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Nova temporada do talk show estreia nesta terça (31) no canal Brasil e promete mais pirotecnias entre a arte e entretenimento

Intensidade e sutileza são dois conceitos que muitos tomam como antagônicos, mas que convivem harmonicamente no “Bipolar Show”, programa idealizado, criado e apresentado por  Michel Melamed e cuja segunda temporada estreia nesta terça­-feira (31) no Canal Brasil. "A primeira ideia do programa é provocar diferentes interpretações, não ser persuasivo, ao contrário, estimular o olhar que pode ser singular de cada um de nós", observa Melamed em entrevista ao  iG .

Michel Melamed na nova temporada do
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Michel Melamed na nova temporada do "Bipolar Show"


A nova temporada, sempre às terças­feiras às 21h30 e com horários alternativos as quartas e domingos, vai celebrar essa multipolaridade nervosa de tempos tão incertos como esses que vivemos. Segundo Melamed são momentos turbulentos como esses que o Brasil vive que legitimam o programa. "Esta é uma das razões do programa existir. O título e o jogo dos cenários é justamente uma provocação sobre a ideia simplista e falsa da polarização, quer dizer, nossa riqueza maior é a diferença, os sete bilhões de pontos de vista... E o Brasil sempre foi, historicamente, bipolar".

O ator entrevista Marcelo Adnet
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O ator entrevista Marcelo Adnet

No primeiro programa, Melamed recebe o humorista Marcelo Adnet. Frenéticos, eles discutem, cantam e se balançam por quase tudo. Fazem poesia sacana, berram, zoam um ao outro, brincam com a plateia, com a própria imagem e, claro, se beijam. Beijar o convidado é uma das marcas desse “teleteatro”, como define Melamed. “Convidar à criação é papel da obra de arte, seja teleteatro, poema, canção... Além disso, mais especificamente, o programa é presentificado, libertário, transgressivo, com participação de público, quer dizer, linguagem e catarse, que é como gosto do teatro”.

Julia Lemmertz ficou bem à vontade
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Julia Lemmertz ficou bem à vontade


Quem se deixar levar pela intensidade, pode perder de vista as muitas sutilezas desse espetáculo tão peculiar e transcendente. “Nunca chamei o Bipolar de ‘peculiar e transcendente’, no entanto, agora que você disse, vejo também”.

O programa é exibido às terças no Canal Brasil
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O programa é exibido às terças no Canal Brasil

Adnet foi só o primeiro a se provar sudoríparo (mamífero que produz suor) no palco com Melamed. Entre os convidados deste segundo ano estão Selton Mello, Julia Lemmertz, Maria Flor, Luís Melo, Débora Bloch, Matheus Nachtergaele, Paulo Tiefenthaler, Alamo Facó, Letícia Colin e Eduardo Sterblitch. Além deles, cada programa tem um número musical, com artistas como Alice Caymmi, Lucas Vasconcellos, Leticia Persiles, Rubinho Jacobina e Silvia Machete, entre outros. Indagado sobre quais critérios são adotados para convidar toda essa gente boa, Melamed simplifica. “O critério é um só: amor. E, claro, beijar bem”.

Nudez também está presente na entrevista com Juliano Cazarré
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Nudez também está presente na entrevista com Juliano Cazarré


Enxergando pleonasmo na definição de politicamente correto (“o que é correto é correto e ponto”), o arista marcial da TV que faz juras de amor ao teatro lamenta o momento do país. “O momento é de retrocesso histórico, com o governo e o congresso tomados de bandidos, mais do que nunca precisamos de educação e cultura, as únicas ferramentas que nos possibilitam desenvolver a singularidade do nosso olhar, e, então, tomar parte no debate para a construção do país”.

Bipolar show
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Bipolar show


Contra o ruído dos “Bolsonaros, Cunhas e Felicianos”, que na sua avaliação caracterizam esses “tempos politicamente incorretos”, Melamed oferece um programa mais polipolar. “O programa é transdisciplinar. Não vê fronteiras entre TV e teatro, realidade e ficção, vanguarda e pastelão, arte e entretenimento. Mais sugestivo do que nunca, para lembrar o Mallarmé: 'Definir é matar. Sugerir é criar.' O Bipolar é TV de poesia”.