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Apesar da queda de audiência que começou a ocorrer com o advento da internet e das mídias sociais, muitas novelas cativaram e balançaram o público

Novelas da Globo têm seus críticos, mas não há como negar o enorme poder que elas possuem de mexer com o imaginário e até mesmo com o cotidiano de muitos brasileiros. Diversas tramas da emissora carioca encantaram, tiraram o fôlego e mexeram com o público, marcando época e tomando um lugar na história do País. O autor Aguinaldo Silva , responsável por diversas obras de sucesso na teledramaturgia, já declarou em mais de uma ocasião que, no futuro, se quiserem conhecer a história do Brasil, não procurarão os livros, mas sim as telenovelas.

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Nos anos 2000, as novelas mantiveram as inovações pelas quais passaram nos anos 90 e também começaram a experimentar com tramas mais ousadas. No entanto, o advento da internet e das novas mídias ajudou a provocar o início de uma grande queda de audiência em todas as emissoras. Mesmo assim, essas novelas da Globo se destacaram e fizeram sucesso em meio ao público:

Laços de Família (2000)

Carolina Dieckmann e Reynaldo Gianecchini
Reprodução/Memória Globo
Carolina Dieckmann e Reynaldo Gianecchini

Um dos grandes sucessos de Manoel Carlos , esta novela está sendo reprisada atualmente no Canal Viva, conseguindo resultados muito positivos. Mais uma vez nesta novela da Globo, Maneco trouxe como protagonista de sua novela uma personagem chamada Helena, interpretada por Vera Fischer .

Helena é uma mulher forte e independente que se apaixona por Edu ( Reynaldo Gianecchini ), um homem bondoso e mais jovem do que ela. A união dos dois enfrenta a rejeição de Alma ( Marieta Severo ), tia de Edu, uma mulher rica e arrogante que não gosta nem um pouco de Helena. A reviravolta acontece quando a filha de Helena, Camila ( Carolina Dieckmann ), e Edu se apaixonam, fazendo com que Helena se afaste do namorado para deixar a filha ser feliz. Camila sofre nas mãos da meia-irmã de Helena, Iris ( Deborah Secco ), uma jovem rude e invejosa que faz de tudo para infernizá-la. Mas uma tragédia atinge a vida de todos quando Camila é diagnosticada com leucemia e começa uma batalha para sobreviver.

Novelas da Globo dos anos 90 cativaram o público

A novela teve vários momentos marcantes. O mais memorável é a cena na qual Camila raspa sua cabeça enquanto olha diretamente para a câmera ao som da canção “Love by Grace”,  da cantora Lara Fabian . A novela marcou a estreia de Reynaldo Giannechini na TV, que enfrentou críticas na época da exibição por conta de sua falta de experiência. Um dos grandes destaques do elenco foi Giovanna Antonelli , que interpretou Capitu, uma jovem mãe solteira que precisava se prostituir para sustentar o filho, e que é exposta pela vilã Clara ( Regiane Alves ) durante a festa de casamento de Edu e Clara em outra cena marcante da novela.

O Clone (2001)

A clonagem humana e a cultura muçulmana formavam a espinha dessa novela de Glória Perez . A trama se dividiu em duas locações: uma parte da novela se passava no Marrocos, a outra no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Giovanna Antonelli e Murilo Benício em
Jayme Monjardim/TV Globo
Giovanna Antonelli e Murilo Benício em "O Clone"

Lucas (Murílio Benício) era um jovem introspectivo que conhece a bela Jade (Giovanna Antonelli), por quem se apaixona perdidamente. No entanto, os dois são impedidos de ficar juntos por conta do tio da moça, Ali (Stênio Garcia), que quer arranjar um casamento para a sobrinha. Os dois consideram fugir, mas tudo muda quando o irmão gêmeo de Lucas, Diogo, morre em um acidente de helicóptero, deixando toda a família desolada, em especial Leônidas ( Reginaldo Faria ), poderoso empresário que via Diogo como seu herdeiro nato. Lucas volta para perto da família, deixando Jade para trás. Mais tarde, o doutor Albieri (Juca de Oliveira), padrinho de Diogo, completamente devastado pela morte do afilhado, decide cloná-lo com o material genético de Lucas. Ele usa as células do rapaz em um embrião, que é inseminado em Deusa ( Adriana Lessa ), que cria o filho sem saber que ele é um clone.

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Uma das novelas da Globo que mais criou tendências, “O Clone” popularizou vários acessórios e vestimentas, além de colocar diversas expressões na boca do povo, como “Não é brinquedo não”,  bordão da dona Jura ( Solange Couto ), e outras frase como “Arder no mármore do Inferno”, “Inshalá, muito ouro” e “Cada mergulho é um flash”. Na época em que a novela foi lançada, o médico italiano Severino Antorini anunciou que iria clonar um ser humano pela primeira vez, e o assunto tomou os noticiários.

Chocolate com Pimenta (2003)

Guilherme Vieira, Murilo Benício e Mariana Ximenes em
Renato Rocha Miranda/TV Globo
Guilherme Vieira, Murilo Benício e Mariana Ximenes em "Chocolate com Pimenta"

Hilária novela de época Walcyr Carrasco, a novela fez tanto sucesso que já foi reprisada duas vezes no “Vale a Pena Ver de Novo”. A trama foi tão bem na audiência, que consagrou o autor no horário e ainda elevou Mariana Ximenes ao status de protagonista global.

