Cátia Fonseca: "Dedico 80% do que sou ao sofrimento que passei na Record"

Por Vinícius Ferreira , iG Gente |

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Apresentadora do "Mulheres", na TV Gazeta, recebeu o iG nos bastidores para um balanço sobre a vida, os 19 anos de televisão e o fim do casamento de 27 anos

Cátia Fonseca: 44 anos, mãe de dois filhos, um de 26 e outro de 21 anos, apresentadora do programa 'Mulheres', na Gazeta, e fascinada por ser feliz. Foto: André Giorgi/iGCátia Fonseca: 'Tenho objetivos de fazer programas diferentes deste, como um de auditório, mas sou tranquila, não fico planejando para não me frustrar'. Foto: André Giorgi/iGCátia Fonseca: 'Funciono muito melhor a base de críticas do que elogios, sou esquisita'. Foto: André Giorgi/iGCátia Fonseca: 'Eu era intransigente, cabeça dura, tonta e levava a vida a ferro e fogo'. Foto: André Giorgi/iGCátia Fonseca: 'Tenho compulsão por paninhos, porque faço patchwork. Lá em casa tem quatro maquinas de costuras, que ainda não sei para que servem'. Foto: André Giorgi/iGCátia Fonseca nos bastidores do programa 'Mulheres', na Gazeta. Foto: André Giorgi/iG


Com o passar dos anos, o que as pessoas mais desejam para suas vidas é sossego, comodidade e estabilidade. Isso pode valer para a maioria, mas não para Cátia Fonseca, que aos 44 anos afirma que ainda nem começou a traçar seu futuro, e que tem só um foco na vida: ser feliz. "Tomei tanta porrada do meu terapeuta que serviu para descobrir que tudo só depende de mim. A culpa de tudo era sempre minha. Vivia com complexo de coitadinha, mas hoje mudei demais e me tornei uma pessoa egoísta, onde preciso ser feliz, ser honesta comigo."

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Tinha muito o complexo da coitadinha. Comecei a fazer terapia para tentar me entender com meu filho caçula, que estava com 14 anos. Quando cheguei lá, foi tanta bordoada que descobri que o problema era eu”

No comando do programa "Mulheres", na TV Gazeta, há 11 anos, ela é dona de títulos curiosos, como o de "rainha de merchandising" - ela faz 22 inserções publicitárias durante todo o programa -, e musa de gafes ao vivo do quadro "Top 5", do humorístico "CQC", da Band. "Uma vez, uma moça, que o nome não vem ao caso, veio aqui e falou ao vivo que não gostava de mim. Outra vez, um médico ortopedista ficou tão nervoso que colocou a mão por baixo da mesa e apertou meu joelho me pedindo socorro", relembrou Cátia, dando gargalhadas.

André Giorgi/iG
Cátia Fonseca


Ao longo dos 19 anos de televisão, a apresentadora já substituiu Ana Maria Braga  no "Note e Anote", na Record, período que considera "pesado" por conta das críticas e porque ficou sabendo que tinha sido demitida ao vivo durante uma participação no Teleton, do SBT, emissora concorrente. "Dedico 80% do que sou ao sofrimento que passeia na Record", aponta.

Sempre tive compulsão por paninhos, mania de comprar sapato, de organizar tudo por cores, tamanhos, modelos, tudo em caixinhas... Mas hoje eu estou em um processo inverso. Depois que me separei, estou aproveitando para mudar tudo. Antes eu acordava cedo, agora, que sou sozinha, fico morgando na cama até às dez horas”

O iG  acompanhou uma tarde com Cátia Fonseca nos bastidores do "Mulheres" e descobriu que tudo ali é de verdade: o bolo é para comer - e a apresentadora come mesmo -, a Mamma Bruschetta  existe e que Cátia dá risada o tempo todo. Confira o bate-papo com ela, que falou sobre a carreira, os projetos de vida e a separação do jornalista Dafnis da Fonseca  após 27 anos de união e dois filhos, Thiago, de 26 anos, e Felipe, de 21 anos. Atualmente, Cátia namora Rodrigo Riccó, diretor de seu programa.

André Giorgi/iG
Cátia Fonseca



iG: Você está completando onze anos no "Mulheres" e 19 de televisão. Você se sente realizada profissionalmente?
Cátia Fonseca:  Deus que me livre. Acho que o dia que estivermos enraizados, a vida acabou. Acho que cada dia é, e tem que ser, diferente do outro. Nunca vou achar que me realizei. Por mais que tente levar minha carreira, minha vida para um lado, ela própria busca seus próprios caminhos, então acho que é isso. A gente nunca sabe o que vai acontecer e sonhos e objetivos eu tenho sempre.

