Cantor fala sobre relacionamento com Pamela Noronha, de 21 anos, revela-se um homem romântico e desabafa: "Preciso de alguém, preciso conversar"


“Não vou falar da minha vida porque pouco significa já que vou viver mais uns cinco anos”. A frase de Moacyr Franco   soa pessimista, mas ela não é novidade. É uma cisma do cantor.  Há dois anos, ele declarou ao iG que teria apenas mais sete anos pela frente . Questionado se fica contando o tempo que acredita que resta ter, ele é direto: “Não, é que sou prático”.

Estou com 77 anos, mais os cinco (risos) e quero aproveitar muito para reconstruir e para inventar coisas que façam outras pessoas felizes”

O cantor, que já trabalhou em rádio, TV, cinema, teatro e fez sucesso com suas músicas românticas, pretende aproveitar esses seus “últimos cinco anos” trabalhando bastante e tentando mostrar sua história para os filhos mais jovens. “Estou com 77 anos, mais os cinco (risos) e quero aproveitar muito para reconstruir e para inventar coisas que façam outras pessoas felizes”, afirmou Moacyr, pai de Moacyr Franco Jr. , Guto Franco , Maria Cecília , Johnny Franco   e dos gêmeos Ana Helena   e Domenico , de seu último casamento com Daniela Franco , que chegou ao fim no início de 2010.

Moacyr afirma que não quer se casar novamente, mas desde fevereiro é par de  Pamela Noronha, 56 anos mais jovem que ele . Ao falar da namorada, o cantor troca a aliança dourada do dedo anelar esquerdo para o direito e diz que aquilo é uma brincadeira entre eles. “Já briguei umas 50 vezes com essa menina, o que é completamente doido. E a gente está aí, vai indo, vai brincando e começa de novo. Só que, não sei ela, mas eu sofro muito todas as vezes que acaba”, afirma, emocionado, como acontece em tantos outros trechos do bate-papo na sua casa, na Grande São Paulo.

Apesar da primeira impressão pessimista, Moacyr garante que está em ótima fase, muito melhor do que há dois anos, quando conversou com o iG. “Sou um outro Moacyr”, garante ele enquanto almoça tranquilamente antes de partir para mais uma conversa com uma dupla sertaneja novata. Jovens artistas costumam procurá-lo para ouvir conselhos que, segundo ele, nem sempre são seguidos. Com a confiança de quem trilhou uma carreira bem-sucedida em várias áreas além da música e que até hoje tem seus sucessos repercutidos nas vozes dos maiores nomes do sertanejo, Moacyr se diverte com a imaturidade de quem está começando e revela no bate-papo seus próximos passos.

iG: Você recebeu recentemente uma homenagem do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Como se sente com esse tipo reconhecimento?
Moacyr Franco:   Sempre tive uma repulsa por essas coisas culturais porque todas são preconceituosas demais. Acho muito burro o jeito que eles tratam a cultura. Outro dia fui a um grande jornal de São Paulo, fiz uma entrevista linda e quis conhecer o chefe de redação. Perguntei para ele porque sempre os jornais cometem essa besteira, trazem um especialista sobre o assunto para falar de economia, boxe e futebol e quando é para falar de música romântica, que é 80% do repertório brasileiro e 100% do que se vende, eles botam uma pessoa de jazz, que odeia isso. A gente sempre foi tratado nos jornais por quem nos odeia. 

Tenho certeza que vou sofrer, que ela vai terminar. Isso é inevitável. Se quando são da mesma idade já é assim, imagina quando é no meu caso”, sobre namorada

iG Mas o que achou da homenagem? 
Moacyr Franco:   Ser entrevistado pelo museu já é uma homenagem em si. Mas eles fizeram um apanhado, na visão deles, do que era importante na minha música. E me homenagearam. Foi muito bonito. Eu me emociono muito fácil, e eles foram muito delicados e respeitosos.

iG: Um amigo seu comentou que durante a gravação de um CD você chorou ao registrar uma canção porque tinha acabado de sair de um relacionamento. Você se emociona facilmente?
Moacyr Franco:   Eu simplesmente vivo. Me apaixono e vivo aquela paixão. Meu último casamento foi espetacular nisso. Era a última mulher da minha vida. A única a quem fui fiel. E o plano era ficar para o resto dos tempos. E acabou de repente, num susto. Escrevi um dia uma das esquetes mais engraçadas que já gravei, que era eu, querendo morrer de paixão, e o Carlos Alberto (de Nóbrega)   me questionando sobre isso. Quando terminou, eu disse uma frase que o Carlos Alberto me faz repetir todos os dias: “A minha vida acabou, mas segue o meu destino”. 

