Desfiles da semana de alta-costura
Divulgação/ Instagram
Desfiles da semana de alta-costura

A temporada de alta-costura começou em Paris, e coube à Schiaparelli abrir a semana com um desfile marcado pelo maximalismo e pela criatividade. A maison reafirmou sua identidade surrealista e mostrou que o diretor criativo Daniel Roseberry continua disposto a expandir os limites da alta-costura.

Entre os convidados, Bad Bunny chamou a atenção ao surgir com um terno em tom amarelo-manteiga, traduzindo em seu visual a mesma ousadia apresentada na passarela. No entanto, foi a coleção que concentrou todos os olhares.

À frente da Schiaparelli há oito anos, Roseberry apostou, mais uma vez, em uma construção visual exuberante, marcada por um trabalho artesanal minucioso, silhuetas impactantes e detalhes que chamaram a atenção do público. O estilista também manteve os dois pilares que vêm definindo sua trajetória na maison: o surrealismo e a valorização da alta-costura como forma de expressão artística.


Outro destaque da coleção foi o uso de próteses de silicone aplicadas ao corpo das modelos para criar silhuetas excêntricas, reforçando o surrealismo que acompanha a história da Schiaparelli desde sua fundadora, Elsa Schiaparelli. Ao mesmo tempo, bordados elaborados com pérolas, flores e cristais conferiram profundidade e riqueza às peças, evidenciando o virtuosismo técnico da alta-costura e o maximalismo que se tornou uma das principais marcas da maison.


Ainda no primeiro dia da Semana de Alta-Costura, a Dior apresentou uma das coleções mais aguardadas da temporada. Em sua estreia na alta-costura da maison, Jonathan Anderson explorou volumes, t exturas e silhuetas esculturais em uma coleção que transformou a passarela em uma verdadeira celebração da natureza.

As referências artísticas conduziram grande parte da narrativa do desfile. Em entrevistas, o estilista revelou que buscou inspiração na obra da artista Lynda Benglis, cujas formas orgânicas dialogam diretamente com as silhuetas apresentadas na coleção. Além dela, nomes como Gustav Klimt, Lucio Fontana e Berthe Morisot foram reinterpretados nas criações.

Um dos momentos de maior destaque foi o vestido de noiva rendado, que faz referência à pintura Portrait of Margaret Stonborough-Wittgenstein (1905), de Gustav Klimt, traduzindo para a alta-costura elementos da história da arte com uma abordagem contemporânea.


No segundo dia da programação, Chanel e Armani Privé protagonizaram alguns dos momentos mais comentados da Semana de Alta-Costura.

Na Chanel, Matthieu Blazy apresentou sua segunda coleção de alta-costura desde que assumiu a direção criativa da maison. A atmosfera lúdica e fantasiosa tomou conta da apresentação desde os primeiros minutos. A trilha sonora, ao som de Kiss Me, da banda Sixpence None the Richer, clássico do fim dos anos 1990, ajudou a construir o clima nostálgico do desfile.

O cenário, composto por flores gigantes, reforçou o universo imaginado por Blazy e serviu de pano de fundo para uma coleção que combinou romantismo, delicadeza e sofisticação, reafirmando a identidade da Chanel sob o olhar do novo diretor criativo.


O imaginário dos contos de fadas esteve presente em diversos detalhes da coleção. Sapatos com saltos em formatos de flores, galinhas, ovos, feijões e borboletas chamaram a atenção, assim como as minibolsas adornadas com os mesmos elementos, reforçando o caráter lúdico da apresentação.

Uma das maiores surpresas do desfile ficou para o encerramento. Diferentemente da tradição da alta-costura, Matthieu Blazy optou por não finalizar a apresentação com um vestido de noiva.

Segundo o estilista, o verdadeiro conto de fadas da Chanel é a trajetória de Gabrielle Chanel, que nunca se casou, mas transformou a história da moda ao criar uma de suas peças mais emblemáticas: o icônico vestido preto básico (little black dress), escolhido para encerrar o desfile como uma homenagem ao legado da fundadora da maison.

Vestido Chanel Preto
Divulgação/ Chanel
Vestido Chanel Preto


Já na Armani Privé, Silvana Armani apresentou sua segunda coleção couture à frente da linha de alta-costura da maison. A diretora propôs um equilíbrio entre a sofisticação clássica da alfaiataria da marca e uma sensualidade mais sutil, construída por meio de rendas, transparências e modelagens precisas.


Sem abrir mão da elegância característica da grife, a coleção valorizou o trabalho de construção das peças e mostrou como a sensualidade pode ser expressa por meio da própria arquitetura das roupas, sem excessos.





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