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A record teve dificuldades para alcançar uma qualidade de produção em sua dramaturgia, mas começou a ter novelas de sucesso nos anos 2000

As novelas da Record tiveram uma trajetória um tanto quanto complicada. A emissora lutou muito tempo para emplacar bons produtos na teledramaturgia. No entanto, as novelas da Record amargaram por anos com audiências baixas e problemas de produção. Não é incomum ouvir a frase “aquele ator não morreu, só foi para a Record” e os folhetins da emissora já foram alvos de inúmeras piadas.

Novelas da Globo dos anos 90 cativaram o público

Novelas da Record foram se aprimorando ao longo do tempo
Montagem/Reprodução/Youtube
Novelas da Record foram se aprimorando ao longo do tempo

Isso começou a mudar nos anos 2000, quando a emissora passou a investir mais pesado na teledramaturgia e começou a criar novelas de maior qualidade, com elencos mais refinados e roteiros mais coerentes. A emissora conseguiu, inclusive, dar a volta por cima na audiência, superando em alguns momentos a invicta Globo. Relembre cinco novelas da Record que tiveram êxito e que surpreenderam o público:

"Escrava Isaura" (2004)

A antiga e a nova versão de
Reprodução
A antiga e a nova versão de "Escrava Isaura"

Esta novela pode ser considerada a primeira da Record que obteve um real êxito em termos de alcançar o público. O romance de Bernardo Guimarães já havia se tornado uma novela em 1976 e embora a trama da Record não tenha conseguido alcançar o estrondoso sucesso da trama global, ela ainda foi uma das melhores audiências da emissora paulista.

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Bianca Rinaldi não conseguiu alcançar o nível da representação icônica de Lucélia Santos , mas mandou bem no papel da protagonista Isaura. O ator Rúbens de Falco , que interpretou o cruel vilão Leôncio na versão original da Globo, retornou nesta versão como o pai de Leôncio, o Comendador Almeida. Dessa vez, Leôncio foi vivido por Leopoldo Pacheco.  

A trama da Record chegou a incomodar a Globo, uma vez que a novela "Começar de Novo" enfrentava problemas do Ibope e "Escrava Isaura" parecia apenas crescer.

"Vidas Opostas" (2006)

Maytê Piragibe em cena de
Reprodução/Youtube
Maytê Piragibe em cena de "Vidas Opostas"

Escrita por Marcílio Moraes , “Vidas Opostas” buscava retratar o Rio de Janeiro como ele é, ou seja, saindo do glamour que a cidade evoca e mostrando os diversos problemas sociais nela presentes. O ponto de partida era justamente o contraponto entra a riqueza da elite e os moradores das comunidades cariocas.

Tal visão é traçada por meio do relacionamento dos personagens protagonistas: Miguel ( Léo Rosa ) e Joana ( Maytê Piragibe ). Ele é de uma família muito rica e ela é moradora da comunidade do Torto. Miguel ama fazer escaladas, e é em uma que ele conhece a jovem de personalidade forte. Os dois se apaixonam perdidamente e iniciam um romance, o que desperta a ira de Erínia ( Lavína Vlasak) , que está noiva de Miguel e que não se conforma com o rompimento, fazendo de tudo para separar o casal. A situação só piora quando Jeferson ( Ângelo Paes Leme ), um ex-namorado de Joana, que acabou se tornando um traficante, ao retornar ao Torto, está disposto a ter Joana para si, mesmo que sendo a força. Só que isso acaba resultando em um conflito e mais tarde na morte de Jeferson, o que traz a fúria de seu irmão Jacson ( Heitor Martinez ), um bandido perigoso disposto a tomar tudo que um dia foi do irmão, inclusive Joana.

Novelas da Globo dos anos 2000 que mexeram com o público

A novela chocou por conta de sua história recheada de violência, mas ao mesmo tempo, a trama de Marcilio Moraes se consolidou como uma das melhores e mais bem produzidas novelas da Record. Uma novela exibida anteriormente, chamada “Prova de Amor”, também alcançou grande repercussão, no entanto, seus problemas de roteiro impediram que ela atingisse o patamar de qualidade de “Vidas Opostas”. Um ator que teve grande destaque foi Marcelo Serrado, que interpretou Denis Nogueira, um policial corrupto, cruel e psicopata. Mais uma vez uma trama da Record incomodou (bastante) a Globo, sendo que a novela chegou a superar a audiência da emissora carioca em mais de uma ocasião.  A trama chegou a ser reprisada em 2012, mas a baixa audiência fez com que capítulos inteiros fossem cortados e compactados e a novela saiu do ar rapidamente.

"Chamas da Vida" (2008)

Lucinha Lins em cena de
Reprodução/Youtube
Lucinha Lins em cena de "Chamas da Vida"

“Chamas da Vida” foi outra revelação da Record que foi tomando fôlego conforme se desenvolvia e se tornou um sucesso de público e de crítica. Mais uma vez, a audiência incomodou a poderosa em emissora carioca em diversas regiões do País.

