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07/11 - 09:15

Bia Seidl: "Minha vida é só 1% glamour"

Valmir Moratelli


Após rodar o País com a elogiada peça "Cândida", Bia Seidl está de volta ao Rio de Janeiro, agora no Teatro do Jockey, na Gávea. Há quase um ano e meio, a atriz, de 48 anos, vive a protagonista e vértice principal de um triângulo amoroso, ambientado na Inglaterra do século 19.

 

Fotos: Bia Seidl faz concorrida reestreia da peça "Cândida" no Rio

 

A peça, do irlandês Bernard Shaw, não era encenada no país desde 1954, quando Tonia Carrero interpretou o papel-título. No elenco principal também está o ator Sergio Mastropasqua, com quem Bia foi casada por cinco anos e teve uma filha, Miranda, de 10 anos. “Meus exs me pedem em casamento de novo. Para mim esse é um selo de qualidade”, brinca ela.

 

O minúsculo camarim do teatro é dividido entre os seis atores. Enquanto Bia se maquia, momentos antes de entrar em cena, Sergio está ao seu lado, trocando de roupa. Uma mesa repleta de frutas e um cabideiro com roupas de cena completam a coxia.

 

Um dia antes da estreia carioca, na tarde de quinta-feira (5), Bia concedeu a entrevista a seguir ao IG. Em quase duas horas de bate-papo, ela faz um balanço de sua vida – que soma cinco casamentos, dois filhos (ela também é mãe de Daniel, de 29), crises financeiras e depressão pós-parto. “Minha vida é só 1% glamour”, diz.

 

Seu drama mais recente é o Mal de Alzheimer sofrido pela sua mãe, de 84 anos. “É horrível, é uma doença que rouba a identidade da pessoa, essa coisa que a gente constrói uma vida inteira”, lamenta. Apesar de tantos altos e baixos, a atriz não perde o bom humor que a vida lhe ensinou, ao falar de si mesma. “Não dá para levar a vida levianamente. Tenho todos os defeitos possíveis e imagináveis. Ciumenta, possessiva, controladora, mas não sou histérica. É um pacote”, diz ela, rindo. Confira a seguir.

 

Dario Zalis
Bia Seidl

Bia Seidl

 

IG: Por que peças mais ‘densas’, como a sua, são atualmente minoria no teatro?
BIA SEIDL:
Há uma tendência de se minimizar a capacidade do brasileiro, dizendo que ele não tem intenção de sair de casa para assistir a algo para refletir. E refletir não é ‘boring’. Se fosse, não precisaríamos de arte.

 

IG: "Cândida" baseia-se num triângulo amoroso. Você já se viu numa relação a três?
BS:
Já. Mas não sou muito chegada à traição, acho cafona. Não tem a menor graça, é cruel. Traição começa na ideologia. A gente sabe chegar, abordar, flertar, namorar... Mas não sabe ir embora.

 

IG: Você já traiu?
BS:
Sim, e logo terminei a relação. Hoje não pensaria em fazer algo assim, porque tenho consciência da responsabilidade em relação ao outro. Isso vale para qualquer pacto, seja profissional ou amoroso. Não dá para levar a vida levianamente após os 25 anos (risos).

 

IG: É amiga de todos os seus ex?
BS:
Da maioria. Só não consigo estabelecer amizade com quem foi cruel com meu filho, isso não. Mas prefiro não entrar em detalhes. Não falo nem o nome dele.

 

IG: Após cinco casamentos, ainda acredita nessa ‘instituição’?
BS:
Sabe por que não? É falta de higiene você morar junto com alguém (risos). As pessoas podem morar no mesmo prédio, mas em apartamentos separados. Daí aproveitam só o melhor de cada momento, quando há realmente vontade de se estar junto.

 

IG: Você já namorou homens muito mais jovens e muito mais velhos. Dá para estabelecer que faixa etária mais te agrada?
BS:
Ui, que pergunta complexa. Sou bem eclética com idades, tá (risos)? Me apaixono pela alma da pessoa, e alma nem sempre tem a idade do corpo. É verdade que os jovens não são tão formatados com ideias fixas, estão mais propensos a se reinaugurar o tempo todo. E você quer saber se eu dou mais chance para pessoas jovens? Ok, vamos lá. Jovens são mais ‘exciting’, sim.

 

IG: Você está namorando?
BS:
Estou solteira há três meses. Foi um namoro curto. Terminou porque houve traição ideológica.