Saí de casa porque percebi que já não estava legal, porque achava muito bom quando tinha que trabalhar e não ter que voltar para casa. Eu não queria ter raiva dele, e nem que ele tivesse de mim. A questão, é que eu mudei demais e me tornei uma pessoa egoísta, onde eu preciso ser feliz, ser honesta comigo”

iG: Como você consegue estar sorrindo quatro horas por dia, cinco dias por semana ao vivo?
Cátia Fonseca:  Isso aqui é muito divertido, todo mundo é muito leve. Claro que queremos dar audiência, mas não temos aquela pressão de fazer isso a qualquer custo. Nunca vou mostrar uma coisa que não existe. Se cair uma parte do cenário, vou falar que caiu, se o monitor apagar, tudo bem, vou assumir e ninguém vai se desesperar. Não temos estresse de deixar tudo quadradinho.

iG: Quando você chega para o programa, o que você sabe sobre ele?
Cátia Fonseca:  Sei quais são as pautas, mas que horas, como e quando vão entrar, não faço ideia. E eu adoro isso. Essa coisa do improviso é comigo mesmo. Por exemplo, teleprompter eu detesto. Até nos merchandising eu vou no improviso. Nunca gostei. O bom de começar em uma emissora que não tinha nada, nem dinheiro para cartolina, como a Rede Mulher, é que a gente aprende a se virar.

iG: Já passou por saia-justas com entrevistados por ser ao vivo?
Cátia Fonseca:  Olha, já me aconteceu de tudo. Uma vez, uma moça, que o nome não vem ao caso, veio aqui e falou ao vivo que não gostava de mim. Na hora ignorei e brinquei dizendo que a adoro, que ela era ótima. Outra vez veio um médico ortopedista. Fazíamos as entrevistas sentados em uma mesa triangular. O homem ficou tão nervoso que colocou a mão por baixo da mesa e apertou tanto, mas tanto o meu joelho, me pedindo socorro. Tem coisas loucas, mas não sei se é uma característica minha, porém, sinto a tensão do entrevistado, daí fico manipulando ele. É até maldade, mas vou tranquilizando eles com piadas.

iG: E gafes? Você encara numa boa?
Cátia Fonseca:  Sem problemas. Se erro, me corrijo, dou risada e pronto. Claro que fico chateada de errar coisas bobas depois de tantos anos, mas não fico me lamentando, porque se ficar, este será o primeiro de uma legião de erros e gafes.

iG: Que negócio é esse de que você queria que demitissem a Mamma Bruschetta quando você foi contratada?
Cátia Fonseca:  Já cheguei aqui pedindo a cabeça dela. Cheguei e falei na lata que não gostava dela e que não queria ela. Quando a Gazeta me chamou, foi a única exigência. Eu disse: 'Não vou vincular minha imagem com a da Mamma, ela é muito maldita, fica arrumando confusão com todo mundo'. Daí levaram ela para Roma, o papa abençoou e ela ficou boazinha. Hoje ela é minha gordinha.


iG: Você é feliz na sua profissão?
Cátia Fonseca:  Adoro. Não consigo fazer nada que eu não goste. O dia que eu falar que não dá mais, prefiro sair. Detesto monotonia. Jamais trabalharia em um lugar fechado e previsível.

iG: Mesmo gostando de onde está, como lida com as propostas para ir para outro lugar? Não tem vontade de seguir para uma televisão com maior abrangência?
Cátia Fonseca:  Tenho uma ótima convivência com a Gazeta. Propostas já recebi muitas, mas para você sair, tem que ser algo que vá te fazer muito melhor do lugar que você está. Dinheiro é importante, sim, mas às vezes o monte que te chacoalham na frente não vai te dar felicidade, nem pagar a sua paz. Aqui é um casamento, e ele tem que ser feliz.

iG: Qual o próximo passo que você quer dar então na sua carreira?
Cátia Fonseca:  Olha, não sou muito de planejar nada não. Tenho objetivos de fazer programas diferentes deste, como um de auditório, mas não que eu queira para o ano que vem. Eu sou tranquila, não fico planejando para não me frustrar.

