uma relação marcada por conflitos, silêncios e diferenças geracionais. Em um apartamento repleto de memórias, as duas confrontam ressentimentos acumulados ao longo dos anos, expondo feridas, afetos e expectativas frustradas.
Inspirado na relação da própria autora com sua mãe, o texto constrói um retrato sensível e, ao mesmo tempo, contundente sobre os laços familiares. A narrativa aborda temas como amor, rejeição, aceitação e a dificuldade de comunicação entre gerações, revelando como vínculos profundos podem, ao mesmo tempo, acolher e ferir.
O espetáculo fica em cartaz até 31 de maio, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.