
Paraíso do Tuiuti levou à Sapucaí a fé ancestral que cruzou oceanos. Com o enredo “Lonã Ifá Lucumí”, escola transforma a avenida em território sagrado ao narrar a travessia espiritual do oráculo de Orunmilá da África ao Brasil.
A Paraíso do Tuiuti trouxe um desfile de forte impacto simbólico e espiritual na Marquês de Sapucaí ao apresentar o enredo "Lonã Ifá Lucumí", uma celebração da fé que atravessou o Atlântico, resistiu ao apagamento histórico e floresceu nas Américas. A proposta é conduzir o público por uma jornada milenar do Ifá, sistema oracular de Orunmilá, conectando África Ocidental, Caribe e Brasil em um mesmo canto de ancestralidade e saber.
O samba-enredo sustenta essa narrativa com potência poética e respeito às matrizes africanas, exaltando o conhecimento transmitido pelos babalawos e a força do Ashé como energia vital que move a criação. Ao longo do desfile, o Tuiuti transforma a avenida em espaço de reverência, mostrando como o Ifá percorreu civilizações, sobreviveu à diáspora africana e se enraizou em diferentes territórios, mantendo viva a tradição e o culto a Orunmilá.
Mais do que um espetáculo visual, a escola aposta em um canto coletivo de memória, identidade e resistência. O samba, entoado com emoção, guia o público pelo "caminho do Ifá", reafirmando o Carnaval como lugar de educação, espiritualidade e reconhecimento das heranças africanas que moldam a cultura brasileira. Na Sapucaí, o Tuiuti não apenas desfila: ensina, emociona e reverência.
Samba-enredo
Ibarabô
Agô lonã, olukumi
Ibarabô
Agô lonã, olukumi
Iboru, Iboya, Ibosheshe
Canta, Tuiuti
Iboru, Iboya, Ibosheshe
Canta, Tuiuti
Meu padrinho me falou
Cada um tem seu orí
O destino é professor
A raiz é Lucumí
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para a vida
Olodumarê, criador
Espalhou axé e amor
No ilê dos orixás
E o negro, iniciado no segredo
Do reino de Olokun, fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha
Babá moforibalé
Babá moforibalé
Orunmilá taladê
Babá moforibalé
Eleguá
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o coro vai comer
Nas barbas de Havana
Ah, o ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o idefá
Ah, a rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelé e no opon-ifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda: O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô
Ibarabô
Agô lonã, olukumi
Ibarabô
Agô lonã, olukumi
Iboru, Iboya, Ibosheshe
Canta, Tuiuti
Iboru, Iboya, Ibosheshe
Canta, Tuiuti
Meu padrinho me falou
Cada um tem seu orí
O destino é professor
A raiz é Lucumí
Ifá, retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odu e seus caminhos
Com os ikins de Orunmilá
Me dê seu irê para a vida
Olodumarê, criador
Espalhou axé e amor
No ilê dos orixás
E o negro, iniciado no segredo
Do reino de Olokun, fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro babalaô da ilha
Babá moforibalé
Babá moforibalé
Orunmilá taladê
Babá moforibalé
Eleguá
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o coro vai comer
Nas barbas de Havana
Ah, o ânimo de ser do baticum
Com a lâmina sagrada de Ogum
E a sina de quem ama o idefá
Ah, a rama do Caribe se expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do opelé e no opon-ifá
Derruba os muros quem sabe asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda: O ebó vence a dor
Sentado à esteira de um babalaô
Ibarabô
Agô lonã, olukumi
Ibarabô
Agô lonã, olukumi
Iboru, Iboya, Ibosheshe
Canta, Tuiuti
Iboru, Iboya, Ibosheshe
Canta, Tuiuti
Sobre a Paraíso do Tuiuti
A Paraíso do Tuiuti é uma escola de samba sediada no Rio de Janeiro. Teve sua origem no Morro do Tuiuti, localizado no bairro de São Cristóvão. As primeiras negociações apontam o ano de 1952 como data de criação da escola.
No entanto, sua fundação só foi concretizada em 1954, com a extinção da Unidos do Tuiuti. As cores da agremiação são azul e amarelo. Essas cores, assim como o nome, fazem referência às duas primeiras escolas da comunidade: o azul veio da Unidos do Tuiuti, e o amarelo, da Paraíso das Baianas.


































