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Mais focada no drama de suas protagonistas, a série abre espaço para conflitos específicos de mulheres bem sucedidas profissionalmente no contexto dos anos 80 e Betty Gilpin e Alison Brie arrasam na temporada

Uma das melhores surpresas de 2017, “Glow” cativou por ser feminista sem ser panfletária, por aliar inteligência e emoção com ternura e graciosidade e por apostar em um elenco talentoso com a até então subaproveitada Alison Brie à frente. A segunda temporada, disponível na Netflix desde o final de junho, eleva o nível do programa criado por Liz Flahive e Carly Mensch.

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Yolanda, de collant amarelo, é a novidade no grupo das meninas de Glow
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Yolanda, de collant amarelo, é a novidade no grupo das meninas de Glow

O segundo ano começa com Ruth (Brie) empolgada com seu recém-descoberto talento para a direção e com Sam (Marc Maron) inseguro por conta disso. O choque entre ambição feminina e insegurança masculina, aliás, é o principal estofo dramático dos primeiros episódios do 2º ano de “Glow” . A série captura brilhantemente, principalmente no contexto dos anos 80, como o trabalho criativo das mulheres é menosprezado de maneira institucionalizada.

As meninas gravam um comercial para a nova temporada do
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As meninas gravam um comercial para a nova temporada do "Gorgeous Ladies of Wrestling" em Glow

O sensacional quinto episódio, denominado “Perverts are People, Too” tem um arco inspirado pelo megaprodutor caído em desgraça Harvey Weinstein e é um triunfo tanto de sensibilidade, no alcance que dá a milhares de histórias soterradas pelo hábito, como de assertividade, ao mostrar a arbitrariedade e abuso de poder que pautam relações profissionais.

No episódio em questão, Ruth é convidada pelo presidente da emissora que exibe a série para discutir sua carreira e seus avanços vão ficando cada vez mais incômodos. A maneira como o episódio reverbera nos conflitos do restante da temporada é não somente um triunfo de roteiro, mas também uma demonstração eloquente dos efeitos práticos de uma dinâmica tão perversa.

Por falar em dinâmica e em perversidade, a relação complexa e bipolar entre Ruth e Debbie (a excepcional Betty Gilpin ) ganha mais tensão e fluxo no segundo ano respondendo pela melhor linha narrativa da temporada. As atrizes se entregam às verdades de suas personagens e é possível compreender o momento emocional de ambas e o porquê delas agirem como agem em relação uma a outra.

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Pressão dramática

A segunda temporada de Glow é uma temporada de crescimento emocional para Ruth
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A segunda temporada de Glow é uma temporada de crescimento emocional para Ruth

Mais do que no primeiro ano, “Glow” é mais das duas aqui. Ainda que tenhamos uma nova garota no pedaço, a latina, lésbica e cheia de autoestima Yolanda (Shakira Barrera), uma inesperada rivalidade entre Melanie (Jackie Tohn) e Jenny (Ellen Yong) e Sam aprendendo a ser pai de Justine (Brit Baron), a temporada se afeiçoa aos dramas de suas protagonistas.

Debbie almeja ser levada mais a sério e consegue um posto de produtora do programa, mas Sam e Bash (Chris Lowell) resistem a incluí-la nas tomadas de decisões. Em paralelo, ela se irrita ao ver seu ex-marido seguindo com sua vida afetiva e, claro, desconta em Ruth. Como pode se perceber, ainda que haja espaço para humor, “Glow” retorna com uma pressão dramática constante.

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"Glow" , porém, não perde nem o brilho nem a purpurina. O último episódio, que redimensiona o desafio para essas mulheres tão apaixonantes, tem Madonna ( Crazy For You ) e Starship ( Nothing´s Gonna Stop Us Now ) dando o tom de uma aventura cheia de lágrimas, alegrias e gente querida.

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