
Milenar, a arte da atuação, é consenso na academia, surgiu na Grécia antiga como uma expressão religiosa de celebrar e homenagear os deuses. É, contudo, obscuro como esta arte se estabeleceu em diferentes cenários e espaços ao longo dos séculos.
Parte desta obscuridade ganha luz com a publicação de Traços da História e Identidade da Atuação Brasileira, livro que compila os resultados de oito anos de pesquisa do ator, escritor e pesquisador Ney Piacentini. O autor parte das primeiras expressões de atuação, ainda nos moldes da colonização portuguesa, passando por todo o desenvolvimento da arte no Brasil até o século 20.
Dividido em quatro capítulos, Traços da História e Identidade da Atuação Brasileira reúne leituras e entrevistas com atores de diferentes gerações. Na lista estão nomes como Lima Duarte, Matheus Nachtergaele , Denise Weinberg, Cacá Carvalho, Celso Frateschi, Denise Fraga, Eduardo Moreira (Grupo Galpão), Helena Albergaria (Companhia do Latão), Grace Passô, Janaína Leite, Dodi Leal e Lily Banywa.

Ao longo da publicação, Piacentini traça um panorama histórico que desagua no século 19, tema do primeiro capítulo que se estende até a primeira metade do século 20, tratando de figuras como João Caetano (1808-1863), Procópio Ferreira (1898-1979) e Dulcina de Moraes (1908-1996).
Já o segundo capítulo, mergulha no período de 30 anos entre 1940 e 1970, considerado essencial para a renovação da arte de atuação no Brasil. Entram para o jogo as inovações revolucionárias do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), do Teatro de Arena, Oficina, UNE e Grupo Opinião.
A virada do século 20 para o 21 é o tema do terceiro capítulo. O período compreende o surgimento de companhias históricas, como Asdrúbal Trouxe o Trombone, no Rio de Janeiro, e o Ornitorrinco, em São Paulo. Por fim, o quarto capítulo se dedica a investigar o chamado teatro identitário.
Co-fundador da Companhia do Latão e do Núcleo Rodadeatro, Ney Piacentini tem em seu currículo literário títulos como Eugênio Kusnet: do Ator ao Professor (2014), O Ator Dialético (2018) e (Des)aprendizagens – Textos Sobre Atuação (2021), publicados pela Hucitec Editora. O autor assina também, em parceria com Paulo Fávari, a organização da coletânea Stanislavski Revivido (2014), nas lojas via Giostri Editora.
O lançamento de Traços da História e Identidade da Atuação Brasileira acontece neste sábado, 13, a partir das 17h no Ágora Teatro, em São Paulo, quando o autor receberá o público para uma sessão de autógrafos.