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Esqueça as histórias bonitas e felizes: na Idade Média, os contos de fadas tinham tramas sombrias e finais sanguinários

Histórias infantis costumam ser felizes e bonitinhas, como a de " Mogli - O Menino Lobo ", que voltou aos cinemas nessa quinta-feira (14). Mas nem sempre foi assim

Divulgação
"Mogli - O Menino Lobo" voltou aos cinemas nessa quinta-feira (14)

As histórias originais de personagens como Chapéuzinho Vermelho, Cachinhos Dourados e A Bela Adormecida tinham tramas e finais sombrios e, algumas vezes, banhados de sangue. Isto porque estes contos eram narrados durante a Idade Média como uma maneira de alertar as crianças sobre os perigos do mundo.

Antes repassadas apenas oralmente, as histórias foram registradas por autores como os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm e o francês Charles Perrault. Mas, mesmo mais "brandos", os contos de fadas já tinham finais definitivamente pouco felizes. Veja algumas exemplos a seguir:

Cinderela
A versão mais famosa é a de Charles Perrault, cujo desfecho é bem mais sanguinário do que a retratado pela Disney. Na hora de provar o sapatinho de cristal, as irmãs de Cinderela mutilam os próprios dedos e calcanhares para os pés caberem dentro do calçado. Mas os passarinhos, vendo a ~trapaça~, as ataca e as cega com bicadas nos olhos.

A Pequena Sereia
A versão verdadeira, de Christian Andersen, mostra Ariel sofrendo muito só por andar em cima de duas pernas, o que lhe era uma agonia. Além disso, quando o príncipe se apaixona por outra mulher, ela começa a chorar perto do mar e suas companheiras sereias aparecem, lhe dando uma escolha: matar o príncipe com um punhal de dois gumes ou virar espuma do mar. Ariel preferiu a segunda opção :(

Cachinhos Dourados
Escrito em 1837, a história da menina loirinha e fofa que invade a casa de uma família de ursos para curtir uma boa comida e cama acaba bem mal. Em uma das versões, ela é, é claro, devorada pelos ursos, enquanto em outra ela pula pela janela, mas quebra o pescoço e morre.

Branca de Neve
O conto registrado pelos irmãos Grimm, em 1812, dá conta que a Rainha Má é mãe da Branca de Neve e, ao mandar um caçado dar cabo da vida da princesa, ela não quer só o coração da garota, mas também as tripas e os fígados para comê-los no jantar. Mais tarde, desfalecida, Branca não acorda por causa de um beijo de amor, mas por causa do trotar do cavalo do Príncipe, que a estava levando para um castelo. Por fim, a Rainha teve que dançar com sapatos de metal em brasa até a morte.

A Bela Adormecida
Após cair adormecida por causa de um espinho no dedo, a bela princesa é encontrada por um rei que a estupra. Ela acaba dando à luz a gêmeos. Um dos bebês, a procura do peito da mãe, chupa a ponta do dedo dela e retira o espinho, despertando-a. Mas o pesadelo da princesa não acaba aí: sabendo que ela acordou, o rei manda buscá-la junto com seus filhos. A mulher dele, muito ressentida, manda um cozinheiro fazer um ensopado deles. Porém, o plano é descoberto e a rainha é assassinada. Quem escreveu a versão original foi Giambattista Basile, sob o nome “Sol, Lua e Talia”.

Chapeuzinho Vermelho
Há várias versões para ela alegoria daquela velha moral “não fale com estranhos”. O lenhador nunca existiu nelas, o que transforma o fim sempre o mesmo: a Chapeuzinho e a Vovó se dão mal. Na contada por Charles Perrault, a menina pede a direção para o Lobo Mau, que a ensina errado e a devora. Em outra, mais antiga, o Lobo mata a Vovó e prepara a carne dela, dando-a de jantar para Chapeuzinho. Depois disso, também a devora. Um conto menos popular dá conta que Chapéu faz uma espécie de strip-tease para o Lobo Mau e foge na primeira oportunidade.

Em A Pequena Sereia, Ariel tentava conquistar o coração do príncipe. Ao falhar, ela poderia matá-lo ou virar espuma do mar
Reprodução
Em A Pequena Sereia, Ariel tentava conquistar o coração do príncipe. Ao falhar, ela poderia matá-lo ou virar espuma do mar

A Princesa e o Sapo
Na história escrita pelos irmãos Grimm, o sapo é, na verdade, um grande trapaceiro. Ele engana a princesa e vai pedindo cada vez mais favores. Até que exige dormir na cama da garota, que, indignada, o joga na parede. Com o baque, o sapo se transforma no príncipe.

A Bela e a Fera
Este conto de amor é inspirado no texto “O Pequeno Cabo de Vassoura”, de Ludwig Bechstein. Nele, a Fera se transforma em um bicho fofo que é aconchegado por Bela, que o coloca para dormir com beijos. Porém, as irmãs dela, bastante invejosas, a matam afogada. As vilãs, por fim, têm um destino tão cruel quanto Bela: viram colunas de pedra.

Rapunzel
A garota de longos cabelos de ouro da história dos irmãos Grimm, escrita em 1812, recebeu, na versão original, tantas visitas do príncipe que acaba engravidando e suas roupas não servem mais nela.

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