Média-metragem de 26 minutos será exibido no Canal Brasil nesta sexta-feira (20), dia da posse de Trump. Luís Nachbin colhe depoimentos de pessoas de diversas procedências em uma viagem de trem pelos Estados Unidos

Donald Trump toma posse como presidente dos EUA nesta sexta-feira
Divulgação/Facebook
Donald Trump toma posse como presidente dos EUA nesta sexta-feira

Esta sexta-feira (20) é histórica. É o dia da cerimônia de posse de Donald Trump como o 45º presidente dos EUA. Muitos não acreditavam que esse dia chegaria, mas o choque, claro, não é tão grande quanto o que surgiu na noite e madrugada daquela já tão longínqua terça-feira, 9 de novembro de 2016; quando o mundo descobrira que mesmo derrotado no voto popular, Trump vencera Hillary Clinton no colégio eleitoral. O documentarista brasileiro Luís Nachbin estava em Buenos Aires quando a América e o mundo mudaram.

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“Ali no aeroporto, onde fiquei por volta de 12 horas para fazer uma conexão com os EUA, comecei a pensar no que eu poderia fazer sobre esse momento Donald Trump ”, explica o diretor de “Trem Trilhos Trump”, documentário de 26 minutos que o Canal Brasil exibe nesta sexta-feira (20), às 21h, como parte desse dia histórico. Ao iG , Nachbin conta que a ideia do filme surgiu ali; regada a cafés e pela expectativa por chegar aos Estados Unidos nesse momento de grande efervescência. “Eu tinha que chegar à Califórnia para dar continuidade a um documentário que eu estou fazendo sobre uma amiga minha haitiana, que é refugiada”, relata.  “Eu tinha que ir de Atlanta a Califórnia. Daí pensei em fazer um road movie desse momento tão polarizado do país”.

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Cena do filme
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Cena do filme "Trem Trilhos Trump"

Para o documentarista, o trem facilita a abordagem proposta: entrevistar pessoas de procedências e ideologias diferentes sobre o fenômeno político atravessado pelos Estados Unidos à luz da eleição do magnata republicano. “No trem, o tempo tá muito a favor. Do documentarista, das conversas”, teoriza Nachbin que revela ter se aproximado das pessoas nas áreas comuns, como o vagão-refeição. Ele só gravou os depoimentos que vemos no filme 5,10, ou 12 horas depois do primeiro contato.

O documentarista atesta que todas as pessoas abordadas foram muito receptivas a sua proposta e que apenas duas não quiseram gravar. “Mas por timidez ou incômodo com a câmera, não pela natureza do tema”. E os personagens que Nachbin prospectou naquele universo são inspirados.

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Há o pai que votou de maneira convicta em Trump, e diz que os extremos precisam saber dialogar, e a filha que confessa ter votado relutantemente em Hillary. Se receava não encontrar alguém que defendesse Trump em seu filme, Nachbin confessa surpresa com a resistência à figura de Hillary – pelo menos naquele universo do trem. “Não encontrei um eleitor convicto dela”. Essa carpintaria cinematográfica encontra respaldo em muitas análises que se sucederam a fatídica derrota em novembro. Até hoje há quem acredite que Bernie Sanders seria o candidato ideal dos democratas para superar Trump. Um dos entrevistados no filme, porém, vê na ascensão do republicano o “alerta” para que os Estados Unidos repensem seu sistema eleitoral.

Uma das entrevistadas em Trem Trilhos Trump
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Uma das entrevistadas em Trem Trilhos Trump

Do eleitor nova-iorquino que votou com o “regulamento embaixo do braço” no partido verde, à jovem do Alasca que vive com o mínimo e questiona a mentalidade de uma sociedade que elege um sujeito que desrespeita minorias, são muitas as reflexões ensejadas por “Trem Trilhos Trump”. São tantas que parecem extrapolar os 26 minutos de duração. A impressão é que se viu um filme muito maior. Mérito da afiada edição.

Donald Trump, com seus discursos inflamados, que no olhar proposto por uma das entrevistadas eram esvaziados em efetividade, mas potentes na comunicação com os receios e angústias de grande parte do eleitorado, surge como um personagem forte no filme. Mais forte do que Trump, apenas o paralelo que Nachbin busca entre o momento de extrema polarização política vivido nos Estados Unidos com o que temos aqui no Brasil. A pergunta se Trump é o seu presidente, que ele faz para alguns de seu interlocutores, ganha uma conotação pesada do lado “Fora Temer” do atlântico.  

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