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iG: Você comentou que tem cinco anos de vida. Quando a gente conversou, há quase dois anos...
Moacyr Franco: : Eu tinha sete (risos).

iG: Você fica contando?
Moacyr Franco:   Não, é que sou prático. Fiz uma operação na cabeça há 30 anos, que não tinha a menor chance e acabou sendo um baita sucesso. Falei no programa do Milton Neves   que sou um perdedor nato. Quando tive aneurisma, Deus olhou para mim e falou: ‘não, você ainda tem muito a perder’. A partir daquilo passei a viver: ‘puxa, mais um ano’. Ou por outro lado, menos um ano. Mas fui me cuidando, nunca mais bebi, nunca mais fumei, nunca usei drogas, sempre tive muito cuidado, passo isso para meus filhos: risco zero. Acho que são mais cinco anos. E torço muito para dar tempo de eu convencer até meus próprios filhos de que fui competente. Cada vez mais a gente tem que ser momento e tentar construir momentos. É assim que levo minha vida amorosa.

iG: Você falou que sua ex foi a última mulher da sua vida, mas segue em busca de um amor...
Moacyr Franco : :   Ela foi a última esposa, com casamento.

iG: Então não quer casar novamente?
Moacyr Franco:   Tenho uma brincadeira com essa aliança (troca a aliança dourada da mão esquerda para a direita). Já briguei umas cinquenta vezes com essa menina, o que é completamente doido, improvável. E a gente está aí, vai indo, vai brincando, e começa de novo. Não sei ela, mas eu sofro muito todas as vezes que acaba. Porque ter uma relação a essa altura da vida é mais uma pena do que um presente. Tenho certeza de que vou sofrer, de que ela vai terminar. Isso é inevitável. Se quando são da mesma idade já é assim, imagina quando é no meu caso. Mas estou preparado para tudo.

Quando eu tive aneurisma, Deus olhou pra mim e falou: ‘não, você ainda tem muito a perder’”


iG: Já faz tempo que estão juntos. Vocês foram vistos em público pela primeira vez em fevereiro.
Moacyr Franco:   Sim, mas ela não era namorada, só companhia. Porque ela não queria me namorar e eu também não fazia questão nenhuma de ser namorado. Mas eu preciso de alguém. Preciso conversar, como estou aqui com você. Almoçar, jantar, conversar, discutir esse livro do Sebastião (Salgado)  , Paulo Leminski , a história do Boni.   Tenho coisas para conversar com alguém, quero contar minha vida, explicar para alguém de qualquer idade que a vida ainda é bacana, bonita, e que foi lindo. Graças a Deus tem sido com essa moça, mas pode ser com outra, não sei. Sei que vou sofrer como sempre. Sofro muito quando perco tudo. Fico muito triste quando perco um amigo. Por morte então, terrível. Mas muito mais quando ele prova que não era meu amigo. É muito triste. Eu tinha dois amigos. Agora tenho um.

iG: É o Carlos Alberto de Nóbrega?
Moacyr Franco:   Não. O Carlos Alberto é meu amigo, mas não é isso. Por exemplo, eu não vou na casa do Carlos Alberto. O Silvio Santos nunca me convidou para a casa dele. Nem por isso não sou amigo deles. Mas aquele amigo que você fala: 'para quem eu entrego meus filhos? Para quem passo essa casa?'. Eu tinha dois, agora tenho um. A coisa mais difícil na vida é ter um amigo, acho que por isso a gente tem que cuidar tanto do filho, que pode ser eventualmente um grande amigo.

iG: Tem contato com seus filhos gêmeos de 11 anos?
Moacyr Franco:   Tenho muito contato, mas é por telefone. Eles moram em Ribeirão Preto (SP) com a mãe. Achei que era mais útil, já que eles podem fazer tudo por lá. Agora, sofro mais com isso, porque o tempo está passando. Todo dia é um dia a menos que posso conviver com eles. E esse pecado eu não queria cometer, já que cometi antes com todos os outros filhos. 

