Terceiro e último filme da trilogia "Cinquenta Tons de Liberdade" chega de maneira melancólica ao cinema, sem expectativa dos fãs e apoio do estúdio

Chega com muito menos festa e antecipação aos cinemas o desfecho da trilogia best-seller de E.L James “Cinquenta Tons de Cinza”. O terceiro filme da série começa com o casamento de Christian Grey ( Jamie Dornan ) e Anastasia Steele ( Dakota Johnson ), evolui para a lua de mel em que Christian mal se esforça para disfarçar seus impulsos controladores e finalmente chega à rotina do casal, abalada pela disposição de Jack Hyde (Eric Johnson) machucar Christian e por uma gravidez indesejada.

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Cena de Cinquenta Tons de Liberdade, que estreia nesta quinta-feira (8) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Cena de Cinquenta Tons de Liberdade, que estreia nesta quinta-feira (8) nos cinemas brasileiros

Há muitas formas de se ver a franquia “Cinquenta Tons de Cinza” no cinema. Como um conto de fadas que parece inadequado para o cinismo e sisudez do mundo atual, como um filme que trata de duas pessoas inseridas em uma relação amorosa doentia que tentam a todo custo fazê-la funcionar, como uma comédia romântica com personagens com fetiches sexuais ou uma grande bobagem. De todo modo, o roteiro é fraco e a fonte (os livros), pobre.

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“Cinquenta Tons de Liberdade” repete os erros (muitos) e acertos (mais do que dão crédito) dos filmes anteriores. James Foley , que dirigiu o filme anterior, reveste o miolo do filme de cenas sensuais que se não fazem o público corar, pelo menos não entediam. O texto de Niall Leonard, marido de E.L James reforça a perspectiva machista da história promovendo um desencontro entre o filme e seu público alvo de roupagem mais contemporânea.

Dakota Johnsson novamente é a melhor coisa em um filme de Cinquenta Tons de Cinza
Divulgação
Dakota Johnsson novamente é a melhor coisa em um filme de Cinquenta Tons de Cinza

Ana precisa se adequar à vida de multibilionária, o que não é exatamente difícil, mas se revela mais penoso para ela do que o público está disposto a comungar. Questões como assumir ou não o nome do marido e sair com as amigas à revelia do mesmo ganham tratamento de dilemas existenciais. É tudo muito simplista em “Cinquenta Tons de Liberdade” e isso pode ser, se não irritante, risível.

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Trata-se de um filme, e uma franquia, que exige muita condescendência do espectador. Como tantas outras com guerras espaciais e indivíduos usando collants coloridos, mas a tragédia da série “Cinquenta Tons de Cinza” foi ter encontrado pouca tolerância a suas idiossincrasias. Algo que a melancólica despedida do cinema com “Cinquenta Tons de Liberdade” deixa patente.

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