Paulo José e seu filho, Paulo Henrique Caruso
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Paulo José e seu filho, Paulo Henrique Caruso

Paulo Henrique Caruso, filho caçula do ator Paulo José, prestou uma homenagem ao pai em suas redes sociais. "Ainda não consigo ver o mundo sem você", escreveu o editor e montador de vídeos, fruto do antigo relacionamento entre Paulo e a atriz Beth Caruso.

Lenda do teatro, da TV e do cinema, Paulo José morreu, na noite da última quarta-feira, aos 84 anos . O ator, roteirista e diretor foi diagnosticado com Mal de Parkinson em 1993, e estava longe da TV há sete anos. Ele deixa três filhas, as atrizes Bel Kutner, Ana Kutner e Clara Kutner, frutos do casamento com a atriz Dina Sfat (1938 — 1989), e um filho, o ator Paulo Henrique Caruso, nascido da união com Beth Caruso. A família ainda não divulgou o local do velório.

"Meu pai lindo, queria fazer um texto bonito pra você mas por enquanto tá difícil. Então, obrigado por tudo, descansa, um dia a gente se encontra e faz tudo de novo! Ainda não consigo ver o mundo sem você. Te amo tanto! Vai em paz!", escreveu o filho Paulo Henrique no Instagram.

Homem da cultura

Nascido em Lavras do Sul (RS), em 20 de março de 1937, Paulo José Gómez de Souza iniciou a carreira no teatro amador, em Porto Alegre, antes de se mudar para São Paulo, no início dos anos 1960, quando começou a trabalhar no Teatro de Arena. Sua primeira peça como ator foi "Testamento de um cangaceiro", de Chico de Assis, em 1961.

Ainda na década de 1960 estreou no cinema, no clássico "O padre e a moça" (1966), de Joaquim Pedro de Andrade. No mesmo ano estrelou, ao lado de Leila Diniz, "Todas as mulheres do mundo", longa de Domingos Oliveira premiado no Festival de Brasília do mesmo ano e eleito, em 2015, pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Em entrevista ao Globo em 2018, o ator comentou:

— Tive uma sorte danada em poder acompanhar aquele momento da História do país através desses filmes — diz o ator, referindo-se à sua trajetória inicial, que vai de “O padre e a moça” (1966) a “Macunaíma” (1969), ambos de Joaquim Pedro de Andrade.

A estreia na TV veio com a novela "Véu de noiva" (1969), da TV Globo, escrita por Janete Clair. Em 1972, interpretou o mecânico-inventor Shazan na novela "O primeiro amor", de Walther Negrão, fazendo enorme sucesso ao lado de Flávio Migliaccio. O sucesso na novela rendeu à dupla de atores um seriado próprio, "‘Shazan, Xerife e cia.", exibido na emissora entre 1972 e 1974.

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Em mais de seis décadas de carreira, Paulo José atuou em mais de 20 novelas e minisséries, como "Roda de fogo" (1986), "Tieta" (1989), "Vamp" (1991) e "Senhora do destino" (2004), todas na TV Globo. Na emissora, dirigiu as minisséries "Agosto" (1993), "Memorial de Maria Moura" (1994) e "Incidente em Antares" (1994).

Sua última aparição na TV foi como o vovô Benjamin na novela "Em família" (2014), de Manoel Carlos, que na trama também sofria com o Parkinson. Uma de suas atuações mais marcantes na TV foi em uma novela do mesmo autor, "Por amor" (1997), na qual interpretou o alcóolatra Orestes.

Em 2017, o ator foi homenageado com o documentário "Todos os Paulos do mundo", de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira, que destaca sua vida e obra e sua grande contribuição ao cinema, em mais de 50 produções, entre elas clássicos como "Edu, Coração de Ouro" (1967), "Macunaíma" (1969), "Eles não usam black-tie" (1981).

Entrevistado pelo GLOBO para falar do documentário, o diretor teatral Aderbal Freire-Filho declarou ao GLOBO:

— Paulo é o sábio da antiguidade na modernidade. Ele te aconselha, como um filósofo grego, ele entende de câmera, de ator, de roteiro, de tempo, de eternidade... E mais do que tudo, o Paulo é bom. Tenho a impressão de que o Paulo é o melhor homem do mundo. Esse deveria ser o nome do filme.

Um de seus últimos sucessos no cinema foi "O palhaço" (2011), dirigido por Selton Mello. Nesta segunda-feira o ator, que interpreta Dom Pedro II na novela "Nos tempos do Imperador" (TV Globo) dedicou ao amigo a estreia: "Este trabalho é dedicado ao meu maior mestre: Paulo José. O ator que me mostrou a maneira de imprimir o máximo, com o mínimo de recursos. Ele me abriu portais. Meu amor por ele é gigante. Paulo, eu faço meu trabalho pensando sempre como você faria. Te amo", declarou-se Selton em seu perfil no Instagram.

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