 

IG: O que é uma traição ideológica numa relação, para você?
BS:
Você descumprir o combinado. Não teve traição física. As pessoas, quando chegam ao consenso de que estão namorando, precisam seguir o que foi combinado. Por exemplo, nunca vou mentir, não tem essa de omissão. Ir ao médico e não contar. Por quê? Relacionamento tem a ver com controle, posse, ciúme. Não somos budistas tibetanos, estamos aqui de passagem.

 

Dario Zalis
Bia Seidl faz a própria maquiagem antes de entrar em cena

Bia Seidl faz a própria maquiagem antes de entrar em cena

 

IG: Você é uma pessoa difícil?
BS:
Você acha (risos)? Eu dou trabalho, quero provocar, fazer pensar. Sou indignada mesmo. Tenho todos os defeitos possíveis e imagináveis. Ciumenta, possessiva, controladora, mas não sou histérica. É um pacote. E quer saber? Meus exs me pedem em casamento de novo. Para mim esse é um selo de qualidade. Não trabalho com o Sérgio (Mastropasqua, ator) à toa, que é o pai da minha filha.

 

IG: Você já declarou que, nos anos 90, passou por dificuldades financeiras. Que lição tirou dessa fase?
BS: Foram muitas fases horrorosas. Todo ator vive fases de entressafras terríveis e tem que lidar o tempo todo com rejeição. Numa dessas fases, tive que fazer a limpa no apartamento para poder sobreviver. A lição que tiro? Que posso continuar vendendo coisas.

 

IG: Numa entrevista, em 2003, você disse que não fez carreira de protagonista na TV Globo porque não era ‘prata da casa’. Por que se sente assim?
BS:
Vou corrigir isso. ‘Prata da casa’ é quando você é inventada por aquele lugar. Se a Globo foi quem me lançou, então sou ‘prata da casa’, claro. Fiz papéis importantes lá, mas comecei como elenco de apoio. E de vez em quando me chamam para algum trabalho, só não tenho contrato fixo. A Globo não tem como absorver todos os atores.

 

IG: Você já disse que teve uma péssima experiência com drogas. Foi apenas uma vez?
BS:
Foi minha única experiência, faz tempo. Não dá certo para mim. Meu organismo não gosta de nada químico. Nem remédios. Não tenho resistência para nada disso. Num momento leviano, tive curiosidade para conhecer uma coisa e lidei com essa fraqueza.

 

IG: Qual foi a droga?
BS:
Nada tão forte como a cocaína, mas suficiente para eu saber que não é por aí. Nem cheguei perto de heroína, ecstasy, nada disso. Coisa simples, mas que para mim foi uma coisa que não valeu a pena.

 

Dario Zalis
Bia em cena na peça

Bia em cena na peça "Cândida"

 

IG: Você foi mãe aos 17 e aos 37 anos. Qual foi a gestação mais difícil?
BS:
Minha segunda gravidez foi muito insegura. Quando se tem 17 anos, você é imortal. Não há nada que me impeça de fazer coisa alguma. Aos 37, tive noção de falência, mortalidade. E por isso entrei em depressão.

 

IG: Teve depressão pós-parto? Como saiu dessa?
BS:
É uma segurança criada por uma instabilidade dentro de mim. Não tinha recursos psicológicos para lidar com uma série de coisas, eram muitas dúvidas e temores que foram potencializados pela gravidez. Me recuperei apenas com terapia, não tomo ‘tarja preta’. Me recuso a isso. Remédio é maquiagem para cobrir um sintoma bioquímico. Faço terapia há 14 anos.

 

IG: Entre tantos altos e baixos, qual foi o pior momento da sua vida?
BS:
Ter que lidar com a doença da minha mãe. É horrível! Ela tem 84 anos e sofre há algum tempo de Alzheimer, que é uma doença que rouba a identidade da pessoa, essa coisa que a gente constrói uma vida inteira. Às vezes ela me reconhece, outras vezes não estabelece concepções. Está internada num local próprio para cuidar de pacientes com esse mal. Mas prefiro pensar que nada é por acaso.

 

IG: Como é sua relação com a saúde?
BS:
Minha vida é só 1% glamour, pelo menos minha história. Sou avessa a essa coisa de celebridade. Sou uma pessoa diurna, abstêmia há mais de dez anos, isso diminui o colorido da noite. E, há mais de 20 anos, não como carne vermelha. Faço ioga há quatro anos, tento fazer todos os dias. Ah, e não saio de casa sem protetor solar.

 

SERVIÇO:
Teatro Municipal do Jockey (Rua Bartolomeu Mitre, 1110 - Gávea – RJ)
Sexta e sábado, às 21h30; domingo, às 21 h
Preço: R$ 30,00
Classificação etária: 12 anos
De 6 de novembro a 20 de dezembro




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