
À frente da bateria da Unidos da Tijuca, o Mestre Casagrande falou sobre o sentimento que toma conta da escola na véspera da apuração do Carnaval do Rio de Janeiro 2026.
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Recém-premiado com o Estandarte de Ouro, o mestre ressaltou a confiança no trabalho apresentado na avenida e a esperança de alcançar a pontuação necessária para um bom resultado.
“Temos a certeza do dever cumprido. A nota é sempre uma caixa de surpresas, mas sabemos que fizemos um trabalho legal. Estamos esperançosos de conseguir a pontuação que a escola precisa”, afirmou.
Segundo ele, a ansiedade tomou conta após o desfile, a ponto de quase não conseguir dormir. “Desde cedo o telefone não parou, mas faz parte. Agora é aguardar”, completou, demonstrando serenidade e confiança às vésperas do resultado oficial.
Samba-enredo da Unidos da Tijuca
O enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval do Rio de Janeiro 2026 foi "Carolina Maria de Jesus". A agremiação exaltou a trajetória desta, que é uma das maiores escritoras do Brasil.
Carolina é autora de livros como Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada, Fome, e Diário de Bitita. Confira a letra do samba-enredo abaixo.
Eu sou filha dessa dor
Que nasceu no interior de uma saudade
Neta de Preto Velho
Que me ensinou os mistérios
Bitita cor, retinta verdade
Me chamo Carolina de Jesus
Dele herdei também a cruz
Dele herdei também a cruz
Olhe em mim, eu tenho as marcas
Me impuseram sobreviver
Por ser livre nas palavras
Condenaram meu saber
Fui a caneta que não reproduziu
A sina da mulher preta no Brasil
Os olhos da fome eram os meus
Justiça dos homens não é maior que a de Deus
Meu quarto foi despejo de agonia
A palavra é arma contra a tirania
Sonhei sobre as páginas da vida
Ilusões tolhidas no sistema algoz
Que tenta apagar nossa grandeza
Calar a realeza que resiste em nós
Dos salões da burguesia aos barracos do Borel
Onde nascem Carolinas
Não seremos mais os réus
Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados
Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado
Meu país nasceu com nome de mulher
Sou a liberdade, mãe do Canindé






