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Ana Francisca (Ximenes) foi morar com a avó e os primos na fictícia cidade de Ventura após a morte do pai. Lá, essa e o jovem galanteador Danilo (Murilo Benício) se apaixonam um pelo o outro. Mas essa união enfrenta diversos obstáculos, como a família de Danilo, que não aceita a moça, e a invejosa Olga ( Priscila Fantini ), que quer Danilo só para ela. Olga, com a ajuda de outras pessoas, arma uma armadilha e joga tinta verde em Ana na noite da formatura, humilhando-a e fazendo com todos riam dela. Convencida de que Danilo a traiu também, ela se desespera, pois está grávida do rapaz. É nesse momento que ela é acolhida pelo milionário Ludovico (Ary Fontoura), com quem se casa e que assume seu filho, o pequeno Tonico (Guilherme Vieira).

Anos depois, com a morte do marido, Ana retorna à Ventura rica e poderosa para se vingar de todos que a humilharam no passado, deixando muitos na cidade em pânico, em especial a inescrupulosa Jezebel (Elizabeth Savalla), irmã de Ludovico que sempre sonhou em herdar a fábrica do irmão e que vê em Ana seu principal empecilho.

A novela teve muito destaque no elenco, em especial Drica Moraes, que popularizou o bordão “Sou chique benhê” de sua personagem Márcia. A novela também apresentou um festival de cenas de torta na cara e praticamente nenhum personagem escapou.

Senhora do Destino (2004)

Renata Sorrah em
Paulo Cardeal/TV Globo
Renata Sorrah em "Senhora do Destino"

Aguinaldo Silva queria fugir do realismo mágico que permeou diversas de suas novelas anteriores e decidiu então fazer uma trama absolutamente realista, e valeu a pena, a trama se tornou a de maior audiência do novo milênio e teve uma grande repercussão.

A novela contava a história de Maria do Carmo (Susana Vieira), uma mulher batalhadora que saiu do Nordeste com os filhos para o Rio de Janeiro e acabou tendo sua filha roubada pela vil Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), que pretendia usar a criança em seu plano para enganar Zé Carlos ( Tarcísio Meira ) e deixar a vida de prostituta.

Os anos passam e Lindauva, a filha de Maria do Carmo, é criada com o nome de Isabel (Carolina Dieckmann) e se torna uma bela moça, sem nunca saber nada sobre suas origens. Enquanto isso, Maria do Carmo procura desesperadamente pela filha que lhe foi tomada. Ela vai a um programa de televisão e faz um anúncio do desaparecimento de sua filha. É nesse momento que Zé Carlos descobre toda a farsa – que Isabel não é sua filha e que a mulher nunca esteve sequer grávida. Para impedi-lo de contar a verdade, Nazaré o mata. Mais tarde, a enteada de Nazaré, Maria Cláudia ( Leandra Leal ), que sempre destetou a madrasta, começa a ligar os pontos e ajuda Maria do Carmo a se reencontrar com a filha.

“Senhora dos Destinos” foi considerada uma das melhores novelas da Globo dos últimos tempos. Renata Sorrah entrou para história das vilãs de novelas brasileiras com sua Nazaré Tedesco e impressionou a todos com sua interpretação impecável. Outro ator que se destacou foi José Wilker, na pele do atrapalhado Giovanni Improtta, que ficou conhecido por suas frases impagáveis, como “Vou Piruilitar-me” e “Giovanni Improtta, em charme e osso”. Essa também foi a última novela do ator Raul Cortez, que faleceu em 2006 por conta de um câncer.

Alma Gêmea (2005)

Liliana Castro e Priscila Fantin em
João Miguel Júnior/TV Globo
Liliana Castro e Priscila Fantin em "Alma Gemêa"

Outro sucesso estrondoso de Walcyr Carrasco, “Alma Gêmea” se tornou uma das novelas das 18h mais bem sucedidas da histórias, chegando a superar em algumas ocasiões a audiência de “Belíssima”, novela das 21h da época.

O público torceu do começo ao fim pelo amor de Rafael ( Eduardo Moscovis ) e Serena (Priscila Fantin). Rafael se apaixonou por Luna ( Liliana Castro ), casando-se e tendo um filho com ela. Tudo isso despertou o ódio de Cristina ( Flávia Alessandra ), prima de Luna, que sempre foi obcecada por Rafael. Quando Luna recebe as joias da família, a raiva de Cristina só aumenta e ela arma um plano para tomar as joias. Mas o plano dá errado: as joias são roubadas, mas Luna acaba morrendo com um tiro de um bandido convocado por Cristina. Rafael suplica que a amada volte para ele, e sua alma reencarna no corpo da índia Serena. O anos passam e Serena vai até a cidade de Roseiral procurando suas origens e Rafael , que se casou com Cristina-reconhece sua Luna que partiu, e os dois começam, ou melhor, recomeçam, um belo romance. No entanto, eles enfrentam as crueldades de Cristina, que faz de tudo para separá-los.

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A novela abordou o tema da espiritualidade e reencarnação. O núcleo caipira da trama fez muito sucesso e inúmeros personagens foram parar no chiqueiro – por alguém os jogava lá. Flávia Alessandra interpretou sua melhore personagem em novelas da Globo e se destacou na pele da vilã ensandecida Cristina, que teve uma morte antológica – ela foi arrastada para o Inferno pelo próprio Coisa Ruim.

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