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As minisséries da emissora começaram a ser produzidas com mais eficiência nos anos 80 e passaram por diversas transformações ao longo dos anos

Com estreia marcada para este mês, a minissérie "Justiça" já vem provocando bastante empolgação nas redes sociais. A minissérie promete entrar para a história da Globo com um formato narrativo mais ousado. Embora as novelas sejam seu carro-chefe, ao longo dos anos a emissora apostou em diferentes formatos e as minisséries conseguiram se destacar com histórias envolventes. Em poucos capítulos, a Globo já conseguiu cativar o público diversas vezes com tramas que já trataram de uma variedade de temas.

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O formato foi se transformando com o passar dos anos e ficou mais complexo, contando histórias mais ousadas. Para preparar os espectadores para “Justiça”, o iG relembra cinco minisséries da Globo dos anos 80 (quando o formato começou a ser produzido com mais força pela emissora) que fizeram sucesso e trouxeram novidades para a televisão brasileira:

Lampião e Maria Bonita (1982)

Tânia Alves e Nelson Xavier em
Nelson di Rago/TV Globo
Tânia Alves e Nelson Xavier em "Lampião e Maria Bonita"

Talvez uma das histórias de amor brasileiras mais conhecidas de todos os tempos, “Lampião e Maria Bonita” chegou justamente com a proposta de chacoalhar os formatos tradicionais da teledramaturgia nacional. E teve considerável êxito em sua proposta, sendo reconhecida pelo público e premiada internacionalmente.

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A história, como sugere o título, narrava os últimos seis meses de vida de Lampião, figura mítica do cangaço, e de Maria Bonita, por quem se apaixonou e com quem teve uma filha. O foco era falar sobre os dois lados de Virgulino Ferreira da Silva – nome verdadeiro de Lampião –, ou seja, o bandido e o herói, além de sua relação com a amada.

Nelson Xavie r e Tânia Alves deram um show de interpretação nos papéis principais da minissérie e conseguiram conferir realismo em todas as cenas. A trama de Aguinaldo Silva e Doc Comparato também contou com uma pesquisa histórica muito minuciosa em todo seu processo de criação, por mais que a história fosse mais fictícia.

Quem Ama Não Mata (1982)

Marília Pêra e Cláudio Marzo em
Nelson di Rago/TV Globo
Marília Pêra e Cláudio Marzo em "Quem Ama não Mata"

Minissérie de Euclydes Marinho que teve seu nome baseado em uma frase que apareceu em Belo Horizonte (BH) por conta da grande quantidade de crimes passionais que surgiam na época. A série retratava a vida de cinco casais de classe média e cada história trazia uma visão diferente sobre as diferentes nuances que envolvem os relacionamentos humanos.

O “principal” casal da minissérie era composto por Alice ( Marília Pêra) e Jorge ( Cláudio Marzo ), que tinham tudo para ser um casal perfeito mas, após Jorge esconder que era estéril, iniciou-se uma grande crise na relação dos dois. A frustração de Alice por não conseguir engravidar só aumenta e os dois começam a ser violentos um com outro, o que acaba culminando em um assassinato no fim.

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O público sabia desde o início da trama que um assassinato havia ocorrido, mas desconhecia a identidade de quem morreu: Alice ou Jorge. No fim, Jorge foi quem matou Alice. Mas duas cenas chegaram a ser gravadas e mais tarde o momento em que Alice matava Jorge foi exibido no “Fantástico”. A produção foi dirigida por Daniel Filho e é vista como um dos principais passos da Rede Globo na procura de diferenciar a forma como era então conduzida a teledramaturgia brasileira. Anos depois, em 2015, o autor fez uma releitura da série, chamada "Felizes para Sempre?", que também fez barulho, especialmente por conta da participação de Paolla Oliveira .

Grande Sertão: Veredas (1985)

Tony Ramos e Bruna Lombardi em
Reprodução/TV Globo
Tony Ramos e Bruna Lombardi em "Grande Sertão: Veredas"



Produção impecável idealizada por Walter Avancini , esta adaptação da obra homônima de Guimarães Rosa encantou o público e definiu uma nova era de produção da dramaturgia da Globo em seus então 20 anos de existência. A história narra a saga de Riobaldo ( Tony Ramos ), que se transforma em uma espécie de personificação do sertão. A história dele é a da luta dos bandos de Jagunços e de inúmeras aventuras que vive ao lado de seu amigo Reinaldo ( Bruna Lombardi ), que é na verdade uma mulher, Maria Deodorina.

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A atuação formidável de Bruna Lombardi  lhe valeu mais um papel na Globo, na minissérie “Memórias de um Gigolô”, e Tony Ramos se consagrou de vez como um dos grandes atores brasileiros, tendo emagrecido oito quilos para fazer o personagem. Audaciosa, a trama conseguiu algo que era considerado quase impossível, uma vez que a obra de Rosa era considerada inadaptável. Em 2009, a Globo disponibilizou a minissérie em DVD.

Anos Dourados (1986)

Malu Mader e Felipe Camargo em
Reprodução/Memória Globo
Malu Mader e Felipe Camargo em "Anos Dourados"

Estrondoso sucesso que impulsionou de vez a atriz Malu Mader ao estrelato, esta história de Gilberto Braga nos anos 50 tornou-se uma das minisséries da Globo mais bem sucedidas de todos os tempos. A história de amor entre Lurdinha (Mader)  e Marcos ( Felipe Camargo ) trouxe todo o romantismo da época em que a minissérie se passava, mas também enfrentou muito empecilhos. Os valores moralistas da época e seus muitos tabus entraram no caminho do casal em mais de uma ocasião. A virgindade, por exemplo, foi um dos muitos temas abordados.

De acordo com o site “Memória Globo”, a ideia para o título partiu de Daniel Filho, que lembrou de um projeto que existia para que fossem feitas minisséries sobre diferentes épocas do Brasil. Pouco tempo depois, Gilberto Braga também escreveu “Anos Rebeldes”, que falava sobre as repressões impostas pela ditadura militar. A minissérie foi convertida para o formato de telefilme para o especial de comemoração dos 50 anos da Rede Globo.

"O Pagador de Promessas" (1988)

José Mayer e Denise Milfont em
Reprodução/Memória Globo
José Mayer e Denise Milfont em "O Pagador de Promesas"

Grande sucesso de Dias Gomes no teatro, o autor adaptou a própria obra para a televisão e mais uma vez obeteve grande êxito. A trama protagonizada por José Mayer teve sucesso e cativou o público do começo ao fim. Concebida para ter 12 capítulos, a história ficou apenas com 8 por conta da censura da época, que não gostou do teor político da minissérie.

A narrativa conta a jornada do humilde e ingênuo Zé do Burro (Mayer), que faz uma promessa de que caso seu burro Nicolau, que está morrendo, sobreviva, ele carregará uma cruz até a igreja de Santa Bárbara, em Salvador. Quando o animal melhora, ele parte para cumprir sua palavra, acompanhado da mulher Rosa ( Denise Milfont ).

A série marcou a estreia da diretora de cinema   Tizuka Yamasaki . A minissérie abordou questões como a intolerância da igreja católica e é vista pelo ator José Mayer como um de seus melhores trabalhos na TV até hoje. 

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