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Em turnê com três cantores, veterana banda alemã se apresenta na noite de 4 de outubro, que tem o Iron Maiden como atração principal; confira mais

Durou pouco a expectativa do povo de camisa preta em relação à atração que substituirá o Megadeth no Palco Mundo do Rock in Rio , no dia 4 de outubro. No lugar do quarteto americano , cujo cantor, Dave Mustaine, está tratando um câncer na garganta, foi anunciado ontem o quinteto alemão Helloween , velho frequentador do Brasil e atração do Palco Sunset em 2013.

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Banda Haloween
Reprodução/Instagram
Banda Haloween


Aliás, quinteto, não: desde 2017 o Helloween tem dois convidados além dos cinco músicos habituais, os cantores Kai Hansen, que ajudou a fundar a banda em 1984 e lá ficou até 1989, e Michael Kiske, que integrou o grupo entre 1986 e 1993, tendo gravado os clássicos discos “Keeper of the seven keys” partes 1 e 2, em 1987 e 1988. Hansen e Kiske dividem o microfone com o titular Andi Deris.

 "Estamos na pré-produção de um novo disco, mas vamos para tudo para ir ao Brasil" conta o guitarrista e fundador Michael Weikath, por telefone, de sua casa em Tenerife, na Espanha (“acordei há pouco, meu cérebro ainda não está funcionando muito bem”, confessa ele).

"Quando tocamos em 2013, tivemos o maior público daquele palco, não foi? Então, há três dias, quando chegou a proposta, conversamos e decidimos que tínhamos que ir, no meio dos Iron Maidens e Scorpions dessa noite ( que tem ainda Slayer, Anthrax, Sepultura, Torture Squad, Claustrofobia e Nervosa ). Acho que combinamos bem com esses caras, são nossos amigos e ídolos".

Kai Hansen, que após deixar o Helloween fundou e liderou o bem-sucedido Gamma Ray, volta e meia aparece nos shows dos ex-companheiros (esteve inclusive com eles no Sunset, em 2013), mas a parada com Michael Kiske era mais complicada.

"Nós éramos melhores amigos quando ele estava na banda", lembra o xará guitarrista. "Mas depois que ele saiu, ficamos sem nos falar por uns 20 anos, eu nem sabia mais por quê. Acabamos nos encontrando em um festival na França, uns anos atrás, e conseguimos conversar rapidamente e fazer as pazes".

A reconciliação com o antigo companheiro motiva até uma filosofada do guitarrista (ou seria o sono?):

"Pior que eu tinha o telefone dele, era só ligar e resolver, mas nunca liguei. Fica o conselho: se você tem um assunto para resolver com alguém de quem goste, seu pai, seja lá quem for, vá em frente e cuide disso".

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Conselho anotado, Weikath diz que a relação dos três cantores (e deles com o resto da banda) não podia ser melhor.

"Eles vivem grudados, principalmente Kiske e Andi!", fofoca. "Vão fazer turismo pelas cidades por onde passamos, conversam o tempo todo, além da eterna discussão sobre quem canta o quê. Além das músicas que cada um gravou nos nossos discos, tem os duetos e a parte técnica, sobre as regiões mais agudas, graves, essas coisas".

Ele diz não ter ideia de quantos shows a “Pumkins United Tour” (o Helloween sempre brinca com abóboras em suas músicas e na parte gráfica de seus discos; são metaleiros alemães, mas têm humor) já teve.

"Sei lá, uns dois mil?" brinca. "Você vai ter que olhar isso na internet. Eu não conto nada desde 1990.

Michael Weikath
Reprodução/Instagram
Michael Weikath


Nos 70 (missão dada...) shows apresentados entre 2017 e 2018 (inclusive em São Paulo e Porto Alegre, em outubro de 2017, o que rendeu especulações de que a banda viria ao Rock in Rio daquele ano), músicas dos dois “Keeper” foram prioridade, cantadas por Kiske, que as gravou, mas frequentemente com a companhia dos outros dois. Kai Hansen assume o microfone nas canções de “Walls of Jericho” (1985), disco de estreia da banda, e Andy Deris pega o material mais recente (em termos, pois ele integra o Helloween há 25 anos), além dos duetos e trios eventuais.

"Antes do Rock in Rio, vamos nos encontrar para ensaiar para os shows ( a banda deve anunciar outras cinco datas pelo Brasil )" conta Weikath. "Fico com uma certa preguiça, mas é necessário, principalmente com três cantores e três guitarras".

Esse trabalho todo já está começando a acontecer na pré-produção do novo disco, que contará com a turma toda.

"Temos umas 20 músicas prontas, agora precisamos ir para o estúdio e trabalhar nelas — diz ele. "Esse disco fica para o outono de 2020 (na Europa). Em outubro próximo, época do Rock in Rio, vamos lançar o CD/DVD ao vivo que gravamos na turnê, com partes registradas em São Paulo, inclusive. Com tanta gente na banda, meu medo é gravarmos um disco longo demais, que as pessoas não tenham paciência para ouvir. Eu mesmo volta e meia não passo da faixa 3.

Helloween no Rockfest

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A banda alemã se apresentará na primeira edição do Rockfest no dia 21 de setembro, sábado, no Allianz Parque, em São Paulo, junto com outras bandas. Para quem quiser ver o Heloween no Rockfest, os ingressos estão à venda pelo site www.ingressorapido.com.br.