André Giorgi/iG
Cátia Fonseca

iG: De alguns anos para cá, você ganhou destaque ao se tornar musa do quadro Top 5 do programa "CQC", da Band. Te incomoda que riam de você?
Cátia Fonseca:  Imagina! Os meninos são muito inteligentes e eu sou bem-humorada. Meu humor é masculino, eu não fico tocadinha com piada, não sou feita de açúcar. Para ser sincera, sem querer eles divulgam a gente, o que é bom, porque precisamos de divulgação sempre.

iG: E antes desse título, você já é conhecida pelo de rainha de merchandising. Não tem medo de ficar vinculada a tantas marcas e propagandas?
Cátia Fonseca:  Nós temos 22 merchandising por dia. Tem gente que se sente mal fazendo merchandising, mas quem trabalha nesse meio sabe que precisa pagar as contas no fim do mês, e muitas vezes, programas superlegais acabam por bobeira de falta de faturamento. De janeiro até dezembro vendo tudo. Mas até em relação aos merchandising eu posso dizer se quero ou não fazer. Se quebrar minha imagem, sei que não tem o que fazer depois, por isso escolho os que faço.

iG: Você comanda o programa com muita naturalidade, parece que nasceu fazendo isso. Quando foi que deu o click de querer ser apresentadora?
Cátia Fonseca:  Nunca quis ser apresentadora. Fui fazer um curso de televisão e logo em seguida surgiu a oportunidade na Rede Mulher. Fui lá com a cara e coragem e bati na porta pedindo um teste. O senhor Waldemar de Barros, diretor na época, me disse que tinha uma vaga para apresentar um programa de culinária. Eu não queria de jeito nenhum, mas como precisava trabalhar, fui lá, fiz o teste, passei e estou nessa até hoje.

Minha vida é tão chata. Eu dificilmente vou em festas e raramente saio de casa. Uma coisa que eu sempre fiz questão de colocar dentro de mim, é que eu estou na televisão, mas não sou da televisão. Se amanhã eu sair daqui, tudo bem, porque eu tenho a minha vida”

iG: Em 1999, você substituiu a Ana Maria Braga no "Note e Anote", na Record. Nesse período, recebeu mais críticas ou elogios?
Cátia Fonseca:  Então, pela forma como eu substituí, que foi assim: me ligaram na sexta-feira e eu comecei na segunda. Gravei dois pilotos e do nada, a senhora dona de casa que estava esperando a Ana Maria Braga encontrou a louca aqui, que ninguém sabia quem era. Como foi tudo do nada, confesso que o primeiro mês foi duro. Até que as pessoas percebessem que eu não estava ali para substituir a Ana Maria, mesmo porque nem queria ser a Ana Maria, mas sim para ser eu, a Cátia. Foi sofrido. Mas posso falar, funciono muito melhor à base de críticas do que de elogios. Sou esquisita, deu certo esse período de sofrimento.

iG: Existe uma rivalidade entre vocês apresentadoras de televisão?
Cátia Fonseca:  Que nada menino. Isso é lenda. Adoro a Ana Maria, assim como adoro outras tantas apresentadoras. Tenho um monte de fotos com a Sônia Abrão, com quem disputo audiência no mesmo horário. Isso é uma coisa tão boba. Todo mundo fala que eu e a Claudete nunca nos demos bem, mas é mentira. Foi ela própria que me indicou para o meu primeiro emprego. Não vou dizer que somos amigas, mas nunca tivemos problemas.

iG: Você ficou mesmo sabendo no palco do Teleton, no SBT, que a Claudete Troiano ia te substituir na Record?
Cátia Fonseca:  Então, toda televisão tem sua rádio peão, e eu já vinha ouvindo algumas coisas, mas nada oficial, nada que alguém da diretoria tivesse vindo falar comigo. Então realmente foi lá no SBT que fiquei sabendo que tinha sido dispensada. A Hebe veio falar comigo sobre as mudanças no sentido de me apoiar, e eu não sabia de nada ainda. Só quando saí do Teleton que fui comunicada.

iG: Guarda muita mágoa da Record e desse episódio?
Cátia Fonseca:  Nem um pouco. A gente já vinha com alguns problemas e descobri ao longo dos anos que não importa o que a gente faz, mas sim como fazemos. Na época, eu era um pouco intransigente, muito nova, cabeça dura, tonta e levava a vida a ferro e fogo. Eles queriam modificar o programa e eu não aceitei a mudança. Como já disse, gosto de aprender no negativo, e foi na Record que vivi isso. A profissional que sou hoje dedico 80% ao sofrimento que passei com a pressão excessiva na Record. Naquela época eu não entendia, mas hoje compreendo que a cobrança te transforma. Cresci por culpa deles, e agradeço aos meus inimigos, porque se não fossem eles, não seria quem eu sou.

iG: Onde encontra tamanha paz e maturidade?
Cátia Fonseca:  Com muita terapia. Tinha muito o complexo da coitadinha. Comecei a fazer terapia para tentar entender e me entender com meu filho caçula, que estava com 14 anos. Quando cheguei lá, foi tanta bordoada que descobri que precisava era me entender. Tomei tanta porrada do meu terapeuta que serviu para descobrir que tudo só depende de mim. A culpa de tudo é sempre nossa, não adianta.