A novela contou a história de Pedro ( Leonardo Brício ) e Carolina ( Juliana Silveira ). Os dois foram amigos de infância e se reencontram anos depois. Ele é um bombeiro que teve que criar os irmãos após a morte dos pais. Ela é filha de Wálter ( Antônio Grassi ), rico dono da fábrica de sorvetes GG. Os sentimentos de Carolina e Pedro um pelo outro ganham força após ele a salvar de um grande incêndio dentro da fábrica de seu pai, que acaba vitimando o melhor amigo de Pedro, o também bombeiro Wallace ( Rodrigo Faro ). O problema é que o irmão de Pedro, o inconsequente Antônio ( Dado Donabella ), é acusado de ter cometido o crime, já que ele havia sido demitido pouco antes. Mas tudo na verdade não passou de um plano de Vilma ( Lucinha Lins ), que se finge amiga de Wálter e de sua família para poder tomar tudo que eles possuem.

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A novela de Cristiane Fridmann falou de diversos temas polêmicos, como a AIDS e pedofilia. Uma das tramas, que chegou a se tornar o principal assunto da novela durante um período, envolvia a personagem Vivi ( Letícia Collin ), que conheceu o perigoso Lipe ( André Filippi Di Mauro ) em um bate-papo na internet e ele a estuprou. Um dos núcleos da novela, tratou de um grupo de indivíduos que se denominavam “A gangue do ferro velho”, e que cometiam uma série de atos ilícitos. No fim da novela, apenas dois dos membros da gangue sobreviveram.

Um mistério mobilizou as atenções do público na reta final da trama. Quando ficou claro para todos que Vilma era a grande vilã da história, surgiu um incendiário misterioso, que começou a cometer uma série de crimes em paralelo aos de Vilma e fez de tudo para incriminá-la. No final, foi revelado que eram dois incendiários na realidade: Darlene ( Claudiana Cotrim ) e Léo ( Rafael Quiroga ), que queriam se vingar de Vilma por um crime que ela cometeu contra eles no passado. O mistério foi muito bem escondido pela produção da novela e nenhum dos suspeitos era óbvio.

"Poder Paralelo" (2009)

Gabriel Braga Nunes em
Reprodução/Record
Gabriel Braga Nunes em "Poder Paralelo"

Uma das novelas da Record mais revolucionárias em termos de narrativa, a trama mesclou muita ação, mistério e romance em um caldeirão cheio de intrigas da máfia italiana e de organizações internacionais.

Tony Castellamare (Gabriel Braga Nunes) é um homem misterioso, que aparentemente possui conexões com a máfia italiana. Ele mora na Itália com a mulher e os três filhos, mas sua vida muda para sempre quando ele escapa de um atentado armado para matá-lo, que acaba vitimando sua mulher e suas duas filhas. Tomado pela dúvida e pela ira, Tony decide ir para o Brasil para se vingar e conta com a ajuda de Téo (Tuca Andrada), um policial federal que investiga o caso e uma possível relação com o narcotráfico. No Brasil, Tony se envolve com Ligia (Miriam Freeland), jornalista séria e determinada. Mas os mistérios e intrigas envolvendo Tony só aumentam e acabam o colocando no caminho de Bruno Vilar ( Marcelo Serrado ), um homem perigoso e influente. Tony também conhece Fernanda (Paloma Duarte), uma mulher envolvida com Bruno, mas que desenvolve uma intensa paixão por Tony.

A trama escrita por Lauro César Muniz conseguiu imprimir diversos temas complexos e até mesmo políticos na narrativa sem confundir o público e acabou costurando uma história muito envolvente. Apesar de ter alguns problemas, como as gravidezes inesperadas de atrizes como Patrícia França e Bete Coelho, a novela conseguiu permanecer instigante até o fim. Destaque para Antônio Abujamra, no papel do trambiqueiro Iago.

"Os Dez Mandamentos" (2015)

Cena épica da abertura do Mar Vermelho bombou na web
Reprodução/TV Record
Cena épica da abertura do Mar Vermelho bombou na web

O maior sucesso da história da dramaturgia da emissora, “Os Dez Mandamentos” entrou para a história como uma das novelas mais amadas do Brasil. E nem teria como ser de outro jeito, a emissora fez questão de capitalizar neste sucesso criando uma série de produtos em paralelo à novela. Filme, linha de joias e até um musical, “Os Dez Mandamentos” virou tudo que podia virar e mais um pouco.

A trama da Record trouxe para a TV brasileira a história de Moisés ( Guilherme Winter ) e como ele livrou seu povo da escravidão no Egito. A autora Vivian de Oliveira teve que ter muito jogo de cintura para transformar a história do livro do "Êxodo" em uma novela de mais de cem capítulos. Por isso, vários personagens e entrechos que não existiam na Bíblia foram adicionados, e cenas como as das pragas, foram estendidas para vários capítulos.

Também não faltaram críticas para a produção, especialmente em relação às performances do trio principal de atores, composto por Winter, Sérgio Marone , Camila Rodrigues . No entanto, nada impediu que a trama da Record fizesse – e continue fazendo – muito sucesso, se tornando uma das novelas da Record mais reconhecidas pelo público.

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