iG: Voltando a seus “últimos cinco anos”, se realmente conseguisse planejar, o que gostaria de fazer nesse tempo?
Moacyr Franco:   Planejo fazer tudo. A gente passa no mínimo 40 anos só fazendo besteira, repetindo conceitos, filosofias e ideais de outras pessoas. Aí um dia você acorda e descobre que gosta de vinho do posto de gasolina e que detesta camembert. Um dia você fala: ‘e minha vida? E meu gosto?’. Estou com 77 anos, mais os cinco (risos) e quero aproveitar muito para reconstruir e para inventar coisas que façam outras pessoas felizes.

Meu último casamento foi espetacular nisso. (Daniela) era a última mulher da minha vida. A única a quem fui fiel”

iG: Que planos são esses?
Moacyr Franco:   Cinema, livro, meu livro urgente...

iG: Escrito por você?
Moacyr Franco:   É, tenho escrito muito. Há três produtores importantíssimos querendo fazer a minha vida. Um documentário, que está na moda agora e preciso fazer rápido (risos). E eu disse a eles que minha questão é econômico-financeira. Quero ganhar dinheiro com minha vida. Então faço questão, porque sou competente, de eu mesmo fazer a minha vida. 

iG: Você foi premiado em “O Palhaço” e agora vem com o “Aprendiz de Samurai”, Existem outros filmes nos seus planos?
Moacyr Franco:   O Selton (Mello)   me prometeu que faria mais um longa comigo, não sei se vai ser ainda este ano. Fiz três filmes esse ano, o “Além da Estrada”, o telefilme “A Vitrola” e o “Aprendiz de Samurai”. Mas quero fazer mais coisa. Todos os dias me convidam. E analiso, porque não quero estragar aqueles três minutos que fiz em “O Palhaço” e que foram tão construtivos para minha vida.

iG: Você fez rádio, cinema, TV, teatro, música. Tem alguma coisa que você fale: ‘esse foi o que mais gostei e me realizei’?
Moacyr Franco:   Acho que o que faço melhor é escrever. Não sou um maravilhoso compositor musical, mas o pensamento, a letra, faço bem. Acho que sou um cantor razoável dentro da minha área, e me sinto muito bem quando estou cantando, inclusive até para plateia nova. Não vai dar para eu escolher, não. É mais fácil eu pensar alguma coisa que eu não goste (risos).

iG: O que você não gostou de ter feito e espera não repetir?
Moacyr Franco :: Não faria esses programas improvisados. Gosto muito de coisa pensada. Não gosto quando você me entrevista e me exige um pensamento imediato sobre alguma coisa. Porque você teve 20 horas para pensar na pergunta e eu tenho a responsabilidade da resposta. Acho muito ingrato isso com o entrevistado. É melhor deixá-lo pensar.

iG: Você tenta planejar tudo na vida?
Moacyr Franco:   Não gosto de fazer nada no improviso. Crio com muita facilidade. Gosto de coisa pensada, calculada, que emocione, que fique bonita, que ajude alguém a ser feliz.

Fico muito triste quando perco um amigo. Por morte então, terrível. Mas muito mais quando ele prova que não era meu amigo”

iG: Quem são seus ídolos hoje?
Moacyr Franco:   Nossa... Tem pessoas que admiro muito. Passei pela política, pela religião, fui amigo de Papa, de presidente, de jogador de futebol, de cantor, de dezenas de maestros fantásticos, coreógrafos internacionais... é muita coisa. Uma vida muito dinâmica e bonita para ter um ídolo. Encheria livros e livros de pessoas. Gosto muito de ter tido a sorte de ser amigo do Fábio Jr. , tenho a honra de ter conhecido o (cantor)  Taiguara , o Boni (ex-diretor da Globo). Aprendi tanto com o Boni, meu querido amigo que me deu 15 páginas no livro dele. Esse é um ídolo meu. Meus filhos são todos meus ídolos. E muita gente que vou esquecer de falar. 

Moacyr Franco
André Giorgi
Moacyr Franco


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