iG: As críticas te incomodam?
Cátia Fonseca:  Olha, depende. Se for para falar de mim, com certeza não. Agora, se envolver quem não tem nada a ver, envolver minha família, aí o negócio pega. São pessoas que não escolheram a minha profissão, então eu viro onça se mexem com minha família.

iG: Você está com 44 anos e em excelente forma. Como mantém esse corpo?
Cátia Fonseca:  A gente tem que querer estar sempre bem. Eu nunca vou querer fazer plástica para parecer mais nova do que sou. Não quero ter cara de 20 anos, porque já tive 20 anos. Eu busco sempre estar bem e com saúde. Minha família tem problema com colesterol alto, hipertensão, então voltei a fazer pilates e musculação com personal trainer. E posso falar? Isso é um vício, porque quando você se sente bem se exercitando, você não tem vontade de comer. Mudei muito meus hábitos e hoje não como frituras, quase não coloco açúcar na minha dieta. Minha família sempre foi muito natureba.

iG: Já fez plásticas?
Cátia Fonseca:  Já fiz lipoaspiração, que não gosto nem de lembrar. Parecia que eu tinha sido atropelada por um trem bala na ida e na volta. E coloquei silicone depois que amamentei os dois filhos.

iG: E falando em filhos, eles são muito ciumentos com a mãe?
Cátia Fonseca:  Que nada. O Thiago, mais velho, está com 26 anos, e o caçula, Felipe, com 21 e já está até casado. Criei eles muito desencanados, tanto que às vezes batem aquelas crises de mulher que deveria ter criado eles mais dependentes de mim.

iG: Você não é o tipo de apresentadora que faz presença vip, que vive saindo em capas de revista e sendo fotografada pelas ruas. O que você faz longe da televisão?
Cátia Fonseca:  Minha vida é tão chata. Dificilmente vou a festas e raramente saio de casa. Recebo meus amigos em casa, cozinho para eles. Uma coisa que sempre fiz questão de colocar dentro de mim é que estou na televisão, mas não sou da televisão. Se amanhã eu sair daqui, tudo bem, porque tenho a minha vida.

iG: Você tem manias?
Cátia Fonseca:  Muitas! Tenho compulsão por paninhos, porque faço patchwork. Lá em casa tem quatro máquinas de costura, que ainda não sei para que servem. Tenho mania de comprar sapato, de organizar tudo por cores, tamanhos, modelos, tudo em caixinhas... parece uma loja meu guarda-roupas. Mas posso falar, hoje estou em um processo inverso. Depois que me separei e me mudei então, estou aproveitando para mudar tudo. Antes eu acordava cedo, não conseguia ficar parada. Agora que sou sozinha fico morgando na cama até as dez horas. Tive filhos muito cedo, com 18 anos eu já tinha o Thiago, então minha vida era ser casada e criar filhos. Hoje meus filhos cresceram e eu posso fazer aquilo que eu curto, que eu gosto. Não tenho mais aquela obrigação de levar filho para a escola, de arrumar tudo. Janeiro vou fazer pela primeira vez uma coisa que eu sempre morri de vontade. Aluguei um carro e vou sair por aí sem saber por onde, nem quando volto.

iG: Como estava sua vida na hora que você decidiu mudar e se separar?
Cátia Fonseca:  Então, casamento é uma coisa que a gente começa numa estrada onde as duas pessoas estão juntas. Mas depois de um tempo, começamos a ver que nossos propósitos de vida eram muito diferentes. Eu e meu ex-marido tentamos durante alguns anos ver se dava certo, principalmente porque o Felipe era muito jovem ainda, e até que foi dando. Mas percebemos que não nos amávamos mais como deveríamos para continuarmos casados. Parei e pensei muito em como eu quero estar daqui a 20 anos, com 64. Será que eu ia querer continuar a viver pela metade, no que diz respeito ao que eu penso de vida? Será que eu queria que ele se arrependesse de ter vivido pela metade também? Foi aí que decidi que não dava mais, e como a decisão foi minha, nada mais justo que eu saísse de casa até ele se sentir confortável e preparado para darmos andamento ao divórcio. Saí porque percebi que já não estava legal, porque achava muito bom quando tinha que trabalhar e não ter que voltar para casa, e isso é muito chato. Não queria ter raiva dele e nem que ele tivesse de mim. Não existe uma pessoa errada nessa hora, existem os dois lados, todos culpados, e aí essa raiva é meio inevitável. A questão é que mudei demais e me tornei uma pessoa egoísta, preciso ser feliz, ser honesta comigo.

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